Entendendo o processo desde o início
A formação dos óvulos começa já na vida fetal. Durante o desenvolvimento embrionário, células chamadas oogônias se multiplicam rapidamente e depois entram numa fase de crescimento onde se tornam ovócitos primários. Esse processo acontece principalmente entre a sétima e a vigésima semana de gestação. O número máximo de ovócitos que uma mulher terá na vida todo é atingido por volta da vigésima semana intrauterina, algo em torno de 6 a 7 milhões de unidades.
quando se inicia a produção das células reprodutoras femininas
A resposta direta é: ainda dentro do útero materno. Mas o que muita gente não entende é que essa produção não continua depois do nascimento. A mulher nasce com todos os ovócitos que jamais terá. Esse é um ponto importante que diferencia o sistema reprodutor feminino do masculino. Homens produzem espermatozoides a vida inteira. Mulheres não. O estoque começa a diminuir logo após o nascimento e continua caindo até a menopausa. No meu trabalho analisando relatórios de fertilidade e acompanhado casos clínicos, já vi várias mulheres se surpreenderem com essa informação. Elas acham que o corpo continua fabricando óvulos durante a vida toda. Não continua. O que acontece é que alguns desses ovócitos primários são recrutados todo mês para amadurecer, mas o repertório original já estava definido antes de ela nascer.
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Um detalhe técnico que as pessoas costumam perder de vista é que a maior parte desses ovócitos morre por apoptose durante a vida fetal e logo após o parto. De 6 a 7 milhões que existem na vigésima semana, o recém-nascido já chega com cerca de 1 a 2 milhões. Na puberdade, esse número cai para algo entre 300 mil e 400 mil. Desses, só cerca de quatrocentos a quinhentos vão realmente ovular ao longo de toda a vida reprodutiva. Outra coisa que gera confusão é o período de pausa. Os ovócitos primários ficam parados na prófase da primeira divisão meiótica desde a vida fetal. Eles só retomam a maturação quando começam os ciclos menstruais. Esse estado de repouso pode durar décadas. Eu já vi casos onde a qualidade desses ovócitos comprometida simplesmente pelo tempo que passaram nessa fase de espera, não necessariamente por fatores externos.
Se você está pesquisando isso por interesse acadêmico ou por questões de saúde, o mais relevante é saber que a reserva ovariana é finita e irreversível. Não existe nenhuma técnica comprovada que aumente esse estoque. O que existem são métodos para preservar o que já existe, como a vitrificação de óvulos em casos de tratamento oncológico ou adiamento da maternidade. Em resumo, a produção das células reprodutoras femininas começa no feto e para antes do nascimento. O resto da história é uma lenta diminuição desse capital inicial até o esgotamento completo.