Regencia Do Verbo Informar - Mapas mentais 040 - Regência do verbo informar - YouTube
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O verbete e a gente se virando

A regência do verbo informar parece simples até o momento em que você precisa escrever um texto formal e de repente aparece uma dúvida que ninguém te ensinou direito na escola. Eu já vi analista jurídico errar isso num contrato e o revisor ter que passar a manhã inteira caçando o problema. O verbo informar é transitivo direto e indireto. Isso significa que ele pede dois complementos: alguma coisa e alguém. O erro mais comum é tratar ele como se fosse apenas transitivo direto, ou ainda pior, achando que pode usar qualquer preposição que a gente gosta no português falado.

Entendendo a regência do verbo informar na prática

A estrutura correta é: informar algo a alguém. O algo é o objeto direto, o a alguém é o objeto indireto. Se você inverter a ordem, vira informar alguém de algo, e nesse caso a preposição muda. Ambas estão corretas, mas exigem ajustes morfológicos diferentes, principalmente na colocação dos pronomes. Informei o relatório à diretoria. Informei-lhes o relatório. Informei o relatório a eles. Informei-lhes sobre o relatório. Veja a diferença. A primeira e a segunda são idiomáticas. A terceira soa um pouco formal demais para o dia a dia, mas é aceitável. A quarta é a estrutura com "de" ou "sobre", mais coloquial.

O problema é que a grande maioria das pessoas escreve "informar alguém sobre algo" sem perceber que está usando uma estrutura menos Preferred em textos formais. Não está errado, mas em contextos jurídicos, acadêmicos ou corporativos rígidos, isso pode chamar atenção negativa. Um caso específico que me marcou: eu estava revisando um laudo técnico onde o autor tinha escrito "informamos os senhores que o prazo venceu". O correto seria "informamos aos senhores que o prazo venceu" ou, melhor ainda, "comunicamos que o prazo venceu". Eu passei vinte minutos caçando esse tipo de erro em textos de trinta páginas porque o revisor automático não pisa nessa armadilha. Ele só marca vírgulas e ortografia básica.

Quando usar cada construção

Se o verbo for seguido de oração subordinada substantiva, o "que" entra sozinho. Informei que o prazo venceu. Nesse caso, não há objeto indireto explícito, então não precisa de preposição. Mas se você quiser incluir o destinatário, aí sim: informei a eles que o prazo venceu, ou informei-lhes que o prazo venceu. Já quando o complemento é uma coisa concreta, o objeto direto vem sem preposição. Informei o resultado. Informei os dados. Informei a notícia. O objeto indireto, quando presente, vem com "a": a eles, a você, a nós.

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Um detalhe que poucos conhecem: o verbo informar, quando usado com sentido de "avisar", aceita tanto a regência direta quanto a indireta, mas o sentido muda ligeiramente. Informar alguém de algo pressupõe que a pessoa já tem algum conhecimento e você está completando a informação. Informar algo a alguém é mais neutro, mais objetivo. Na prática, eu recomendo: evite ao máximo o "informar alguém sobre algo" em textos formais. Prefira "informar alguém de algo" ou "informar algo a alguém". A diferença é sutil, mas quem lê com atenção nota.

Erros que aparecem todo dia

O erro número um é trocar o "a" por "para". Informe para o cliente o resultado. Errado. O correto é informe o resultado ao cliente. O "para" indica direção final, não destinatário de informação. Diferença importante. O erro número dois é usar "informar-se de" quando o sentido é "consultar". A gente costuma dizer "me informei sobre a nova política", mas a forma mais elegante seria "consultei a nova política" ou "informei-me a respeito da nova política". O reflexo com "de" é aceitável no oral, mas em escrita formal é melhor evitar.

Outro ponto: na voz passiva, o verbo informar se comporta normalmente. O relatório foi informado à diretoria. A diretoria foi informada do relatório. Ambas estão corretas, mas a segunda soa mais natural porque "informada de" é mais comum do que "informada a". Isso é uma irregularidade que vale a pena memorizar.

Um resumo sem pretensão de resumo

Se você quiser uma regra prática para não errar: objeto direto sem preposição, objeto indireto com "a". Informei o documento a ela. Informei a ela o documento. Informei-lhe o documento. Informei-o do documento. Ponto. Para casos de dúvida, a melhor saída é consultar o Dicionário de Usage do Novo Acordo ou o Guia do Manipulador de Portugês, que tratam esses casos com exemplos reais e não com generalizações. Eu uso ambos e sempre volto neles antes de enviar um texto que vai para o jurídico.

O verbo informar é um daqueles que parecem triviais até você precisar justificar uma escolha de regência para um editor exigente. Na minha experiência, dominar essa subtileza economiza pelo menos três rodadas de revisão em cada documento que sai do nosso departamento. O tempo gasto aprendendo a regência correta é insignificante perto do tempo gasto corrigindo depois.