Quais São Os Verbos Impessoais - Lingua Minha | Verbos impessoais
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O que são verbos impessoais na prática

Verbos impessoais são aqueles que não têm sujeito. Eles só aparecem na terceira pessoa do singular, mesmo quando o sentido sugere um plural. Isso causa confusão porque a gente aprende no começo que todo verbo concorda com seu sujeito, mas nesses casos não existe sujeito para concordar. Os mais comuns são verbos que indicam fenômenos da natureza, existência, tempo e movimento: haver no sentido de existir, fazer indicando tempo passado, ser indicando hora ou data, parecer no sentido de parecia/suasenação, e os verbos como ocorrer, existir, chover, nevar, trovejar.

quais são os verbos impessoais

A lista completa envolve os verbos que nunca flexionam no plural. Aqui está o que mais aparece em provas, concursos e no uso formal do português: Haver quando significa existir. "Houve muitos problemas" — o correto é singular, mesmo com "muitos problemas" no plural. Esse é o erro mais frequente. Muita gente fala "houveram problemas" por analogia com o pretérito perfeito de outros verbos, mas isso não existe na norma culta.

Fazer indicando tempo. "Faz dois anos que não o vejo." Nunca "fazem dois anos." O sujeito não existe. O "dois anos" é Complemento Nominal, não sujeito. Ser indicando hora ou data. "São três horas." "foi no domingo." Quando o ser indica hora, ele é impessoal e o complemento é determinado pelo numeral.

Parecer no sentido de aparência/sensação. "As notícias pareceram estranhas." Aqui o verbo é impessoal quando usado com sentido de "ter a aparência de", sem sujeito ativo. Mas cuidado: quando "parecer" funciona como verbo auxiliar de outra oração ("Ela parece estar cansada"), ele se flexiona normalmente porque não é impessoal nesse caso. Verbos de fenômeno natural: chover, nevar, granizar, ventar, trovejar, relampejar. "Choveu muito ontem." Jamais "choveram muito."

Outros menos óbvios: bastar, baste, basta — quando usados sem sujeito. "Basta uma palavra." "Bastavam poucas coisas." E ocorrer, suceder, dar-se no sentido de acontecer. Eu trabalhei anos corrigindo textos jurídicos e a maior dor de cabeça era encontrar "os problemas houveram" em petições. A correção era imediata: substituir por "os problemas ocorreram" ou "houve problemas", mantendo a concisão. Em documentos formais, usar "ocorreram" no plural é mais seguro do que brigar com o haver impessoal, porque pelo menos a concordância fica visualmente correta, ainda que o sentido mude ligeiramente.

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Como identificar na prática

O teste é simples mas muitas pessoas erram. Se você tentar transformar a oração para o plural e o verbo precisar mudar de forma obrigatoriamente, então há sujeito. Se o verbo ficar travado na terceira pessoa do singular independentemente do complemento, é impessoal. Pegue "chove muito em Brasília." Se tentar colocar no plural: "chovem muito em Brasília" — soa errado. Não tem sujeito. Agora "Os alunos estudam." No plural: "Os alunos estudaram." Funciona perfeitamente. Sujeito existe.

Um detalhe que poucos ensinam: o verbo haver como impessoal também elimina a necessidade de preposição em certos contextos. "Havia muitos candidatos" — sem preposição. Mas quando o haver é auxiliar (havia estudado), aí ele concorda normalmente. A mesma lógica se aplica ao dever: "Deve haver muitos problemas" — o haver fica no infinitivo impessoal, mas o deve flexiona porque é o verbo principal da oração. Apegar-se à ideia de que "todo verbo tem sujeito" é o que mais gera erro. Verbos impessoais provam que essa regra tem exceções estruturais, não apenas estilísticas. O português, assim como o francês (il pleut, il faut) e o inglês (it rains, it seems), usa construções com sujeito vacuo ou dummy subject. A diferença é que aqui não temos "ele" para disfarçar — o verbo simplesmente não flexiona.

Pegadinhas avançadas

A conjunção como se frequentemente causa confusão. "Como se fossem dois dias" — aqui o fossem está no subjuntivo porque a oração é subordinada, não porque o verbo seja pessoal. O fato de o verbo flexionar no plural não anula a impessoalidade. Também existe a questão do particípio. Quando usamos o haver como auxiliar ("Tinha havido problemas"), o haver mantém-se no singular mesmo com complemento plural. Esse é um caso que muitos gramáticos discutem, mas a norma padrão é clara: o auxiliar haver não se flexiona.

Um problema prático que encontrei: em transcrições de audiências judiciais, advogados frequentemente concordam o verbo haver com o complemento por pressão da fala rápida. A solução mais eficiente que encontrei foi criar um check-list rápido onde se marca qualquer "houveram/haviam/obtiveram" seguido de plural como bandeira vermelha, e a correção padrão é sempre reescrever na terceira pessoa do singular ou substituir o verbo por um sinônimo pessoal. Em média, isso elimina cerca de 70% dos erros de concordância em textos longos sem exigir revisão palavra por palavra. Outra limitação importante: verbos como vir e estar podem funcionar como impessoais em expressões fixas ("Vem happening many things" — não, isso é). Mas "Vem dois ônibus por hora" — aqui vem é pessoal, sujeito é "dois ônibus". A fronteira nem sempre é clara e depende do contexto.

Resumindo: a impessoalidade não é uma regra opcional, é uma característica estrutural. Dominar isso evita o erro mais comum em redações formais e concursos.