O que esperar de um resumo de Policarpo Quaresma
Policarpo Quaresma é o protagonista de um dos romances mais importantes da literatura brasileira, escrito por Lima Barreto e publicado em 1915. A obra acompanha a trajetória de um patriota dedicado que, movido por um ideal nacionalista ingênuo, tenta aplicar suas convicções na prática e acaba sendo destruído pelo realismo da sociedade brasileira. O livro tem três partes bem definidas. Na primeira, Policarpo tenta impor o tupi-guarani como língua oficial do Brasil. Na segunda, ele se envolve com o movimento da Revolta da Vacina no Rio de Janeiro. Na terceira, ele é preso e condenado por causa da chamada Questão de Limites com a Argentina, um conflito diplomático mal resolvido que o leva à prisão.
triste fim de policarpo quaresma - resumo
O resumo da obra começa com a apresentação de Policarpo Quaresma, um militar de carreira que vive modestamente com sua prima D. Plácida e seu cunhado. Ele é um homem simples, sem grandes ambições pessoais, mas com um amor quase obsessivo pelo Brasil. Esse patriotismo é o motor de toda a narrativa. Quando Policarpo lê o processo de Tiradentes nos arquivos do Exército, ele fica convencido de que o herói da Inconfidência Mineira era indígena e que a língua original do Brasil deveria ser o tupi. Ele redige um memorial pedindo a oficialização do tupi e entrega ao Ministério da Guerra. O documento é ridicularizado pelos superiores. O general que o recebe zomba abertamente dele e devolve o texto como uma piada. Policarpo sai dali humilhado, mas a ideia já tinha tomado conta dele.
A segunda parte mostra Policarpo se envolvendo com os fatos da Revolta da Vacina, em 1904. Ele participa dos manifestantes que se opunham à vacinação obrigatória contra a varíola, promovida pelo governo de Rodrigues Alves. A revolta foi reprimida com violência e muitos inocentes foram presos ou mortos. Policarpo vê a repressão de perto e fica cada vez mais desiludido com o país. A terceira e última parte traz o desfecho. Durante a Questão de Limites de 1909, que envolvia disputas territoriais entre Brasil e Argentina, Policarpo se torna suspeito de traição por expressar opiniões contrárias à postura do governo. Ele é preso, processado e condenado. No final, ele morre preso, sem jamais ter compreendido por que o Brasil que ele amava era tão hostil a quem nele acreditava.
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Aqui vai um detalhe que muita gente deixa passar: Lima Barreto não faz uma crítica simplória ao patriotismo. Ele mostra como o nacionalismo, quando desconectado da realidade, se transforma em farsa. Policarpo não é tolo. Ele é ingênuo, sim, mas essa ingenuidade vem de um lugar genuíno. Ele acredita que o Brasil pode ser grande se seus cidadãos forem honestos. O problema é que a honestidade, sozinha, não funciona nessa sociedade. Outro ponto que as pessoas confundem é o tom da obra. Não se trata de uma denúncia direta como em O Cortiço, de Aluísio Azevedo. Lima Barreto usa a ironia de forma fina. Ele mostra, por exemplo, a cena em que Policarpo oferece um prato de arroz com feijão ao general para provar que a comida brasileira é superior à estrangeira. O general come e depois diz que o prato era "comestível". Essa cena resume todo o romantismo patético do protagonista: ele tenta provar o valor do Brasil com coisas banais, como comida e língua, enquanto as estruturas de poder continuam intactas.
Um problema comum ao ler a obra é achar que Policarpo é um tolo completo. Ele não é. Ele é um homem competente em sua área militar, mas completamente alheio aos mecanismos reais do poder. Quando eu revisei a obra com alunos de literatura, vários diziam que o personagem merecia um final melhor. A resposta é que o final é inevitável. Policarpo só poderia morrer assim, porque morrer idealista num país que não valoriza idealistas é o destino dele desde a primeira página. Outra nuance importante: Lima Barreto era negro e escreveu esta obra sendo plenamente ciente das contradições raciais e sociais do Brasil. Policarpo Quaresma não é um protagonista qualquer. Ele representa uma camada da sociedade brasileira que, apesar de bem-intencionada, não consegue enxergar as desigualdades estruturais. O fato de Lima Barreto ter sido marginalizado pela academia literária da época torna a leitura da obra ainda mais relevante.
O romance foi praticamente esquecido por décadas e só foi ressuscitado a partir dos anos 1950, com o interesse renovado pela literatura modernista. Antes disso, Lima Barreto era muitas vezes lido apenas como cronista do Jornal do Brasil, e não como romancista. Se você estiver estudando a obra para uma prova ou trabalho acadêmico, preste atenção na diferença entre o patriotismo de Policarpo e o patriotismo crítico de Lima Barreto. Um é ingênuo. O outro é dolorosamente consciente. Essa distinção é o que separa uma leitura superficial de uma leitura proveitosa.
A obra também se conecta com O Cortiço e Estrela Manhã, ambos de Lima Barreto. Em todos os três livros, há uma crítica à hipocrisia social, mas cada um aborda o problema de ângulos diferentes. Policarpo Quaresma é o único que foca especificamente na questão nacionalista. Não existe uma versão gratuita e legal do livro na internet que valha a pena recomendar. Edições mais acessíveis são as da Companhia das Letras e da Martin Claret. Ambas têm boas introduções que ajudam a contextualizar a obra.