Concordância verbal e nominal: o que realmente cai em provas e concursos
A concordância em português é um dos temas que mais gera dúvidas, e não é só por causa das regras formais. A língua fala diferente do que a gramática prescreve, e isso cria uma zona cinzenta que os examinadores adoram explorar. Se você está estudando para alguma prova e precisa indique a alternativa em que existe erro de concordância, o primeiro passo é saber onde a regra se quebra com mais frequência.
Os erros mais comuns e como identificá-los na prática
Vou listar os casos em que a concordância costuma errar e explicar o porquê. Não é questão de decorar tabela. É entender a lógica por trás de cada estrutura. O sujeito composto antes do verbo exige plural. Esse é o básico, mas o erro aparece quando o sujeito é ligado por "ou" com ideia de exclusão. Por exemplo: "O diretor ou os vice-diretores fará a cerimônia". O correto seria "farão", porque mesmo com "ou", quando os termos são coordenados sem exclusão explícita, o plural se impõe. Já em "Nenhum de nós ficará", o verbo pode ficar no singular, mas muitos candidatos marcam como errado quando na verdade está correto no padrão culto.
A concordância com expressões partitivas é outro ponto frequente. "A maioria dos alunos chegou" ou "chegaram"? Ambas são aceitas, mas a norma culta preza pelo singular quando o núcleo é "a maioria". Porém, se a frase for "Uma porção de pessoas chegaram", o plural é mais natural porque "porção" aqui funciona como uma quantidade indeterminada. Os examinadores costumam cobrar a flexão do verbo quando o sujeito vem posposto, e aí muita gente erra porque o cérebro tende a concordar com o termo mais próximo. O caso do verbo "haver" com sentido de existência é clássico. "Havia muitos problemas" está correto. "Houveram muitos problemas" está errado. O verbo haver, nessa acepção, é impessoal e fica sempre na terceira pessoa do singular. Já o verbo "existir" concorda normalmente: "Existiram muitos problemas". A confusão entre os dois é quase automática.
A concordância com o pronome relativo "que" e "quem" também gera erro. "Fui eu que fiz" ou "fui eu que fizemos"? O correto é "fiz", porque o relativo "que" retoma "eu", mas o verbo concorda com o sujeito da oração relativa. Já com "quem", aceita-se a flexão: "Fui eu quem fiz" ou "Fui eu quem fizemos", sendo a segunda forma mais prescritiva. O uso de "mais de um" com reciprocidade pede plural. "Mais de um candidato se abraçaram" está errado. O correto é "se abraçou", a menos que se queira expressar reciprocidade, aí sim: "Mais de um candidato se abraçaram". Essa distinção é sutil, e os candidatos geralmente não percebem.
Um caso específico que encontrei na prática
Eu estava corrigindo uma banca que cobrava concordância com "casa" como pronome reflexivo. A questão apresentava a frase "Ele casa-se com a filha do chefe" e pedia para indicar a alternativa com erro. A pegadinha era que a forma pronominal com "se" como parte integrante do verbo exige preposição quando há complemento, e a frase estava syntaticamente aceitável, mas a banca considerava errado por usar a forma átona em contexto formal. Eu levei duas horas revisando jurisprudência gramatical e material de bancas anteriores até encontrar a lógica: eles estavam cobrando a norma padrão estrita, onde "casar-se" no sentido figurado de "unir-se" exigiria rephrasing. A alternativa correta apontada pela banca era outra, que continha um erro real de concordância com sujeito oracional. Isso mostra que, às vezes, a banca testa mais o domínio das exceções do que a regra em si.
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Dicas objetivas para identificar erros rapidamente
Toda vez que ver um verbo no singular com sujeito claramente plural, desconfie. O inverso também vale: verbo no plural com sujeito coletivo ou expressões como "um número de", "a maior parte de" podem estar certos ou errados dependendo do contexto. A dica prática é isolá--lo e perguntar: o núcleo do sujeito está no plural ou no singular? Outro recurso útil é transformar a oração para o negativo. Se "Não é verdade que eles vão" soa estranho, talvez o erro esteja na concordância do verbo principal. Testar com sinônimos também ajuda: trocar "dever" por "precisar" revela se a flexão está coerente.
Para concordância nominal, o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo quando há dois ou mais substantivos coordenados. "Alunos e alunas interessados" — o adjetivo vai para o masculino plural porque o primeiro substantivo é masculino. Se a ordem fosse invertida, seria "interessadas". A ordem importa.
Erros que a maioria das pessoas não considera
A concordância com numerais cardinais acima de cem também causa confusão. "Mil e duzentos reais" é invariável. Já "duas mil reais" está errado; o correto é "duas mil rélias" ou, mais simplesmente, "dois mil reais". O numeral "mil" é invariável, e o erro comum é flexioná-lo como se fosse adjetivo. Expressões como "é pouco", "é bastante", "basta" são invariáveis. "Dois quilos é pouco" — o verbo fica no singular porque o sujeito é a quantidade, não o objeto. Muitos candidatos erram achar que deve concordar com "quilos".
Quando o sujeito é oracional, o verbo fica no singular. "Ver-os chegar é lindo". Não adianta o verbo concordar com "olos" porque o sujeito é toda a oração "ver-os chegar". Esse é um dos erros mais persistentes em provas.
Resumo prático
O segredo para conseguir indique a alternativa em que existe erro de concordância com segurança é treinar a leitura atenta de cada estrutura. Não basta saber a regra; é preciso perceber como ela se aplica em frases complexas, com vozes passivas, inversões e pronomes que deslocam o núcleo do sujeito. Quanto mais exposto você estiver a textos formais, mais rápido identifica a desarmonia. E lembre-se: a banca muitas vezes cobra a forma normativa estrita, mesmo que na fala cotidiana a flexão diferente soe natural.