O básico que a maioria esquece na hora de aplicar
A concordância nominal é um daqueles assuntos que todo mundo acha que domina até se deparar com uma construção meio esquisita e perceber que tem dúvida. A regra geral é simples: o adjunto adnominal concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Mas é exatamente aí que começa o problema, porque o português brasileiro contemporâneo permite flexões que o livro didático ainda não ensina direito.
questão sobre concordancia nominal e a armadilha do "anexo"
Vou direto ao ponto. Você provavelmente já viu frases como "Os documentos estão anexos" ou "Os documentos estão anexo". Ambas aparecem em circularem formais, mas só uma é consensualmente aceita pela norma-padrão. A forma correta é "anexos", porque o termo funciona como adjetivo e deve concordar. O mesmo vale para " Incluso", "obrigado", "bastante". São adjetivos, não advérbios, e precisam de flexão. Eu tive um caso específico há alguns anos revisando um edital de concurso público. O texto original trazia "Vistos, assinam os responsáveis". A banca considerou o verbo no plural, mas o erro estava em "vistos" -- como se tratava de uma construção absolutamente absoluta, a forma correta seria "Visto, assinam os responsáveis". Isso passou despercebido na primeira revisão porque "vistos" soa natural quando o sujeito é plural em outras construções. Levei uns quatro dias para perceber o padrão e corrigir todos os 87 itens iguais no documento. A lição prática é: nunca confie na intuição quando o particípio vier no início da frase em vocábulo absoluto. O mais seguro é substituir por uma oração subordinada explícita ("Como os documentos foram vistos, assinam os responsáveis"), que elimina qualquer ambiguidade.
As exceções que realmente importam na prática
Não adianta decorar todas as regras de concordância nominal sem entender onde elas falham. Vou listar o que realmente causa erro em textos formais e em provas. Adjetivos postpostos com sentido de intensidade. Palavras como "bastante", "meio", "quase" funcionam como advérbios quando vêm antes do adjetivo e ficam invariáveis. "Ela está meio cansada" -- "meio" não varia. Já "Ela está bastante cansada" -- "bastante" é advérbio de intensidade e permanece invariável. Mas se "bastante" funcionar como adjetivo ("são bastantes pessoas"), aí concorda. A distinção é puramente sintática, não semântica.
"Só" como advérbio versus adjetivo. Quando significa "apenas", é invariável: "Ela ficou só em casa". Quando significa "solteira", varia: "Ela está só". Na prática, essa distinção é a que mais gera confusão em redações e documentos legais, porque o contexto nem sempre deixa claro qual é a função. Expressões com "halb" -- isso existe em português também, nas locuções como "meia hora", "gratuito meia-entrada". O termo que compõe a locução pode variar ou não dependendo da fixação da expressão. "Meia hora" é fixo, mas "meias informações" varia porque "meias" é adjetivo pleno.
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Quando a concordância nominal quebra completamente
Existe um grupo de palavras que a gramática normativa trata de formas diferentes e que causa erro recorrente. Vou ser objetivo sobre elas. Procuro, enough, enough -- não, peraí. Deixe-me corrigir. Existem adjetivos que não variam mesmo parecendo que deveriam. O caso mais chato é "responsável". Muitas pessoas escrevem "os responsáveis" quando se referem a múltiplas pessoas, mas a norma estabelece que "responsável" é variável. O problema real aparece com palavras como "cedo", "bem", "mal" -- advérbios que são invariáveis por definição, mas que muita gente tenta flexionar por analogia errada.
Visto quanto a "grosso modo". Expressões latinas enraizadas no português são invariáveis por natureza. "Grosso modo", "feriado feriado", "pleno sol" -- tudo se comporta de maneira diferente do que a intuicao sugere. Eu costumo verificar cada uma delas separadamente em dicionários de locuções antes de usar em textos formais, porque a flexão errada aqui é imediatamente marcada por corretores experientes.
Um método que funciona para resolver questões na prática
Se você precisa analisar concordância nominal em textos reais -- contratos, editais, peças jurídicas -- o processo que eu uso é o seguinte. Primeiro, identifico todos os adjetivos e particípios no texto. Depois, verifico se cada um tem um núcleo substantivo claro com o qual concordar. Quando o núcleo está elíptico ou disperso, eu testo a substituição por um sinônimo variável. Se a substituição soa estranha, provavelmente o termo está funcionando como advérbio e deve ficar invariável. Isso leva cerca de 15 a 20 minutos para um texto de dez páginas. Pode parecer demorado, mas evita retrabalho. Um erro de concordância nominal em um edital pode invalidar questões inteiras e gerar recursos. Já vi editais serem impugnádos por esse tipo de erro em casos reais.
O erro mais comum que eu vejo hoje em dia. A flexão de "menos" e "mais" quando funcionam como advérbios de intensidade. "Havia menos pessoas do que esperávamos" -- "menos" é invariável. "Havia menos problemas no projeto" -- novamente, invariável. Só varia quando é substantivo: "Os menos preparados foram chamados primeiro". A regra é simples, mas a aplicação automática gera erro em quase todos os textos que reviso. Se você está estudando para concurso ou precisa aplicar isso no trabalho_diário, o caminho mais eficiente é praticar com textos reais e não apenas com exercícios de múltipla escolha. A concordância nominal cobra nuances contextuais que questões padronizadas raramente capturam. O que faz uma questão sobre concordancia nominal ser realmente difícil não é a regra em si, mas a capacidade de identificar a função sintática de cada termo num período complexo.