Como usar tabelas de conectivos para redação na prática
A maioria dos estudantes enfrenta o mesmo problema: sabe que precisa usar conectivos, mas quando vai escrever, repete os mesmos cinco ou seis throughout toda a prova. O resultado é um texto monótono, com parágrafos que parecem idênticos na estrutura. Tabelas de conectivos para redação existem justamente para resolver isso, mas o uso correto exige mais do que apenas consultar uma lista. Primeiro, entenda a lógica por trás dos conectivos. Eles não são sinônimos intercambáveis. Um conectivo de adição não substitui um de oposição, por mais que ambos possam aparecer no mesmo período. A função sintática e argumentativa é diferente. Quando você junta duas ideias com porém, está criando uma tensão entre elas. Com e, está somando. São operações lógicas distintas.
Minha primeira experiência prática com tabelas foi em 2019, corrigindo redações de um cursinho pré-vestibular. Notei que candidatos estavam usando contudo no lugar de entretanto sem distinção real, e ao mesmo tempo ignoravam conectivos como não obstante ou impregnado de, simplesmente porque não conheciam o repertório. A tabela que montei na época tinha quatro colunas: classe gramatical, função argumentativa, nível de formalidade e frequência em provas. A partir daí, os alunos começaram a variar mais, mas ainda cometiam erros grosseiros de coesão. O que eu aprendi e recomendo: não decore a tabela inteira de uma vez. Escolha um grupo de cada vez. Comece com os conectivos de adição e adversidade. Domine dez de cada. Depois avance para causa e consequência. Esse ritmo costuma ser suficiente para cobrir 70% dos casos em redações do ENEM e de vestibulares tradicionais. O resto vem com leitura.
Tabelas de conectivos para redação: estrutura prática
Aqui vai uma tabela simplificada que funciona para a maioria das situações. Não é exaustiva, mas cobre o essencial. Adição: e, além disso, ademais, não só... como também, bem como, outrossim, assim como, assim como também.
Adversidade: mas, porém, contudo, entretanto, no entanto, todavia, não obstante, ainda assim, embora, conquanto, se bem que, mesmo que. Causa: porque, pois, já que, visto que, uma vez que, na medida em que, porquanto.
Consequência: logo, portanto, assim, desse modo, dessa forma, por conseguinte, de modo que, de maneira que. Conclusão: assim, por isso, então, logo, desse modo, pelo que, em suma, em resumo.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Exemplificação: por exemplo, como, isto é, a saber, nomeadamente, especialmente. Comparação: assim como, bem como, tal qual, do mesmo modo que, da mesma forma que.
Propósito: a fim de que, para que, de modo que, com o objetivo de que. Esses são os que aparecem com mais frequência. O perigo é achar que dominar essa lista já basta. Na prática, não basta.
O erro mais comum e como evitá-lo
O problema que eu vejo repetidamente é o uso de conectivos de forma mecânica, sem considerar o fluxo argumentativo do texto. Colocar portanto no início de qualquer parágrafo que encerra uma ideia é um erro. O portanto precisa ter uma precedência lógica clara: antes dele, deve haver uma premissa que justifique a conclusão que segue. Sem essa relação, o conectivo vira enfeite, não ferramenta. Um detalhe que poucos levam em conta: conectivos de causa e consequência são perigosos quando usados em excesso no mesmo texto. Um redator que escreve três parágrafos seguidos com porque e portanto parece estar empurrando o leitor sem pausa. A solução é alternar com conectivos de adição e exemplificação nos parágrafos intermediários, reservando os de conclusão apenas para o fechamento de cada sequência argumentativa.
Outra pegadinha: embora exige concordância verbal específica. Embora ele estudasse muito, não passou — o verbo fica no subjuntivo porque a ideia é de concessão hipotética. Já mas é neutro. O erro comum é tratar os dois como equivalentes, o que quebra a coesão e pode custar pontos na competência de estruturação.
Limitações e o que a tabela não resolve
A verdade é que tabelas de conectivos para redação têm um limite claro: elas ajudam na coesão superficial, mas não resolvem problemas de coerência interna. Um texto pode usar todos os conectivos corretos e ainda assim ser incoerente se as ideias não se sustentarem logicamente. Isso acontece frequentemente em redações que decoram estruturas prontas sem compreender o raciocínio por trás delas. Se você está começando agora, recomendo complementar o uso da tabela com leitura crítica de editoriais e artigos de opinião. Observe como os conectivos são usados em contextos reais, não apenas em modelos prontos. A variação natural que você vê em bons textos jornalísticos é mais valiosa do que qualquer lista decoreba.
Também é importante notar que o nível de formalidade varia conforme o concurso ou prova. O ENEM aceita mas e porém sem distinção grave. Já bancas mais tradicionais, como Fuvest ou Unesp, podem cobrar uso mais refinado, incluindo conquanto e não obstante. Verifique o perfil da prova antes de montar seu repertório.