Ser Humano É Onivoro - Afinal, o Ser Humano é Carnívoro, Onívoro ou Herbívoro? - Karla Santone
Afinal, o Ser Humano é Carnívoro, Onívoro ou Herbívoro? - Karla Santone

Se você já se perguntou o que comer, a resposta começa com uma verdade simples que ninguém te ensina de forma útil

A ciência confirma: ser humano é onivoro

O corpo humano precisa de nutrientes que existem predominantemente em alimentos de origem animal. A vitamina B12 não é produzida por plantas. O ferro heme, com absorção cerca de quatro vezes maior que o ferro não-heme das folhas verdes, só aparece em carne. O DHA, o ácido graxo mais importante para o cérebro, vem quase inteiramente de peixes e frutos do mar. Esses fatos são básicos em qualquer curso de nutrição, mas na prática as pessoas simplesmente esquecem quando montam o prato. No consultório eu vejo todo dia gente tentando montar dieta baseada só em plantas sem ter feito o cálculo básico de absorção. O resultado é sempre o mesmo: cansaço, queda de cabelo, lábio rachado nos cantos por deficiência de B2. Eu costumo pedir exames de B12 sérica e ferritina antes de sugerir qualquer mudança alimentar significativa porque, honestamente, metade das pessoas não tem ideia do que está acontecendo no sangue.

Como montar uma alimentação onívora sem complicar

Comece pelo básico que a maioria das pessoas ignora. Proteína em todas as refeições, variando fontes. Carne vermelha duas ou três vezes por semana. Peixe sempre que possível. Ovos. Fígado, pelo menos uma vez por mês. Não precisa ser gourmet nem caro — frango, ovo, sardinha enlatada e fígado de boi são alguns dos itens mais baratos e nutritivos que existem. Legumes e verduras não são opcionais. A fibra alimenta o microbioma, os fitoquímicos têm função anti-inflamatória comprovada. Mas aqui vai algo que quem faz dieta vegetariana geralmente não considera: a fibra vegetal em excesso pode prejudicar a absorção de minerais como zinco e ferro. Se você come muita salada e não sente diferença na energia, provavelmente está consumindo fibras demais e proteínas de muito baixo teor. Ajuste a proporção.

Dica prática: segurança alimentar para quem come carne crua ou mal passada

Um dos problemas que eu enfrentei de forma recorrente foi com clientes que começaram a comer ovos caipira e carne moída artesanal sem tratar a questão bacteriana. Um caso específico: um paciente que passou a comer salmão marinado em casa e desenvolveu anisakíase. O problema é que o congelamento doméstico não mata parasitas. Para carne de peixe cru, o congelamento profissional a -20°C por pelo menos 7 dias é o padrão seguro. Para carne bovina moída, o ideal é garantir a procedência e cozinhar bem. Carne inteira de boi pode ser consumida mal passada porque as bactérias ficam na superfície, não no interior do músculo.

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O que acontece quando você tenta ser onívoro de verdade

A primeira mudança que a maioria nota é energia estável. Sem os picos de insulina que vêm de dietas low-carb mal estruturadas, a fome fica mais previsível. Pessoas relatam concentração melhor após três ou quatro semanas de adaptação. Isso não é mágica, é simplesmente o corpo funcionando com todos os micronutrientes necessários. O menor ponto cego: muitas pessoas acham que comer de tudo significa comer qualquer coisa. Isso não é onivoria, é desorganização. Ter carne, ovo, peixe, legumes, frutas, tubérculos e gordura boa no dia a dia não significa incluir processados industriais. A diferença entre uma dieta onívora equilibrada e uma dieta ocidental padrão é abismal em termos de marcadores inflamatórios e composição corporal. O problema real não é a onivoria, é o excesso de óleos vegetais processados, farinhas refinadas e aditivos que acompanham a comida industrializada.

Suplementação: quando ela faz sentido e quando não faz

A suplementação de B12 é recomendável para qualquer pessoa que reduziu ou eliminou carne animal da dieta. Uma vez por semana, 2.500 mcg de cianocobalamina via sublingual ou oral, resolve. O custo é irrisório. Suplementar ferro sem indicação médica é arriscado porque o excesso se acumula nos órgãos. Se você come carne vermelha regularmente, provavelmente não precisa de suplemento de ferro. Ômega-3 pode fazer sentido se você não consegue consumir peixes gordurosos pelo menos três vezes por semana. DHA é o composto que importa, não apenas EPA. Um óleo de peixe com proporção adequada de DHA é melhor que um suplemento genérico de ômega-3 vendido em farmácia. A dose recomendada varia, mas algo em torno de 1g de EPA+DHA combinados por dia é razoável para a maioria das pessoas.

Quando a abordagem onívora não funciona para você

Algumas condições médicas tornam a carne problemática. Doença renal crônica avançada exige restrição proteica. Gota frequentemente piora com carne vermelha e fígado. Doenças autoimunes como lúpus podem ter surtos desencadeados por certos alimentos, embora isso seja altamente individual. Se você tem alguma dessas condições, o caminho não é abandonar a onivoria completamente, mas ajustar as proporções e as fontes de proteína sob acompanhamento profissional. O que eu mais vejo sendo negligenciado é a questão dos anti-nutrientes. Feijão, lentilha e grãos integrais são nutritivos, mas contêm fitatos que bloqueiam absorção de minerais. O remendo simples é deixar o grão de molho por 12 horas antes de cozinhar ou optar por versões fermentadas, como o pão de fermentação natural. A diferença na digestão é perceptível logo na primeira semana.