Como ensinar unidade e dezena para crianças de 6 anos
A maior parte dos professores e pais trava na hora de explicar dezena e unidade porque tenta explicar com palavras. Comece pelos materiais. Coloque varetas ou palitos em cima da mesa. Peça para a criança contar até 9, separando um por um. Depois, quando chegar no 10, pegue elástico e amarre os 10 palitos num só feixe. Fale claramente: esse feixe é uma dezena. O que sobrou, se sobrar algo, são unidades soltas. Isso é tudo que existe na operação. O resto é terminologia que entra depois. O erro mais frequente que eu vejo acontecer na sala de aula, inclusive nas avaliações da escola, é a criança saber decoreba da tabuada mas não conseguir identificar visualmente que o algarismo 2 no número 27 representa 20, não 2. Ela vê o dois e fala "dois". Precisamos corrigir isso antes de qualquer exercício escrito. Eu sempre peço para a criança ler o número de trás para frente, dizendo primeiro quantas dezenas e depois quantas unidades. Se o número é 43, ela fala "quatro dezenas e três unidades". Só depois escreve o algarismo. Esse pequeno ajuste resolve boa parte dos equívocos com valores posicionais no primeiro ano.
O que é unidade e dezena no 1º ano do ensino fundamental
Unidade e dezena é o sistema de valor que a criança aprende nos primeiros meses do 1º ano. O dígito da direita conta quantas unidades, de 0 a 9. O dígito da esquerda conta quantas dezenas, ou seja, quantos grupos de 10 existem. Qualquer número de dois algarismos nesse nível se decompõe assim. 58 é 5 dezenas e 8 unidades. 70 é 7 dezenas e zero unidades. O zero é importante porque mostra que a posição existe mesmo sem quantidade, e isso confunde muita gente nova na educação. Existem materiais bons e baratos que funcionam bem. O material dourado é o clássico, mas você não precisa comprar nada caro. Palitos de picolé viram dezenas quando amarrados, botões ou grãos de feijão servem como unidades, e potes de iogurte vazios funcionam como organizadores visuais. Eu monto esse kit com custo quase zero e recomendo porque a criança precisa tocar o conceito, não apenas ouvir sobre ele. A compreensão conceitual fixa mais rápido quando há manipulação física envolvida.
Aqui vai um detalhe que poucos professores mencionam: a criança de 6 anos geralmente interpreta o zero à direita como inexistente. Quando você apresenta o número 30, ela tende a pensar que não tem nada ali, porque o zero não tem "quantidade". Eu resolvi isso mostrando 30 como 3 agrupamentos cheios e 0 soltos, usando o mesmo material. A criança vê que o zero marca uma posição, não ausência. Esse entendimento evita erros graves depois, principalmente nas operações de subtração com empréstimo, que aparecem ainda no 1º ano em muitos currículos. Outro ponto cego é a diferença entre algarismo e número. A criança confunde os dois constantemente. No número 46, o algarismo 4 representa 40, mas ela pode dizer que é quatro. Não se trata de inteligência, trata-se de abstração. A solução é usar linguagem constante: sempre falo "o algarismo 4 está na posição das dezenas e vale 40", e repito isso até a criança internalizar. Repetição chata funciona melhor que explicação elaborada.
Se a criança já demonstra dificuldade com a contagem até 20, não adianta avançar para dezenas. Você vai criar uma base furada. Volte para a contagem coletiva, com os dedos, com objetos. Gaste o tempo que for necessário aqui. A maioria dos profissionais pressiona demais e acelera, e depois passa o resto do ano remendando falhas que poderiam ter sido evitadas com paciência inicial.
Atividades práticas que funcionam na rotina escolar e doméstica
Uma atividade simples e eficaz é a caça aos números. Escreva números de 10 a 99 em pedaços de papel e peça para a criança montar cada um com os palitos. Exemplo: para o 52, ela deve fazer 5 feixes de 10 e 2 soltos. Depois, peça para ela escrever o número por extenso. Isso reforça a conexão entre representação concreta, simbólica e linguística ao mesmo tempo. Outra técnica que eu uso é a comparação com jogos. Coloque dois montes de material e pergunte qual tem mais. A criança vai contar, mas o ideal é que ela perceba primeiro olhando as dezenas, sem precisar contar tudo. Se um tem 4 feixes e o outro tem 6, o de 6 é maior, independentemente das unidades. Esse pensamento comparativo economiza tempo e desenvolve int numérica precocemente.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Para fixação, exercícios de completar a tabela de valor posicional são úteis, mas o excesso deles torna a aula monótona. Eu alterno com brincadeiras. Um jogo rápido é o "vou comprar": você diz um preço, como 37 reais, e a criança paga com notas e moedas de brinquedo, separando primeiro as dezenas (notas de 10) e depois as unidades (notas de 1). Isso conecta o conceito matemático com uma situação do dia a dia, o que aumenta o engajamento sem esforço adicional. Na hora da correção, se a criança erra sistematicamente trocando posições, o problema raramente é falta de atenção. É falta de compreensão do valor posicional. Volte ao material concreto. Não insista em exercícios escritos Until ela consiga explicar com as mãos o que está fazendo. Esse processo costuma levar de 3 a 5 aulas, dependendo da turma, mas compensa longe prazo porque elimina a necessidade de desfazer conceitos errados mais tarde.
Erros comuns e como lidar com eles
O erro mais frequente é escrever o número errado quando pede para representar uma quantidade. Por exemplo, a criança coloca 3 feixes e 5 soltos e escreve 53 em vez de 35. Nesse caso, eu pergunto: "quantos feixes você tem? Que algarismo representa os feixes? Onde ele deve ficar?". A pergunta guiada funciona melhor que a correção direta porque faz a criança raciocinar sobre o próprio erro. Outro problema comum é achar que 19 é menor que 12 porque 9 é maior que 2. A criança compara apenas o último dígito. Para corrigir, mostrei visualmente: 19 tem 1 feixe e 9 soltos. 12 tem 1 feixe e 2 soltos. Ambos têm 1 feixe. O que decide é a quantidade de soltos. Esse tipo de confusão é normal nessa fase e desaparece com exposição repetida a comparações concretas.
Também é comum a criança não entender por que não se pode ter 10 unidades soltas. A resposta é prática: o sistema posicional foi criado para organizar. Se deixarmos 10 soltos, perdemos a noção rápida da grandeza do número. Ensine essa lógica desde o início, não como regra arbitrária, mas como convenção útil. A criança aceita melhor quando entende o porquê. Se o aluno já está no 2º ano e ainda tem dificuldade com dezena e unidade, o indicado é buscar avaliação especializada. Pode haver uma dislexia não diagnosticada, uma discalculia, ou simplesmente defasagem de aprendizagem que precisa de intervenção específica. Não trate isso como preguiça ou desatenção. O diagnóstico precoce muda o trajectory escolar da criança.
Download de material complementar
Eu organizei uma cartilha simples em PDF com exercícios progressivos de unidade e dezena adequados para o 1º ano. Ela contém atividades de montagem com material concreto, exercícios de escrita numérica, comparações e uma seção de correção comentada. O material é gratuito e pode ser baixado diretamente. Ele segue a mesma abordagem prática que descrevi aqui, sem enfeites e focada no que funciona na prática. Recomendo imprimir e plastificar as folhas de exercícios para reuso, já que crianças desse idade tendem a riscar, rasgar e perder folhas com frequência. Uma cópia bem feita dura o semestre inteiro.
Lembre-se de que esse conteúdo é um recurso de apoio, não substitui o acompanhamento pedagógico regular. O professor da sala conhece o ritmo da turma e pode adaptar as atividades conforme a necessidade individual de cada aluno. O material serve para reforço, não para substituir a aula.