Quem Criou O Termo Geopolítica - Rudolph Kjellén e a criação da Geopolítica - YouTube
Rudolph Kjellén e a criação da Geopolítica - YouTube

O termo geopolítica e quem realmente cunhou

Antes de qualquer coisa, a resposta curta é simples: o termo geopolítica foi criado pelo cientista político sueco Rudolf Kjellén em 1899. Ele usou pela primeira vez a palavra no artigo Über Lebensformen, publicado na revista Arkiv för Zoologi. Foi ele quem fundiu "geo" com "política" como conceito acadêmico de verdade, não apenas como expressão jornalística.

Quem criou o termo geopolítica — a história real por trás

Kjellén era professor de ciência política na Universidade de Uppsala. O contexto importa aqui. Ele estava tentando estruturar o estudo do Estado como um organismo vivo, algo que os pensadores da época discutiam bastante. A geopolítica nasceu dentro desse raciocínio orgânico, não de um gabinete militar. Friedrich Ratzel também apareceu nos comentários de todo mundo, e com razão: foi ele quem criou o conceito de "Lebensraum" (espaço vital) em obras como Politische Geographie, de 1903. Mas Ratzel não cunhou a palavra geopolítica. Ele moldou o terreno conceitual. Kjellén é quem pegou esse terreno e deu nome ao campo. O que pouca gente sabe é que Kjellén definiu geopolítica como o estudo do Estado como entidade territorial organizada. Ele mapeou cinco formas de vida — econômica, demográfica, social, estatal e geopolítica — e essa última era especificamente a análise do Estado à luz das condições geográficas. Isso era 1899, antes mesmo de a Alemanha usar o raciocínio geopolítico para justificar expansões imperialistas. A confusão entre Kjellén e os nazistas depois é um problema historiográfico enorme.

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No Brasil, o termo ganhou uso mais recente. Antes dos anos 1970, poucos programas de graduação sequer citavam geopolítica como disciplina. A formação em relações internacionais tratava o tema de forma tangencial, quase sempre dentro de disciplinas de estratégia ou segurança nacional. Eu já vi editais de concurso público para analista internacional peder candidatos que não conseguiam distinguir geopolítica clássica de geografia política básica. São coisas relacionadas, mas não iguais. Geografia política estuda fronteiras, administracao territorial, distribuição eleitoral. Geopolítica estuda como o poder se projeta pelo espaço, considerando recursos, rotas, alianças e restrições naturais. Um problema concreto que eu encontrei na prática foi com analistas que tentavam aplicar modelos geopolíticos clássicos a regiões sem dados confiáveis. Trabalho na América do Sul alguns anos atrás envolveu analisar corredores logísticos na Bacia do Prata. Os dados de infraestrutura eram fragmentados, relatórios oficiais desatualizados e fontes abertas muitas vezes contraditórias. O workaround que funcionou foi cruzar imagens de satélite com projetos de lei locais e notas de emprego de companhias de logística. Demorou duas semanas a mais do que o previsto, mas evitou conclusões equivocadas que poderiam ter direcionado recomendações para rotas que na prática não existiam mais.

Outro detalhe que iniciantes costumam perder: geopolítica não é predição. É análise de possibilidades condicionadas. Muitos confundem porque filmes e documentários apresentam como se fosse uma bola de cristal. O verdadeiro trabalho é mapear variáveis — quais recursos estão sob controle de quem, onde passam as rotas comerciais, quais sanções existem, como decisões internas de um país afetam o posicionamento externo dele. Isso leva tempo. Não existe atalho. Se quiser explorar o tema com mais profundidade, a obra de Kjellén Original está disponível em repositórios acadêmicos suecos e em algumas bibliotecas digitais universitárias. O artigo de 1899 pode ser encontrado através de bases como JSTOR ou diretamente nos arquivos da Universidade de Uppsala. Também existem traduções e análises críticas em livros como "Geopolítica: Uma Introdução Crítica", de Óscar (edições acadêmicas brasileiras), e no volume organizado por Jay Steel e Duncan Wesh sobre a história do pensamento geopolítico.

O limite mais honesto que existe com a geopolítica é que ela depende criticamente da qualidade dos dados que você insere. Se os dados forem ruins, a análise será ruim, não importa quão sofisticado seja o modelo. E há cenários em que a geopolítica simplesmente não consegue entregar muito além do óbvio — situações de alta volatilidade política, guerras civis, colapsos institucionais, onde variáveis humanas e imprevisíveis dominam qualquer fator geográfico. Nesses casos, o mais indicado é combinar a análise geopolítica com estudos de risco político e cenários de inteligência, em vez de confiar exclusivamente no método. Se a pergunta é quem criou o termo geopolítica, a resposta continua sendo Rudolf Kjellén, em 1899, com a publicacao de Über Lebensformen. O resto é complemento, influência e desenvolvimento posterior de outras escolas de pensamento.