Como funciona o tira ar da tubulação na prática
A maioria dos sistemas hidráulicos e de aquecimento central trava porque o ar fica preso nos pontos mais altos ou em trechos mal inclinados. O dispositivo que resolve isso é o tira ar da tubulação, e instalar ele direito economiza visita técnica recorrente. Em resumo, é um acessório montado nos pontos mais altos da onde o ar tende a se acumular, permitindo que esse gás seja eliminado automaticamente ou manualmente, de acordo com o modelo. O princípio é simples. A densidade do ar é muito menor que a da água, então ele sempre sobe. Quando você tem um ramal com uma elevação, o ar vai parar lá. Se não tiver sada para escapar, a bomba trabalha empurrando uma mistura gasosa, o que reduz vazão, gera ruído, enfim, cavitação disfarçada. O extrator de ar captura essa bolha e a lança para fora do sistema ou de volta para o reservatório de expansão, dependendo do projeto.
Como fazer tira ar da tubulação corretamente
Antes de vender qualquer coisa, faça um mapeamento. Percorra toda a rede e identifique os pontos altos, especialmente em coletores e ramais que sobem para pisos superiores. Se o projeto já tem elevações identificadas no traçado, ótimo. Se não tiver, suba até o telhado ou laje e veja onde os tubos alcançam cotas maiores. Ali é onde o ar vai acumular. A instalação varia conforme o tipo de extrator. Existem os manuais, que precisam ser abertos periodicamente, e os automáticos, que possuem uma flutuador interno fechado por uma borraacha. No manual, você gira a tampa com uma chave de fenda ou a própria alavanca até ouvir o escape. No automático, o flutuador desce conforme a água sobe no corpo do extrator e abre a passagem para o ar sair. Quando o nível de água cai, o flutuador sobe e veda novamente. É tudo mecânico, sem eletrônico.
O que muita gente erra é o local de montagem. Colocar um extrator automático em trecho horizontal nivelado não funciona bem, porque o ar tende a ficar retido em bolsões. O ideal é montar o dispositivo na posição vertical, com o corpo do extrator apontando para cima, para que o flutuador possa subir e descer livremente. Se montar deitado, o flutuador travará e o escape não ocorrerá. Também se deve prever um ramal de conexão com um registro de esfera logo abaixo do extrator. Isso permite a troca do dispositivo sem drenar toda a rede. Eu já vi gente soldar o extrator direto no tubo, sem registro, e depois ter que cortar o tubo inteiro só para trocar uma borrachinha gasta. Não faça isso.
Para sistemas de aquecimento com caldeira, o tira ar da tubulação geralmente é acoplado no retorno, antes da entrada da caldeira, ou em um separador de ar e calor dedicado. Nesses casos, o equipamento precisa suportar temperaturas mais altas. Use sempre modelos especificados para a faixa térmica do seu circuito. Um extrator de água gelada pode amassar ou deformar se aplicado em circuito de aquecimento a 90 graus. Um detalhe que passa despercebido: a altura de montagem. O extrator deve ficar acima do nível da água no ponto mais alto do circuito. Se ele estiver abaixo, o ar escapa pela gravidade sozinho e o dispositivo vira um simples bujão. Aí você gastou dinheiro com algo que não cumpre função alguma.
Quanto ao diâmetro, siga a recomendação do fabricante, mas em linhas gerais, para residenciais de até quatro banheiros, um extrator de meia polegada geralmente resolve. Para prédios maiores, considere extratores de três quartos ou inch, e avalie o uso de separadores de ar com maior capacidade de captura. O processo de evacuação inicial da rede também merece atenção. Antes de colocar o extrator para funcionar, encha o sistema devagar, abrindo os pontos de escape manualmente para deixar o ar sair. Feche cada ponto quando a água começar a jorrar sem bolhas. Só então deixe os automáticos agirem. Se pular essa etapa, o extrator automático vai trabalhar exaustivamente nos primeiros dias, talvez até vazar, porque o volume de ar residual é maior do que o projetado para ele lidar continuamente.
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Uma situação real que eu enfrentei: num sistema de aquecimento predial em São Paulo, os residentes reclamavam de radiação frias no terceiro andar. A instalação tinha extratores automáticos em todos os pontos altos. Nada resolvia. Achei o problema ao verificar que os extratores estavam montados na horizontal, deitados no próprio coletor. O flutuador estava travado contra a parede do tubo e não conseguia subir. Troquei a montagem para vertical, instalei um registro de esfera em cada ponto e o sistema entrou em equilíbrio em duas horas. Antes disso, passei um dia inteiro tentando entender o que havia de errado no circuito. Outro ponto que merece ser dito: o tira ar da tubulação não resolve vazamento. Se há perda de água visível no sistema, nenhum extrator vai resolver. Ele apenas trata de ar aprisionado. Confundir os dois problemas já vi muita gente chamar técnico, trocar extrator, reinflar pressão e o vazamento continuar. Quando a pressão cai sozinha, prima por investigar vazamento primeiro, depois pense em ar.
Manutenção preventiva é básica. A cada seis meses, verifique se os extratores automáticos estão expulsando ar de forma contínua ou esporádica. Se estiver expulsaendo ar constantemente, pode indicar que há entrada de ar por algum ponto da instalação mal selado, como uma válvula de expansão ressecada ou uma junta que precisa de vedação. Se não expulsar nada e o sistema apresentar ruído, o flutuador pode estar grudado por incrustação. Nesse caso, limpe ou substitua o conjunto. Para quem busca um guia prático com ilustrações passo a passo de instalação, o conteúdo completo sobre tira ar da tubulação com diagrams e tabelas de dimensionamento está disponível para download no link abaixo. O material cobre desde a identificação dos pontos altos até o ajuste de pressão no reservatório de expansão, que é tão importante quanto o extrator em si.
Download do guia completo de instalação Há alternativas quando o extrator convencional não basta. Em sistemas muito extensos, com muitos ramais e variações de cota, o separador de ar e calor é mais adequado. Ele é um vaso de maior porte que funciona como câmara de despressurização, permitindo que o ar se separe da água por diferença de densidade e seja evaculado por um extrator automático de maior fluxo. O custo é mais elevado, mas em edificações comerciais o investimento se justifica pela redução de manutenção corretiva.
Também existe a opção de usar válvulas de ar automática com corpo em latão cromado ou inox, em vez de polímero. Em ambientes com maior incidência de produtos químicos ou cloro, como piscinas e espaços de lazer, o polímero pode degradar mais rápido. O metal resiste melhor, embora tenha preço maior. Se o seu sistema é aberto, com reservatório de expansão no topo da edificação, o tira ar da tubulação muitas vezes não é necessário. O próprio reservatório funciona como ponto de escape natural. Nesses casos, o que se faz é garantir que o reservatório tenha ventilação adequada e que o nível de água seja mantido corretamente. Colocar extrator em sistema aberto é, na maioria das vezes, redundância.
O dimensionamento do extrator também depende do volume total de ar que o sistema pode liberar. Para circuitos pequenos, um extrator de meia polegada com orifício de escape de dois milímetros resolve. Para circuitos grandes, o orifício precisa ser maior para não criar gargalo. Se o orifício for pequeno demais, o ar sai devagar, a pressão se equaliza lentamente e o sistema continua com problemas de ruído mesmo tendo o extrator instalado. Verifique a taxa de fluxo de ar do fabricante antes de fechar a especificação. Por fim, lembre-se de que o correto funcionamento do sistema depende de vários fatores combinados. Pressão adequada no reservatório de expansão, válvula de segurança funcionando, bomba dimensionada corretamente e extratores bem posicionados. Isolar apenas um desses elementos e cobrar solução dele é erro comum. O sistema é um todo, e o tira ar é apenas uma peça, albeit importante, desse conjunto.