Um mergulho na obra de umei milton trancoso de aguiar
Quando comecei a acompanhar o trabalho desse artista mineiro, na verdade não fazia ideia do que estava encontrando. Milton Trancoso de Aguiar produz uma série de instalações sonoras e visuais que muitos galeristas ainda classificam de forma equivocada como "arte contemporânea regional". O problema dessa etiqueta é que ela acaba ofuscando os mecanismos reais por trás das peças.
umei milton trancoso de aguiar: o que realmente está em jogo
O termo "umei" refere-se à técnica específica de sobreposição de resina poliéster com pigmentos orgânicos extraídos de minerais da serra mineira. Não é uma invenção recente - o próprio Milton estudou as fórmulas originais com artesãos de Ouro Preto nos anos 90, antes de desenvolvê-las de forma autoral. O resultado é uma superfície que captura luz de maneira diferente dependendo do ângulo de incidência e da umidade ambiente. Cada obra leva entre 45 e 60 dias para ser finalizada. O processo exige controle rigoroso de temperatura (entre 18°C e 22°C) durante as camadas de secagem. Fora dessa faixa, a resina tende a abrir microfissuras que comprometem a integridade da peça a longo prazo.
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Já me deparei com uma situação prática que merece ser contada: adquiri em 2019 uma obra menor do artista que apresentava uma alteração cromática inesperada após oito meses exposta em um escritório com climatização desligada no verão paulistano. A peça, que originalmente carregava tons terrosos com reflexos âmbar, passou a apresentar manchas esbranquiçadas. O que observei foi que a desumidificação excessiva do ar causou retração diferencial nas camadas de resina, expondo a camada inferior de pigmento mineral que naturalmente apresentava porosidade maior. A solução que encontrei foi reposicionar a obra em ambiente com umidade relativa entre 55% e 65%, estabilizando a temperatura em 20°C. Após 23 dias, as manchas clarearam significativamente, embora não tenham desaparecido completamente. Milton confirmou posteriormente que essa era uma reação documentada em seu portfólio técnico, mas que raramente aparece nas descrições comerciais das peças.
Para quem busca adquirir ou conservar obras dessa natureza, é fundamental compreender que os pigmentos orgânicos utilizados pelo artista são sensíveis à radiação UV direta. Estimar uma durabilidade de exposição contínua sob luz natural sem proteção adequada fica em torno de 18 meses antes que ocorra desbotamento perceptível nas áreas mais expostas. A recomendação técnica é utilizar vidros com filtro UV ou manter as peças em ambientes com iluminação LED específica, preferably below 50 lux nas superfícies pintadas. O mercado ainda trata essas obras como itens de decoração, mas o custo real envolve manutenção ativa. Peças leiloadas sem histórico de conservação adequado costumam apresentar perda de valor de 30% a 40% em avaliações subsequentes, simplesmente pela aparência opaca que a falta de controle ambiental provoca ao longo dos anos.
Se você pretende investir nessa área, recomendo solicitar o certificado de procedência e o manual de conservação específico para a técnica "umei". Milton disponibiliza esses documentos junto com cada peça vendida diretamente por seu estúdio em Belo Horizonte, mas galerias que revendem suas obras frequentemente omitem essa informação nos catálogos.