Por que ainda se discute o valor de uma faculdade de RH quando o mercado já decidiu?
Você já deve ter visto aquele comentário genérico dizendo que "faculdade não garante emprego" ou, no outro extremo, que "todo mundo precisa de diploma". A verdade, como costuma acontecer, é muito mais chata e menos dramática do que qualquer um desses extremos. O valor da faculdade de RH e AD não é uma linha reta entre matrícula e salário. É uma equação com muitas variáveis que mudam conforme a região, a instituição e, principalmente, o que você faz durante os quatro anos.
Valor da faculdade de RH e AD: o que realmente importa na prática
Ao analisar o valor da faculdade de RH e AD, a primeira coisa que precisa ficar clara é que existem dois tipos de valor sendo medidos aqui. Um é o valor mercadológico do diploma em si. O outro é o valor formativo, que é o que realmente determina se o profissional vai se sustentar ou ser engolido pelos primeiros dois anos de carreira. Eu comecei acompanhando contratações de recém-formados há alguns anos. O padrão se repete com uma consistência quase cômica: candidatos com diploma em mãos, mas que nunca haviam lidado com uma folha de pagamento real, um processo seletivo de verdade ou um conflito entre setores que precisava de mediação. A teoria que eles aprenderam era sólida. O problema é que a aplicação prática exige algo que sala de aula raramente entrega por conta própria.
O mercado de RH no Brasil tem uma particularidade que muitos não levam em conta na hora de escolher faculdade. Empresas de todos os portes precisam de gente para fazer recrutamento, mas a grande maioria dos cargos de entrada não pede experiência prévia. Pedem, na verdade, capacidade de operação. Saber rodar um sistema de ATS, montar uma Grade de Avaliação, entender a lógica por trás do eSocial e saber ler uma CLT atualizada sem precisar consultar o Google a cada linha. Isso tudo se aprende na faculdade se o curso for sério. Se for genérico, vira só um papel caríssimo. Uma coisa que poucos explicam sobre o curso de RH é a divisão interna que praticamente todo profissional vive. Existem os perfis mais operacionais, que vivem de processos, conformidade legal e rotinas de département. E existem os perfis estratégicos, que trabalham com análise de dados, culture fit, planejamento de força de trabalho e métricas de pessoas. O curso que você escolher vai te inclinar para um lado ou para o outro. Escolher o caminho errado e se dar conta disso só no terceiro ou quarto ano é algo que eu vejo acontecendo com frequência. Na minha experiência, o caminho estratégico tem Demandado mais da sua parte autodidata, mas também paga melhor e oferece mais mobilidade. O operacional é mais direto, mas também mais vulnerável a automação e terceirização.
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Sobre AD, que na maioria das faculdades brasileiras aparece como Administração ou Análise e Desenvolvimento, a discussão fica ainda mais rasa. Se for Administração, o diploma abre portas, mas não as mantém abertas. Se for Análise e Desenvolvimento, aí a coisa muda completamente de figura, porque o valor do curso está diretamente ligado às tecnologias que você domina na formatura, não ao diploma em si. O mercado de tech não liga para onde você estudou. Liga para o que você consegue entregar. O erro mais comum que eu vejo pessoas cometendo é tratar a faculdade como um destino, quando ela é na verdade uma ferramenta. Uma faculdade de RH ruim te dá uma base fraca e um diploma que não diferencia. Uma faculdade de RH boa te dá uma base sólida e um networking que pode ser decisivo nos primeiros cinco anos. A diferença entre uma e outra costuma estar na qualidade dos professores, na existência de estágios obrigatórios bem estruturados e na reputação da instituição perante os recrutores da sua região.
Um exemplo muito específico que ilustra bem isso: fiz recentemente uma análise de currículo de um candidato que se formou em RH por uma instituição conhecida regionalmente, mas com grade curricular defasada. Ele sabia teoria de recrutamento, mas não tinha nunca tocado em um sistema de RH de verdade. O salário que ele pediu era compatível com quem já tinha experiência operacional. A diferença entre o que ele sabia e o que o mercado exigia era de cerca de seis meses de trabalho prático. Esse gap é exatamente o tipo de coisa que uma faculdade boa ajuda a fechar antes da graduação, não depois. Outro ponto que merece atenção é a área geográfica. O valor do diploma varia muito dependendo de onde você pretende trabalhar. Uma faculdade forte no Sul do país pode não ter o mesmo peso no Nordeste ou no Centro-Oeste. Recrutadores tendem a contratar de onde conhecem. Se você está seguro sobre onde quer atuar, escolha a faculdade com presença naquele mercado. Se ainda está em dúvida, priorize instituições com reconhecimento nacional, mesmo que isso signifique estudar mais longe inicialmente.
A parte que ninguém gosta de ouvir é que o diploma por si só tem perdido valor gradualmente. Não é que tenha desaparecido. É que ele deixou de ser um diferencial competitivo e virou um requisito mínimo. Em muitas empresas, especialmente as maiores, não ter diploma de faculdade já é desclassificante automático para cargos de RH. Então a questão não é mais "vale a pena fazer faculdade?" A questão é "qual faculdade de RH e AD vale a pena fazer e como maximizar o retorno desse investimento?" Para quem está começando agora, a recomendação mais honesta que posso dar é simples. Não gaste mais do que precisa. Se uma faculdade pública ou uma privada de custo acessível com bons professores atende ao que você precisa, não há motivo para endividarse por um nome famoso. O nome da faculdade importa no começo da carreira, mas perde importância rapidamente após os três ou quatro anos de experiência. O que permanece é o que você sabe fazer.
Se possível, dê preferência a cursos que tenham integração real com o mercado. Estágios supervisionados, projetos com empresas reais, casos práticos que envolvam sistemas e ferramentas atuais. Isso faz uma diferença enorme na transição entre a faculdade e o primeiro emprego. Eu vi colegas que passaram anos estudando teoria e só aprenderam a funcionar no dia em que chegaram para trabalhar. Outros, que já tinham rotina nos primeiros dias porque já tinham vivido simulações reais na faculdade. A diferença no currículo inicial entre esses dois grupos é gritante. No final das contas, o valor da faculdade de RH e AD não é fixo. Ele depende do esforço que você coloca, da qualidade do curso, da rede de contatos que constrói e das oportunidades que consegue aproveitar durante a graduação. O diploma é o ticket de entrada. O que você faz com ele é que define quão longe vai.