O básico que muita gente confundem
Vogais são sons onde o ar sai livremente da boca, sem nenhum obstáculo na cavidade oral. No português brasileiro temos seis vogais: a, e, i, o, u — e o //, // que aparecem em sílabas como "perdido" e "bolso". Semivogais são outro negócio. Elas existem quando essas mesmas letras aparecem no final de um ditongo, funcionando como apoio da vogal principal, não como núcleo da sílaba. "Pé-de-moleque", "pnei", "ruiseixo". Aí o e, o, u viram semivogais.
quais sao as vogais e semivogais: a diferença prática
A diferença não é apenas teórica. Eu passei horas corrigindo alunos de fonoaudiologia que erravam a divisão silábica de palavras com ditongos, e o problema sempre era o mesmo: eles tratavam a semivogal como se fosse vogal e quebravam a sílaba no lugar errado. "Ideia" vira i-de-i-a, quando o certo é i-dei-a. O i do início é semivogal, o e é vogal, o i depois do e é vogal também, e o a final é vogal. A sílaba central é "dei". Se você não entender isso na prática, toda análise fonológica que fizer vai dar errado. O que eu aprendi foi fazer o teste do núcleo: pronuncie a palavra devagar e identifique onde o som é mais aberto, mais forte. Esse ponto é a vogal. Os sons ao redor que são mais fechados e funcionam como transição são semivogais. Repita isso com uma lista de cinquenta palavras e o padrão fica evidente em cinco minutos. O problema é que o português tem variantes dialectais que complicam tudo. No sotaque caipira, por exemplo, o "u" final muitas vezes vira vogal completa, não semivogal. Em "péu", dependendo do falante, o u pode ser pronunciado como /u/ pleno ou quase como /w/. Isso muda a análise.
Como identificar na prática
Primeiro passo: escreva a palavra. Segundo: pronuncie. Terceiro: marque com um lápis onde a voz "abre" mais. Esse é o núcleo vocálico. Tudo que estiver antes ou depois e for mais "fechado", provavelmente é semivogal. Ditongos orais como "céu", "pé", "baú" têm uma vogal forte e uma semivogal fraca. Ditongos nasais como "pão", "mãe" seguem a mesma lógica, mas o som nasal muda a qualidade da vogal, não do processo. Vogais orais: a, e, i, o, u. Semivogais em português: /w/ (representado por u ou o em posição não-nuclear) e /j/ (representado por i ou e em posição não-nuclear). Exemplo rápido: "fiu" f-i-u. O i é semivogal, o u é vogal. "Lua" l-u-a. O u é semivogal, o a é vogal. "Pneu" p-n-e-u. O e é semivogal aqui, o u é vogal.
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Um detalhe que ninguém ensina: a letra "e" pode ser semivogal em posições como "pnei" ou "fiei". O som é aquele /j/ suave, quase um arrasto. Já a letra "o" vira semivogal em "pouso" ou "coelho". O som /w/ é bem mais perceptível porque os lábios se fecham levemente. Se você Gravar e analisar o espectrograma, a diferença entre /w/ e /u/ é clara: o formante F2 do /w/ é mais baixo, o F1 é mais alto. É uma questão de frequência, não de intensidade.
Erros comuns que eu já vi acontecerem
A maioria dos manuais diz que semivogais são apenas o i e o u. Isso está errado. O e também pode funcionar como semivogal em ditongos crescentes como em "pneumonia" (o primeiro e é semivogal /j/). E o o em posições similares. Além disso, em alguns dialetos do norte de Minas, o ditongo "ei" pode ser pronunciado como ditongo decrescente, o que inverte completamente a análise. Nesses casos, o e vira semivogal e o i vira vogal. É raro, mas existe, e quem não conhece essa variante acaba errando a classificação. Outro erro frequente: tratar "rh" ou "th" como semivogais. Não são. São consoantes. A confusão nasce porque algumas línguas têm sons que parecem vocálicos mas não são. O português não tem esse problema, mas a lista de exceções aumenta quando entramos em empréstimos linguísticos. "Radar" tem um a final que em alguns sotaques soa como vogal aberta, em outros como semivogal. Depende da velocidade da fala e do contexto fonético. Se você estiver fazendo análise automática de texto, vai precisar de um modelo que considere o contexto, não apenas a letra isolada.
Se quiser uma ferramenta prática para verificar divisões silábicas, eu uso o programa do Celso Pedro Luft, que ainda é referência. Tem versão online gratuita. Não é perfeito — às vezes falha em palavras com hiato que parecem ditongo — mas serve como ponto de partida. Eu costumo comparar o resultado com a análise manual e ajustar quando necessário. O tempo que gasta com isso varia: para um texto de mil palavras, dá cerca de trinta minutos se você for sistemático. Para análise fonológica completa, pode levar horas, dependendo da complexidade do corpus.