Cordas do violão: o que todo mundo precisa saber e o que ninguém conta
A primeira vez que peguei um violão, achei que as cordas vinham numeradas de cima para baixo. Não vinham. Eu contava 1 a 6 na direção errada e ainda por cima esquecia o nome delas. O padrão é o seguinte: a corda mais grossa, a que fica mais perto do seu rosto quando você toca, se chama Mi grave (E). A mais fina, a de baixo, é Mi agudo (e). Entre elas, na ordem crescente de altura, temos Lá (A), Ré (D), Sol (G) e Si (B). Mnemônico que eu uso: “Mi Grave, Lá, Ré, Sol, Si, Mi Agudo”. Repete isso três vezes e você nunca mais esquece.
nome das cordas de um violao — o mínimo que você precisa saber
Antes de entrar em afinações alternativas ou violões de 7 cordas, aqui está o que é obrigatório dominar. As seis cordas, da mais grossa para a mais fina, são: E (Mi grave), A (Lá), D (Ré), G (Sol), B (Si), e (Mi agudo). O Mi grave é a corda 6. O Mi agudo é a corda 1. Quando alguém fala “segunda corda”, está se referindo ao Si. Ponto. Sem confusão. Eu já vi gente confundir a numeração e acabar tensando uma corda errada na cabeça do violão. Aconteceu comigo quando troquei as seis de uma vez e deixei a corda 3 (Ré) com a tensão da corda 4 (Ré, mas mais grossa). O violão entortou o braço meio que perceptível e eu tive que deixar umas 48 horas sem tensão pra relaxar a madeira. Workaround: sempre afino uma corda por vez, dando um giro médio na cravelha, e nunca tensiono mais que um semi-tom acima da nota alvo. Se estiver desafinado, solta antes de apertar. Já perdi duas cordas novas fazendo isso errado em 2018, então a regra é prática.
O que a maioria dos tutoriais não destaca: a corda de Si (B) costuma ser a que mais quebra na afinação inicial. Ela é fina e, se você puxar rápido, vai até arrebentar antes de estabilizar. Minha prática: afino devagar, em torno de 15 a 20 segundos por corda, e dou uma esticada leve com os dedos antes de travar no ponto. Isso reduz o risco de Quebra em uns 70%, segundo minha experiência pessoal (e não, não tenho estudo estatístico pra isso, só o que vejo no dia a dia).
Como trocar as cordas sem estragar o instrumento
O processo de troca de cordas leva, em média, de 20 a 35 minutos para quem tem prática. Para iniciante, pode passar de 1 hora se a mecânica do cavalete estiver grudada. O segredo é manter a ordem correta ao enfiar na ponte. A corda grossa (Mi grave) vai no ponto mais alto, perto do seu peito. A fina (Mi agudo) vai no ponto mais baixo, perto do chão. Se inverter, o violão vai soar estranho e a ação das cordas fica desbalanceada. Um detalhe técnico que pouca gente menciona: o Si (corda 2) é geralmente de nylon simples ou metálico ultrafino, dependendo do violão. Em violões clássicos, a corda de Si costuma ser de nylon trançado, o que dá uma sensação mais áspera ao toque. Em violões de corda de aço, ela pode ser de bronze fosforoso ou latão, e se você forçar a afinação, ela pode se romper em poucos dias. A recomendação é usar cordas de qualidade, mas não as mais baratas. Marcas como D’Addario, Savarez e Elixir funcionam bem. A diferença de preço é real, mas o custo-benefício aparece depois de uns 3 meses de uso.
Outro ponto prático: antes de trocar, limpá-la com um pano seco ajuda a remover poeira e oleosidade que aceleram a corrosão. Eu uso um pano de microfibra e, se a corda estiver muito suja, um pouco de álcool isopropílico (só na corda, nunca no braço). Isso estende a vida útil das cordas em cerca de 30% a 40%, segundo minha contagem informal de quantas vezes troquei cordas em diferentes condições.
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Afinações alternativas e por que elas existem
Além da afinação padrão (E-A-D-G-B-e), existem várias outras que mudam a disposição das notas. Drop D (D-A-D-G-B-e) é uma das mais usadas no rock e no folk. A corda 6 baixa um tom, o que facilita fazer power chords com uma única mão. Open G (D-G-D-G-B-D) e Open D (D-A-D-F#-A-D) são populares no blues e na fingerpicking. Cada afinação altera a tensão relativa das cordas e, consequentemente, a sensibilidade do braço. Um caso específico que eu enfrentehei: tentei afinar meu violão em Open D para gravar uma faixa e, ao voltar para a afinação padrão, o braço ficou com uma tensão desbalanceada por cerca de 2 semanas. O problema era que eu não tinha deixado o violão descansar entre afinações diferentes. Workaround: após qualquer afinação alternativa, deixe o instrumento parado por pelo menos 24 horas antes de retocá-lo para a afinação padrão. Isso dá tempo para a madeira se acomodar à nova tensão e evita desvios persistentes de afinação.
Outra coisa que as pessoas ignoram: violões de nylon têm braço mais largo que os de aço, e a tensão das cordas é diferente. Se você trocar de nylon para aço, precisa ajustar a altura das cordas (action) no cavalete, senão elas vão roncar contra as trastes. Eu já passei por isso e perdi umas 3 horas ajustando o cavalete com uma chave Allen. Aprendi que, na dúvida, leve a um luthier antes de brincar com a ação.
Erros comuns e como evitar
O erro mais frequente é não apertar as cordas nos pontos corretos da cravelha. Cada corda deve dar uma volta completa e depois meia volta, com a ponta da corda presa sob a volta principal. Se deixar a ponta solta, ela vai escorregar e desafinar constantemente. Outro erro é apertar demais a corda na cravelha; isso pode causar fratura na ponteira da cravelha, especialmente em violões mais antigos. Quanto à afinação, o problema é ajustar rápido demais. O ideal é afinar em ambiente tranquilo, sem vento e com o violão em temperatura estável. Mudanças de temperatura fazem as cordas expandirem e contraírem, o que desanda a afinação em minutos. Eu uso um afinador digital de pedal (como o TC Electronic Polytune) e, antes de cada sessão, deixo o violão ligado por 5 minutos para estabilizar. Isso elimina a maior parte das variações.
Também é comum as pessoas usarem cordas velhas além do ponto seguro. Cordas de nylon duram em média 3 a 6 meses, dependendo do uso. Cordas de aço duram menos, talvez 1 a 3 meses. Se a corda estiver escura, opaca ou com brilho perdido, é sinal de que ela precisa ser trocada. Não adianta insistir; o som fica abafado e a ação fica irregular.
Quando procurar um profissional
Nem tudo se resolve com tutorial. Se o braço estiver torto, se as trastes estiverem descascando, ou se o cavalete estiver soltando, leve a um luthier. Eu já tentei ajustar um braço empenado com chave de Allen e só piorei a situação. O custo de um ajuste profissional varia de R$ 50 a R$ 150, dependendo da região, mas evita danos permanentes no instrumento. Vale cada centavo se o violão for caro ou sentimental. Outro cenário em que um profissional é necessário: quando você quer mudar o escala de afinação (por exemplo, de 6 para 7 cordas). Isso requer adaptações no cavalete e na cabeça do violão, e um ajuste inadequado pode comprometer a ação e a afinação geral. Eu prefiro delegar isso a quem tem experiência, porque o risco de estragar o instrumento é alto.
Em resumo, o conhecimento das cordas do violão é a base de tudo. Sem dominar E-A-D-G-B-e, você não consegue avançar para afinações alternativas, fingerpicking ou até mesmo tocar em grupo. O resto é prática, paciência e, às vezes, pedir ajuda a quem já passou pelo mesmo problema.