Como explicar there are or there is para falantes de português
O problema começa no primeiro dia de aula. Todo mundo que já lecionou português para estrangeiros já viu o mesmo erro repetido: o aluno traduindo literalmente "there is" como "ter é" ou simplesmente usando o verbo "ter" quando deveria usar o "haver" impessoal. Eu tive esse conflito na prática quando um aluno brasileiro começou a dizer "eu tenho uma reunião amanhã" como tradução direta de "I have a meeting" e eu precisei corrigir porque, em português, a estrutura muda completamente dependendo do contexto. A diferença entre "there is" e "there are" em inglês não tem equivalente direto no português. Nós temos o verbo "haver" no sentido impessoal, que só existe na terceira pessoa do singular, e aí a coisa já complica porque quase ninguém usa "haver" na fala cotidiana. A maior parte dos brasileiros resolve usando o verbo "ter" como impessoal, o que os gramáticos tradicionais odeiam, mas que funciona na prática. Quando você explica isso para um falante de inglês, a primeira coisa que precisa deixar claro é que "there" em "there is" não é o advérbio de lugar. É um elemento expletivo, uma partícula sem significado real que só serve para preencher a posição de sujeito na estrutura inglesa.
When there are or there is plural vs singular
O funcionamento é simples na teoria: "there is" para singular e incontáveis, "there are" para plural. Na prática, os problemas aparecem logo em seguida. Um estudante brasileiro ouve "there is a lot of people" e fica confuso porque "people" é plural, mas o verbo está no singular. A regra aqui é que "a lot of" puxa o verbo para o número do substantivo que vem depois, então nessa frase o correto seria "there are a lot of people". O mesmo vale para expressões como "half of", "most of", "some of" — o verbo concorda com o substantivo subsequente, não com o quantificador. O que muita gente não sabe é que na fala informal americana "there's" virou padrão até antes de substantivos plurais. Você vai ouvir "there's two books on the table" o tempo todo. Isso é aceitável no registros coloquiais, mas em contextos formais ou em provas de proficiência ainda se espera a concordância estrita. A questão é que os materiais didáticos mais antigos muitas vezes não mencionam essa variação, e o aluno chega na vida real e se perde.
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Aqui vai um caso que eu encontrei recentemente e que ilustra bem a dificuldade. Um aluno meu estava escrevendo um e-mail profissional e escreveu "there is many options available". A correção imediata seria trocar para "there are many options available", mas o que eu percebi é que ele estava pensando na estrutura portuguesa "há muitas opções disponíveis", onde o verbo "haver" no sentido impessoal realmente não varia — fica sempre na terceira pessoa do singular independentemente do que vem depois. A transferência da L1 para a L2 estava gerando erro sistemático. A solução que eu usei foi pedir para ele substituir mentalmente "there is/are" por "exists/exist" na cabeça, o que ajuda a perceber a concordância porque "exists" só funciona no singular e "exist" no plural. Não é uma regra gramatical real, mas é um recurso mnemônico que funciona na hora da produção. Outro ponto que os livros didáticos tratam de forma insuficiente é a diferença entre "there is" e "it is". Ambos se referem a algo, mas "it is" identifica ou descreve um sujeito específico, enquanto "there is" anuncia a existência de algo. "It is a beautiful day" não é a mesma coisa que "there is a beautiful day somewhere". Confundir esses dois é um erro recorrente que aparece desde o nível iniciante e tende a persistir porque a distinção é sutil e depende do contexto pragmático, não de uma regra mecânica.
A negativa também merece atenção. "There isn't" e "there aren't" seguem a lógica esperada, mas os contraídos na fala rápida ("there'sn't" não existe, mas "there's no..." sim) criam confusão. "There's no reason" é perfeitamente natural e funciona tanto para singular quanto para plural em registros informais. Já a forma interrogativa, "is there?" / "are there?", costuma ser mais tranquila para os estudantes brasileiros porque espelha a inversão sujeito-verbo que acontece nos perguntas com "tem" no português coloquial. Se você está estudando isso de forma autônoma, o exercício mais útil que eu recomendo é ouvir nativos falarem e prestar atenção em quantas vezes "there's" aparece antes de plurais.grave