Tipos De Drenos Abdominais - Tipos De Drenos Abdominais - RETOEDU
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O que você precisa saber sobre drenos abdominais na prática

Quando você está no plantão e o paciente tem um dreno abdominal colocado, a coisa mais importante não é decorar todos os modelos existentes, mas saber qual você tem na mão e para que ele serve de verdade. A maioria dos residentes começa estudando catálogo de fornecedores, o que ajuda pouco quando o dreno vaza às 3 da manhã e você precisa decidir se troca ou não. Existem basicamente três categorias que vão aparecer na sua rotina cirúrgica: os drenos passivos, os ativos com sucção e os drenos de lavagem contínua. Dentro de cada categoria há variações de material, calibre e design que fazem diferença real, não teórica.

Tipos de drenos abdominais: a divisão que importa no dia a dia

Os drenos passivos são aqueles que funcionam por gravidade. O dreno de Penrose é o exemplo mais simples, uma tira de borracha ou silicone que permite o escoamento do acúmulo por diferença de nível. Nada de sucção envolvida. Ele é barato, descartável em muitos casos, e você o vê mais em cirurgias onde há suspeita de contaminação ou necessidade de drenagem superficial. O problema é que o fluxo é imprevisível. Se o paciente rolar ou o dreno se deslocar, a drenagem para. Eu já vi um Penrose entupir porque o líquido coagulado fez trombos na luz do dreno e não tinha como saber sem inspecionar visualmente a cada duas horas. Nesse caso, a solução foi fazer lavagem gentle com soro fisiológico usando uma seringa de 20 mL eula 5, mas só conseguiu restabelecer o fluxo depois de reposicionar o dreno manualmente sob visualização direta, o que exigiu retorno ao centro cirúrgico. Os drenos ativos com sucção incluem os tipos Jackson-Pratt e Hemovac. O Jackson-Pratt é aquele dreno conectado a um reservatório de silicone que, quando comprimido e fechado, cria vácuo progressivo. Funciona bem para colecções profundas, como após colecistectomia ou cirurgia bariátrica. O Hemovac é similar em princípio mas usa um reservatório rígido com válvula de pressão controlada. A diferença prática entre os dois é que o JP permite maior flexibilidade de posicionamento porque o tubo é mais fino e maleável, enquanto o Hemovac tem maior diâmetro de dreno mas o reservatório é mais volumoso e menos prático para pacientes que precisam se locomover logo após a cirurgia.

O dreno de lavagem contínua é usado em situações específicas, principalmente após pancreatectomia ou transplante hepático, onde há risco de fuga de suco pancreático ou bile. O princípio é diferente: em vez de apenas drenar, você infunde soro fisiológico continuamente através do dreno e permite que o líquido escoe por outro ponto, lavando a região. A taxa de infusão varia de 500 mL a 2 litros por dia, dependendo do volume de secreção. O controle é crucial, porque se a taxa de infusão superar a de drenagem, você cria distensão da cavidade e piora o quadro. Já tive um paciente em que a equipe de enfermagem ajustou a bomba de infusão para 100 mL/hora sem verificar o volume de saída, e em quatro horas o abdômen estava distendido. A correção foi reduzir para 30 mL/hora e colocar uma sonda de Nagal para decompressão gástrica concomitante. Os drenos de silicone de silicone liso versus os de poliuretano com rigidez diferenciada também merecem atenção. O silicone é mais biocompatível mas mais propenso a colapso se a sucção for muito alta. O poliuretano mantém a luz aberta melhor mas pode causar mais reação tecidual local. Na prática, para drenos deixados por mais de cinco a sete dias, o silicone é geralmente preferível porque reduz o risco de fístula de comunicação com o tecido adjacente.

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Como escolher na hora certa

A escolha do dreno ideal depende de três variáveis: o tipo de cirurgia realizada, o volume esperado de secreção e o tempo previsto de permanência. Se a cirurgia foi limpa e o sangramento esperado é baixo, um dreno passivo ou um JP de pequeno calibre resolve. Se há risco de contenção biliar ou pancreática, vá de dreno ativo de maior calibre ou lavagem contínua. Um erro comum é colocar dreno em cirurgia onde não há indicação real. Dados da literatura mostram que a colocação profilática de dreno em colecistectomia laparoscópica de rotina não reduz complicações e aumenta o tempo de internação em média 1,5 dia. O mesmo vale para gastroplastias em pacientes sem comorbidades significativas. O dreno vira um foco de infecção e um incômodo para o paciente, não um benefício.

Outro ponto que poucos consideram é o local de inserção. Um dreno colocado muito lateralmente tende a fazer túnel subcutâneo e drenar mal o conteúdo da cavidade. O ideal é que o trajeto seja o mais curto possível entre a coleção e a pele, e que o dreno atravesse a parede abdominal por uma trajetória direta. Quando o dreno precisa percorrer uma longa distância subcutânea antes de chegar à cavidade, a obstrução por aderência de omento é questão de tempo, não de probabilidade. A fixação também é subestimada. O dreno precisa ser fixado na pele com fio não absorvível, Preferencialmente nylon 3-0 ou 4-0, em ponto de garatoinha. Fio absorvível desfaz antes da adesão tecidual ao redor do dreno se formar, e o dreno migra. Migração de dreno é uma das causas mais comuns de collections residuais pós-operatórias que acabam precisando de drenagem percutânea ultrassonográfica ou retorno cirúrgico.

Monitoramento e remoção

O acompanhamento do dreno não é apenas anotar o volume diário. Você precisa observar a cor, a consistência e o odor. Um líquido serossanguíneo que se torna purulento indica infecção. Um líquido greenish pode sugerir fuite biliar. Um líquido turvo com partículas de alimento é sinal de fístula enterica e pede avaliação imediata com estudo de imagem e possivelmente endoscopia. O momento da remoção segue critérios objetivos, não arbitrários. Volume abaixo de 30 mL em 24 horas, sem sinais de infecção, cor normal do líquido e ausência de fístula clinicamente evidente são os critérios mais aceitos. Remover antes disso é arriscado. Deixar além do necessário também é, porque o dreno é uma via de comunicação entre o exterior e a cavidade abdominal, e cada dia adicional aumenta o risco de infecção ascendente em aproximadamente 3 a 5 por cento segundo séries cirúrgicas.

Quando o dreno é removido, a ferida de punção de entrada deve ser analisada. Se houver saída de líquido pela trajetória após a retirada, isso indica que a coleção ainda nãoresolveu e pode ser necessário reposicionar o dreno ou realizar drenagem imagiológica. Esse cenário é mais comum quando o dreno permaneceu por mais de dez dias e o túnel de inserção já está completamente epitelizado ao redor do dispositivo.