Regência Nominal Exercícios Com Gabarito - Exercícios de Regência Nominal com Gabarito | PDF | Preposição e ...
Exercícios de Regência Nominal com Gabarito | PDF | Preposição e ...

O que é regência nominal e por que todo mundo erra

Regência nominal trata da relação entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e a preposição que o rege. A questão prática é simples: cada palavra nomeia exige uma preposição específica, e essa exigência varia conforme o registro, a variante do português e o tempo. Gramáticas tradicionais listam centenas dessas combinações. A realidade é que grande parte delas não aparece mais no uso corrente, e muitas variantem entre "a", "de", "em" ou "com" dependendo da região ou do nível de formalidade.

O problema comum não é a teoria. O problema é que exercícios de vestibular e concurseiros insistem em cobrar preposições que a norma culta escrita recomenda, mas que a fala cotidiana já descartou. Quando você vê "próximo a" sendo marcado como correto enquanto "próximo de" é considerado errado, não está diante de um erro linguístico — está diante de uma norma prescritiva que não corresponde mais ao português brasileiro padrão em muitos contextos. A coisa fica mais complicada quando a banca cobra uma regência que a própria gramática de referência já sinaliza como variante aceitável.

Como estudar regência nominal exercícios com gabarito de verdade

A estratégia que funciona melhor é montar um banco próprio de itens, separando-os por padrão de cobrança: itens de gramática normativa clássica, itens de variação regional e itens com múltiplas aceitações. O gabarito precisa indicar qual a forma prescrita, qual a forma variante e se há consenso entre gramáticos. Sem essa camada extra, o estudante acaba memorizando uma lista plana e erra quando a banca cobra uma variante que ele não conhecia. Comece pelo essencial. Aqui vão os pares mais cobrados, com a forma normativa e a variante mais frequente:

Adjektive mais frequentes: "acessível a" (norma) / "acessível para" (variante aceita); "afim de" (norma) / "afim com" (raro); "alheio a" (norma) / "alheio de" (raro); "análogo a" (norma) / "análogo a/para" (variante); "apto a" (norma) / "apto para" (variante comum); "ávido de" (norma) / "ávido por" (variante); "atento a" (norma); "bastante de" (em sentido de abundância); "capaz de" / "capaz para" (dependendo do contexto); "comprometido com" (norma); "consciente de" (norma); "contíguo a" (norma); "correlato a" (norma); "dedicado a" / "dedicado ao trabalho" (norma); "desejoso de" (norma); "equivalente a" (norma); "exato em" (norma); "favorável a" (norma); "fidel a" (norma); "habitual em" (norma); "idêntico a" (norma); "imediatamente após" (advérbio de tempo); "imposto a" (norma); "inicial em" (norma); "inimigo a" (variante regional); "ligado a" / "ligado ao" (norma); "necessário a" (norma); "obediente a" (norma) / "obedecer a" (regência verbal correlata); "paralelo a" (norma); "próximo a" (norma) / "próximo de" (variante brasileira muito comum); "semelhante a" (norma); "superior a" (norma); "ultra" como prefixo invariável. Substantivos mais frequentes: "acesso a"; "admiração por" / "admiração a" (ambos atestados); "ameaça a" / "ameaça contra" (variante); "ânimo para" / "ânimo a" (depende do sentido); "avareza de" (norma); "capacidade de" / "capacidade para" (norma e variante); "causa de" (norma); "concurso a" (em sentido de participação); "dependência de" (norma); "dificuldade em" (norma) / "dificuldade com" (variante); "escolha entre" (norma); "essência de" (norma); "exigência de" (norma); "fé em" (norma); "gostou de" (regência verbal correlata); "medição de" (norma); "noção de" (norma); "obediência a" (norma); "origem de" (norma); "preferência por" / "preferência a" (norma e variante); "relação com" (norma); "respeito a" / "respeito por" (ambos normativos); "simpatia por" / "simpatia para com" (norma e variante). Nota: muitos desses substantivos compartilham a mesma preposição do adjetivo correspondente, então o estudo conjunto economiza tempo.

Um detalhe que quase ninguém explica direito

A maior pegadinha em provas não está nas preposições em si, mas na distinção entre regência nominal e regência verbal. Estudantes frequentemente confundem o padrão do substantivo com o padrão do verbo correlato. "Obediência a" (nominal) versus "obedecer a" (verbal) — ambos exigem "a", mas isso é coincidência estrutural, não regra unificada. Já "impessoalidade de" (substantivo) não tem correspondência verbal direta, então cair na armadilha de aplicar a regência do verbo "impessoalizar" é um erro típico que elimina candidatos. Outra armadilha recorrente envolve palavras que mudam de regência conforme o sentido. "Fim" pode reger "de" (propósito: "fim da corrupção") ou "em" (localização: "fim da linha"). "Meio" como substantivo pede "de" ("meio de transporte"), mas como advérbio não rege preposição ("meio quebrado"). Bancas adoram itens assim porque exigem análise contextual, não decoreba. A melhor saída é sempre verificar o papel sintático da palavra no enunciado antes de marcar a preposição.

Existe ainda um fenômeno menos divulgado: a influência do advérbio "bem" e "mal" na regência nominal. "Bem preparado para" é amplamente aceito, mas a norma clássica aponta "bem preparado para" como variante do adjetivo "preparado para". A questão é que muitas gramáticas mais antigas tratam isso como erro, enquanto variedades contemporâneas consideram natural. Se a prova for de banca tradicional (como FGV antiga ou CESPE em certos anos), siga a norma clássica. Se for banca mais recente, considere a variante.

Regência nominal exercícios com gabarito comentado

Abaixo estão exercícios elaborados com base em padrões observados em provas reais. Cada item traz a forma prescrita e a justificativa. O gabarito considera a norma culta padrão brasileira vigente, com notas sobre variantes quando aplicável. Questão 1 — Assinale a alternativa em que o adjetivo está corretamente regido segundo a norma culta padrão.

a) A norma era acessível para todos. b) Ele era apto a comandar a equipe.

c) Os dois temas são análogos para a disciplina. d) Ela é capaz a resolver o impasse.

e) O material é idêntico com o anterior. Gabarito: B. "Apto a" é a forma normativa. "Acessível para" é variante comum no Brasil, mas a norma clássica prefere "a". "Análogo para" e "idêntico com" são formas inadequadas pela norma padrão. "Capaz a" está errado; o correto é "capaz de".

Questão 2 — Quanto à regência nominal, assinle a alternativa incorreta segundo a norma culta. a) Havia profunda semelhança entre os documentos.

b) Mostrou aversão a críticas construtivas. c) A obediência a regras é fundamental.

d) Existe correlação entre as variáveis. e) Ele tinha medo de (erro intencional disfarçado).

Gabarito: E. A estrutura mista é incompatível com o português padrão e constitui erro de regência por inserção lexical inadequada. As demais estão corretas: "semelhança entre", "aversão a", "obediência a" e "correlação entre" seguem a norma culta. Questão 3 — Sobre a regência do substantivo "próximo", assinle a alternativa que melhor reflete o uso normativo e variacional.

a) Apenas "próximo a" é aceitável em qualquer registro. b) "Próximo de" é sempre considerado erro grave.

c) "Próximo a" é a forma prescrita; "próximo de" é variante amplamente usada no Brasil. d) "Próximo com" é a forma mais recomendada por gramáticos contemporâneos.

e) "Próximo" não rege preposição. Gabarito: C. A norma culta tradicional prescreve "próximo a". No português brasileiro contemporâneo, "próximo de" é frequente e aceito em muitos contextos, mas provas tradicionais ainda cobram "a". Evite "próximo com".

Questão 4 — Indique a sequência correta para: (I) "Simpatia ___ colegas novos." (II) "Respeito ___ autoridades." (III) "Preferência ___ frutos vermelhos." a) a / a / por

b) por / a / por c) de / a / para

d) a / por / a e) para / a / por

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Gabarito: B. "Simpatia por" (norma); "respeito a" (norma — observe que "respeito por" também é atestado, mas a prova provavelmente cobra "a"); "preferência por" (norma clássica, embora "preferência a" seja variante). O.item II pode gerar disputa entre bancas, mas "respeito a" é o padrão mais seguro em provas objetivas. Questão 5 — Assinale a alternativa em que o par nome-preposição está incorreto.

a) Inimigo — a b) Vizinhança — de

p(c) Adjacente — a d) Propício — a

e) Contíguo — a Gabarito: B. "Vizinhança" não constitui regência nominal fixa no padrão normativo; a forma usual seria tratar "vizinhança" como substantivo de sentido amplo sem regência preposicional obrigatória. As demais estão corretas: "inimigo a" (norma), "adjacente a" (norma), "propício a" (norma), "contíguo a" (norma). Observação: "inimigo a" é pouco frequente no uso cotidiano brasileiro, mas é prescrito em gramáticas de referência.

Questão 6 — Em qual alternativa a preposição exigida pelo substantivo destacado está errada? a) A dependência dos pais é natural na infância.

b) Havia aversão ao projeto. A obediência às normas é obrigatória.

d) Ele demonstrou medo de responsabilità. e) Existe relação com os fatos.

Gabarito: B. "Aversão" rege "a", e não "ao" (contração de a + o). A forma correta seria "aversão ao projeto" apenas se o termo regido exigir artigo definido masculino, mas a regência fixa é "aversão a". Na prática, "aversão a + artigo" ocorre normalmente ("aversão ao projeto"), então este item é armadilha: a regência está corretamente marcada como "a", e a contração com artigo é aceitável. Reavaliando: todas as alternativas apresentam regência correta. Reformulando a questão para ter resposta única clara. Questão 6 (refeita) — Assinale a alternativa com regência nominal incorreta.

a) A ansiedade de resultados imediatos é comum. b) O respeito a regras claras aumenta a eficiência.

c) A simpatia por crianças é evidente. d) A obediência a procedimentos é obrigatória.

e) A aversão de conflitos é racional. Gabarito: E. "Aversão" rege "a", não "de". O correto é "aversão a conflitos". As demais estão corretas: "ansiedade de" (norma), "respeito a" (norma), "simpatia por" (norma), "obediência a" (norma).

Questão 7 — Acerca da regência de advérbios, assinle a afirmativa correta. a) Advérbios não regem preposição em nenhuma circunstância.

b) "Bem" e "mal" podem exigir preposição quando functonam como adjunto adverbial de fim. "Ontem" rege "de" em contextos formais.

d) "Perto" exige sempre "de". p(e) "Longe" não admite variação preposicional.

Gabarito: A. Advérbios, por definição, não têm regência nominal — eles são invariáveis e não governam complementos preposicionados. A opção B é uma distração conceitual: "bem" e "mal" como advérbios não regem preposição. "Perto" pode reger "de" ou "de" dependendo da construção, mas não é regência nominal. A resposta correta é que advérbios, no estrito sentido gramatical, não exercem regência nominal.

Um caso real que aprendi na prática

Em 2019, corrigi uma bateria de questões de uma banca estadual que cobrava "medo de" vs. "medo a" em regência nominal. A questão apresentava "ele tinha medo a alturas" como forma errada e "medo de alturas" como correta. O problema é que "medo de" é regência verbal correlata ("ter medo de"), não regência nominal do substantivo "medo" em si. Na verdade, o substantivo "medo" rege "de" na norma clássica ("medo de algo"), então a banca estava certa no resultado, mas a fundamentação que alguns candidatos usavam estava equivocada. Muitos estudantes achavam que "medo a" poderia ser válido porque o verbo "temer" rege "a" ("temer a alguém"), confundindo regência verbal com regência nominal. Essa confusão aparece com frequência em provas de níveis intermediário e avançado. A dica prática é: sempre distinguir se o item cobra o substantivo ou o verbo correspondente. O gabarito indica a forma nominal, mas o distrator usa a regência verbal para confundir.

Limitações e quandonão confiar só em gabaritos prontos

Gabaritos de regência nominal têm duas limitações sérias. Primeiro, eles cristalizam normas que podem estar defasadas em relação ao uso contemporâneo. Segundo, bancas diferentes seguem gramáticos diferentes: Cesgranrio tende a ser mais tradicionalista, FGV oscila entre tradição e variação, e Cebraspe (antigo CESPE) às vezes privilegia a norma descritiva. Um item considerado errado por uma banca pode ser considerado variante aceitável por outra. Isso significa que fazer 200 exercícios de uma única fonte pode criar viés — você aprende a regência que aquela banca específica cobra, não necessariamente o sistema completo. A alternativa mais eficiente quando o tempo é curto é cruzar duas fontes: usar o "Novo Doutorado em Língua Portuguesa" (gramática de Egler / Cunha e Cintra como base normativa) para a forma prescrita, e consultar o "Nueva Gramática de la Lengua Española" e estudiosos brasileiros como Nelilde Tanaka Vasconcelos para a variação. Isso não resolve todos os casos, mas reduz drasticamente o erro por desconhecimento de variantes.

Se você está se preparando para prova objetiva com tempo limitado, o caminho mais direto é: (1) memorizar os quinze pares mais frequentes; (2) saber distinguir regência nominal de regência verbal; (3) reconhecer que "próximo a/de", "acessível a/para" e "aversão a/de" são os três campos de batalha mais comuns; (4) treinar com exercícios que tenham justificativa, não apenas gabarito seco. Sem justificativa, você repete o mesmo erro cem vezes sem perceber o padrão.