O aumentativo de boca é bocarra. A formação vem do sufixo -arra, que em português Carrega a ideia de grandeza e, muitas vezes, uma carga pejorativa. Não é um aumentativo neutro como o -ão poderia ser em alguns contextos. "Bocarra" já carrega a nuance de algo desproporcional, exagerado.
Tem também a variação bocal, mas esse termo na verdade designa uma peça ou instrumento (bocal de trompete, bocal de candeeiro), não um aumentativo semântico de boca. É fácil confundir porque a forma parece aumentativa, mas o uso mudou completamente a palavra.
Na prática, o sufixo -arr- funciona bem para certos radicais. "Gente" vira "gentarra", "língua" vira "linguarra". Mas não é produtivo para todas as palavras. "Boca" simplesmente encaixa naturalmente por já existir no uso popular há bastante tempo.
Um ponto que muita gente esquece: existem aumentativos com -aço também. "Boca" + -aço daria "bocaça", mas essa forma praticamente não é usada no português contemporâneo. Soa arcaica. Se você encontrar em algum texto antigo, sabe por quê.
O problema real é que aumentativos em português às vezes criam duplos sentidos que não são óbvios. "Bocarra" pode significar literalmente "boca grande" ou, no registro informal, alguém que fala demais, que corre muito a boca. No contexto de gravação de áudio, por exemplo, eu já vi gente chamar um microfone de "bocarra" quando se referia a uma caixa acústica de grandes dimensões. Não é o sentido original, mas o uso coloquial expande essas formas.
Se a dúvida vier de um exercício escolar, a resposta esperada é bocarra. Se vier de alguém tentando construir um aumentativo novo, o caminho é observar quais radicais aceitam sufixos aumentativos na prática, não na teoria. A língua não segue regras rígidas aqui, segue tradição de uso.
Também existe a forma bocuda, que é um adjetivo derivado, não um substantivo aumentativo. Isso já é outra categoria morfológica. Misturar as duas coisas gera erro comum em testes e redações.