Redação Do Enem 2010 - Redação Enem 2010 - Comentário da Redação do Enem - Brasil Escola
Redação Enem 2010 - Comentário da Redação do Enem - Brasil Escola

Como funciona a redação do Enem 2010 na prática

O tema de 2010 foi A violência na sociedade brasileira: um desafio para o cidadão. A proposta pedia uma redação em prosa, com no mínimo sete e no máximo trinta linhas, apresentando um projeto de intervenção que respeitasse os direitos humanos. O texto base incluía uma charge de Rafael Calça e um trecho sobre a banalização da violência nos meios de comunicação. Nada de inovador na formulação — o padrão que se mantém até hoje, na verdade.

redação do enem 2010: o que realmente importava na correção

A correção segue cinco competências, cada uma valendo 200 pontos, totalizando 1000. A competência 1 avalia a norma culta escrita — concordância verbal, ortografia, regência, pontuação. Não exige perfeição absoluta, mas erros recorrentes baixam a nota rápido. A competência 2 cobra compreensão do tema e aplicação de conceitos das áreas humanas. aqui entra o problema que a maioria dos candidatos não vê: o tema de 2010 pedia discussão sobre a responsabilidade do cidadão, não apenas um inventário de causas da violência. Muitos escreveram ensaios descritivos sobre violência urbana e perderam pontos na competência 2 por não abordarem o papel do indivíduo. A competência 3 trata da seleção, organização e interpretação de dados para defender um ponto de vista. A competência 4 avalia a compreensão da estrutura dissertativo-argumentativa e o uso de conectivos. E a competência 5 é a proposta de intervenção: deve ter agente, ação, meio ou modo, detalhamento do efeito e respeito aos direitos humanos. Se faltar qualquer um desses elementos, a nota cai. Se violar direitos humanos, zera na competência 5 e limita a nota máxima da redação a 200 pontos nas outras competências. Esse limite de 200 é pouco divulgado e causa muita surpresa nos resultados.

Eu já vi corrigendas com variações enormes entre avaliadores na mesma banca. Uma redação que eu preparei para um aluno teve 960 pontos com um corretor e 780 com outro no mesmo ano. A diferença estava na forma como cada um interpretou a profundidade da argumentação na competência 3. Isso mostra que a correção tem margem de subjetividade, mesmo com manuais rigorosos. O conselho prático é escrever de forma clara, sem ambiguidade, usando argumentos que não dependam de leitura filosófica avançada para serem entendidos.

Método de preparação que funciona

A maioria dos cursinhos ensina um modelo fixo de introdução-com desenvolvimento-conclusão com conectivos padrões. Isso funciona para notas acima de 600, mas dificilmente chega a 800 ou 900. O que separa uma redação nota mil das demais não é vocabulário rebuscado — é a precisão com que a proposta de intervenção conecta ação, agente e efeito de forma concreta. No Enem 2010, por exemplo, muitos candidatos propunham ações genéricas como "o governo deve conscientizar a população". O problema é que essa frase não tem meio nem modo. Uma proposta melhor seria algo como: "O Ministério da Educação, em parceria com secretarias municipais de educação, deve implementar campanhas nas escolas usando materiais produzidos por artistas locais, com o objetivo de estimular debates sobre violência doméstica entre alunos do ensino fundamental." Isso tem agente (Ministério da Educação e secretarias), ação (implementar campanhas), meio/modo (parceria com artistas locais nas escolas), detalhamento do efeito (estimular debates sobre violência doméstica) e respeita direitos humanos.

Para treinar isso, eu uso um exercício simples: escrever apenas a proposta de intervenção de cinco temas diferentes, cada um em dez minutos. Isso pega o ritmo de construir uma intervenção completa sem gastar o tempo todo da prova nisso. No dia da prova, o ideal é deixar pelo menos quarenta minutos para a proposta. Muitos candidatos terminam o desenvolvimento com cinco minutos sobrando e tentam improvisar a intervenção, o que costuma resultar em proposta vaga ou incompleta.

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Erros comuns que eu vejo todo ano

O primeiro erro é tratar a charge como argumento central. A charge de 2010 mostrava uma tv com a frase "violência não é brincadeira" enquanto crianças brincavam de jogar bola com uma cabeça de boneco. Ela serve de ponto de partida, não de sustento da argumentação. Usá-la como base principal limita o texto a uma paráfrase da imagem. O segundo erro é a ausência de concretude na proposta de intervenção. Frases como "é necessário mudar a mentalidade da sociedade" são corretas gramaticalmente mas não passam no crivo da competência 5 porque não especificam quem faz, como faz e qual o efeito esperado. Sem esses detalhes, o avaliador não tem como atribuir nota alta.

O terceiro erro, mais sutil, é não diferenciar os níveis de violência. No tema de 2010, violência pode ser física, simbólica, institucional, doméstica, estrutural. Redações que tratam todos esses tipos como sinônimos perdem precisão argumentativa. O ideal é escolher dois ou três e aprofundar, em vez de listar todos superficialmente.

Recursos práticos

Não existe um arquivo único com todas as redações nota mil de 2010 distribuído oficialmente pelo INEP de forma organizada. O que está disponível gratuitamente no site do governo são as orientações de correção e alguns exemplares de respostas. Para consultar as redações comentadas, o Portal Beduka e o Brasil de Fato publicam análises detalhadas com explicações dos critérios de correção aplicados a cada exemplo. O site doINEP também disponibiliza o edital e as instruções completas da prova. Se você quer praticar, o exercício mais eficiente é pegar temas anteriores e escrever com cronômetro. Trinta minutos para rascunho e revisão, mais vinte e cinco para a versão final. Isso simula a pressão real da prova. A maioria dos candidatos leva mais tempo do que deveria na revisão e termina com erros que poderiam ser evitados com dois minutos a mais de revisada focada em concordância e pontuação.

Quando o método padrão não funciona

A estrutura clássica de parágrafo introdutório, dois desenvolvimento e conclusão com proposta funciona bem para temas amplamente debatidos. Mas há situações em que ela falha. Um exemplo: se o tema pedir uma análise histórica profunda e o candidato não domina o conteúdo, tentar encaixar datas e fatos sem domínio gera inconsistências que o avaliador nota imediatamente na competência 2. Nesses casos, uma abordagem mais segura é focar na argumentação lógica e nos mecanismos sociais, deixando a dimensão histórica de lado se o conhecimento for insuficiente. Também notei que redações muito bem escritas, com boa argumentação e proposta detalhada, às vezes recebem notas surpreendentemente baixas na competência 1 por causa de um único erro de pontuação recorrente ao longo do texto. Um ponto e vírgula mal colocado duas vezes já pode tirar dez pontos dessa competência. A correção é rigorosa com regularidade de erros, não com a existência isolada de um errinho.

O que mais ajuda na prática é ter um checklist mental antes de entregar a prova: verifique se a proposta de intervenção tem agente, ação, meio/modo e efeito. Confirme se cada parágrafo de desenvolvimento retoma o tema e avança o argumento. E revise a concordância e a pontuação nos últimos minutos. Esses três passos simples costumam fazer a diferença entre 600 e 800 pontos.