Qual A Cor De Odontologia - Guia de tons de cor dos dentes closeup odontologia folheados ou ...
Guia de tons de cor dos dentes closeup odontologia folheados ou ...

Seleção de cor em odontologia restauradora

A cor dos dentes é um dos pontos mais sensíveis no dia a dia do consultório. Não é só o aparelho que você olha. O paciente avalia o resultado por uma percepção que muitas vezes foge completamente da ciência por trás doshade. A gente tenta trabalhar com metodologia, mas a realidade do consultório é outra. Eu já perdi a conta das vezes que um resto de resina ficou perfeito no dente, no laboratorio, na luz do consultório... e na boca do paciente, com a luz do dia, parecia outra coisa. Já vi isso acontecer com frequência suficiente para simplesmente aceitar que a variável luz muda tudo. A cor que você vê sob luz artificial não é a mesma que aparece sob luz natural. Esse é o primeiro problema que todo mundo esquece.

qual a cor de odontologia e como escolher

A pergunta simples que todo mundo faz é: qual a cor de odontologia usar? A resposta curta é que não existe uma cor única. Cada dente tem nuances que vão do mais claro ao mais escuro, e o problema é que o sistema VITA Classic, que é o padrão mais usado, tem apenas 16 tons básicos. Na prática, um dente vivo não é nenhum desses tons. Ele é uma mistura de translucidez, opalescência e variação de saturação que o esquema não captura. O procedimento que eu uso funciona assim. Primeiro, o paciente chega, sem café, sem cigarro, sem vitamina C. A boca precisa estar hidratada. Dente seco mostra cor diferente de dente molhado. Eu aguardo pelo menos trinta segundos após a remoção do isolador a seco. Depois, coloco o shade guide perto do dente canino ou incisivo central, que são os referenciais mais estáveis. Não olho direto para o dente. Olho para o guia. O olho humano se adapta rápido demais à cor e distorce a leitura.

Aqui vai um insight que pouca gente comenta: o melhor momento para fazer a seleção de cor é no início da consulta, antes de qualquer preparo ou secagem prolongada. Já fiz o erro de esperar o final do procedimento. Quando o dente está seco há mais de dois minutos, ele clareia naturalmente. A desmineralização superficial altera a luz refletida. O resultado? O material que você colocou ficou mais escuro do que o planejado. Esse é um erro que eu cometi nas primeiras cinquenta restaurações diretas e demorei para entender. O shade guide precisa ser posicionado perpendicularmente ao dente, no mesmo plano. Se você inclinar o guia, a sombra que ele projeta muda completamente. Eu uso um suporte de borracha para fixar o shade guide no dente, evitando que a mão tremera atrapalhe a leitura. Parece besteira, mas a mão tremendo causa erro de pelo menos dois tons na média.

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Sobre equipamento, o fotoestetoscopio ajuda, mas ele não resolve o problema da iluminação. A luz do consultório precisa terIRC maior que 90. Eu testei lâmpadas LED comuns de 80 de IRC e a diferença era absurda. Um dente A2 podia parecer um B1 sob aquela luz. Troquei por LEDs de alta fidelidade cromática e a precisão melhorou significativamente. O custo do LED bom é alto, mas a taxa de refacionamento caiu muito. Existe ainda a questão da comunicação com o laboratório. Muitas vezes o técnico recebe a receita com apenas um número de shade. O correto é enviar fotografias clínicas com o shade guide ao lado, bem focadas, em luz natural ou com flash de equilíbrio neutro. Eu já enviei um shade B3 e o laboratório entregou um B2 porque a foto estava superexposta. O paciente voltou achando que o dente estava amarelado, quando na verdade o erro foi na captura da imagem. A fotografia clínica precisa ter balanceamento de branco manual. O automático do celular destrói a fidelidade da cor.

Outro ponto que vale mencionar é a curva de envelhecimento do material. Resinas compostas amarelam com o tempo. Você escolhe um shade B1 hoje, mas em dois anos o dente pode tender para um B2. Isso acontece especialmente com resinas de nanohybrid mais antigas. As formulas novas de bulk-fill e de alta nanockarecem ter melhor estabilidade, mas os dados clínicos de longo prazo ainda são limitados. O recomendável é considerar isso na seleção inicial. Às vezes vale a pena escolher um shade ligeiramente mais claro do que o natural, pensando na desgaste e na absorção de pigmentos ao longo dos anos. Se você trabalha com cerâmica, o jogo muda. O zircônia de alta translucidez esconde menos erros de cor do que o blocos tradicionais. Uma adaptação marginal ruim fica evidente porque a cerâmica é mais translúcida. Nesse caso, o shade guide perde parte da utilidade porque a espessura do material altera a cor final. O ideal é simular a restauração antes de cimentar, usando um simulador de cor transparente sobre o dente preparado, para verificar como a cor final se comportará.

O método STH, que avalia saturação, tonalidade e halos, é mais preciso que o VITA Classic puro. Ele separa três dimensões da cor em vez de confiar num único número. O problema é que exige treinamento. Muitos dentistas ainda usam o guia de forma empírica, sem medir saturação. Eu recomendo investir nessa capacitação, pois a diferença entre um shade guie lido corretamente e um lido no piloto automático pode ser a diferença entre uma restauração que passa despercebida e uma que chama a atenção. Resumindo de forma seca: a cor de odontologia depende de luz correta, dente hidratado, leitura rápida, fotografia confiável e consideração do envelhecimento do material. Nada disso é difícil, mas exige disciplina. O erro mais comum é pressa. Fazer a seleção de cor correndo é praticamente garantia de insatisfação do paciente.