Verbos que terminam em ar: o grupo mais numeroso do português
Se você já estudou português, já se deparou com o grupo dos verbos em -ar. São eles que representam cerca de 80% dos verbos regulares da língua, e dominar essa conjugação abre a porta para uma quantidade enorme de palavras do dia a dia. Vamos direto ao ponto.
O que são verbos que terminam em ar
Os verbos que terminam em ar são aqueles cujo infinitivo se encerra nessa sequência de letras. Exemplos clássicos: amar, cantar, estudar, falar, trabalhar. Eles pertencem à primeira conjugação, e a regra básica de conjugação no presente do indicativo é extremamente previsível:
- eu — -o (falo, canto, estudo)
- você/ele/ela — -a (fala, canta, estuda)
- nós — -amos (falamos, cantamos, estudamos)
- vocês/eles/elas — -am (falam, cantam, estudam)
Esse padrão se repete praticamente inalterado para todos os verbos regulares do grupo. É isso que permite, por exemplo, conjugar um verbo que você nunca viu antes apenas sabendo que ele é regular da primeira conjugação. Ao longo dos anos, já vi pessoas confundirem a forma "nós falamos" (presente) com "nós falámos" (pretérito perfeito, na grafia tradicional). A diferença é sutil mas importante: no presente, a terminação é sempre -amos com acento aberto na vogal anterior ao s; no pretérito, dependendo da norma, pode variar. O mais seguro é consultar sempre a forma padrão recomendada pelo uso contemporâneo.
Como conjugar no presente do indicativo
O processo é mecânico quando o verbo é regular. Retira-se a terminação -ar do infinitivo e adiciona-se a desinência adequada ao radical. Pegue o verbo trabalhar:
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- Radical: trabalh-
- eu trabalhao
- você trabalhaa
- nós trabalhamos
- vocês trabalham
Uma coisa que costuma pegar os aprendizes é a forma da primeira pessoa do singular: o -o final não se Junta ao radical de maneira transparente em todos os casos. Verbos como colocar geram coloco, onde há uma alteração ortográfica para preservar o som /k/. O mesmo acontece com pagar pago, dirigir dirijo (este último é da segunda conjugação, mas ilustra o tipo de ajuste necessário). Outro ponto prático: a forma nós -amos é frequentemente confundida com o pretérito perfeito em contextos informais. "Nós amamos" pode significar tanto "we love" (presente) quanto "we loved" (pretérito), dependendo do contexto e da norma. Em textos formais, a solução é usar perífrases como "nós chegamos a amar" ou reestruturar a frase para evitar ambiguidade.
Verbos irregulares importantes do grupo -ar
Nem todo verbo em -ar é regular. Alguns dos mais usados apresentam irregularidades significativas:
- dar dou, dás, dá, damos, dão (radical completamente diferente)
- estar estou, estás, está, estamos, estão (presença de ditongo uo na 1ª pessoa)
- passar passo, passes, passa, passamos, passam (alternância s/z na 1ª pessoa)
- avaliar avalio, avalias, avalia, avaliamos, avaliam (o i atua como semivogal de transição)
Eu pessoalmente tive um problema específico com o verbo perseguir — que na verdade é da segunda conjugação (-uir), mas ilustra bem o tipo de armadilha que aparece. Quando estudantes tentam aplicar a regra do -ar a verbos parecidos, acabam produzindo formas como "perseguo" erroneamente analisado. A solução prática que encontrei foi criar uma tabela de verificação rápida: antes de conjugar, confirmar se o infinitivo realmente termina em -ar e se o verbo é da primeira conjugação.
Dicas práticas para dominar a conjugação
Existem técnicas que aceleram significativamente o aprendizado. A mais eficaz, segundo minha experiência, é a exposição massiva combinada com produção ativa. Leia textos reais (notícias, livros, artigos técnicos) e sublinhe os verbos em -ar no presente. Depois, tente reescrever os parágrafos usando outras pessoas gramaticais. Outro recurso útil é o uso de flashcards com as formas verbais completas, não apenas o infinitivo. Uma baralhinha bem montada com as 6 pessoas do presente do indicativo para 20 verbos comuns (falar, trabalhar, estudar, ajudar, procurar, esperar, precisar, querer, poder, dever, etc.) leva cerca de 15 minutos por sessão e, em três semanas de prática diária, a maioria das pessoas domina o padrão.
Um erro comum que vejo repetidamente é a aplicação cega da regra regular a verbos que sofreram alterações fonéticas históricas. Verbos como zuar zuo (neologismo recente, mas segue o padrão), blogar blogo, e outros aportuguesamentos de verbos estrangeiros criam formas que parecem irregulares mas na verdade seguem o padrão ortográfico estabelecido. A regra geral é: se o radical termina em vogal ou semivogal, a 1ª pessoa do singular ganha um -o direto; se termina em consoante, pode haver ajustes de grafia para manter a pronúncia. O que menos funciona é a decoreba isolada. Conjugação sem contexto textual tende a ser esquecida rapidamente. O ideal é sempre praticar dentro de frases completas, preferencialmente relacionadas a situações reais do seu dia a dia.