Os símbolos de Natal que realmente existem
Quando alguém pergunta quais os simbolos do natal, a resposta curta é que a maioria das pessoas lista os óbvios sem contexto. A árvore, o Papai Noel, o Presépio, o teixo, a azevinho. Mas o problema é que cada um desses carrega camadas que ninguém menciona, e muita gente usa errado sem saber.O que vejo acontecer todo ano em Dezembro é pessoas decorando casas com símbolos que se contradizem ou têm origens completamente diferentes. Colei azeitona, pinhas e estrelas brancas numa árvore artificial, sem perceber que a tradição correta varia drasticamente dependendo de onde você mora.
quais os simbolos do natal mais usados no Brasil e no mundo
Aqui vai uma lista honesta, separada por origem e significado real, não pelo que as lojas querem que você compre. Árvore de Natal – Origem germânica do século XVI. Era usada como símbolo de vida permanente durante o inverno. Os protestantes alemães adaptaram, e os católicos depois aceitaram. No Brasil virou marca registrada de decoração de shopping. Nada a ver com a tradição original.
Presépio (Manjedoura) – São Francisco de Assis criou a primeira representação viva em 1223, em Greccio. Foi a primeira vez que alguém colocou figuras vivas num cenário de Natal para transmitir a cena da igreja. Nos lares brasileiros, o presépio perdeu a função catequética e virou peça decorativa. Minha experiência: já vi gente colocar o Menino Jesus no presépio desde 1 de Dezembro. O correto é colocar só até 6 de Janeiro, data da Epifania. Colocar antes vira enfeite, não devoçã Papai Noel – Figura derivada de São Nicolau de Myra (século IV), bispo conhecido por dar esmolas secretamente. A versão moderna é americana, criada a partir de poemas do século XIX e propaganda da Coca-Cola nos anos 1930. O traje vermelho e branco que todos conhecem existe porque a Coca-Cola padronizou, mas o vermelho já era usado nas representações de São Nicolau desde antes. Curiosidade: no norte da Europa, o equivalente é o Julegolten ou o Père Noël, que são figuras diferentes com costumes diferentes.
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Teixo e Azevinho – Símbolos celtas de imortalidade. Os druidas usavam o azevinho porque suas folhas espinhosas representavam a coroa de Cristo. O teixo era sagrado para os celtas como árvore da vida e da morte. Ambos foram christianizados depois. Atenção: os frutos do azevinho são venenosos. Já vi animais de estimação terem problemas sérios por mastigar os galhos em casas de estimação. Se tiver pets, evite colocar galhos naturais perto deles. Viseira/Coroa do Advento – Tradição luterana alemã do século XVI. Quatro velas, uma para cada domingo antes do Natal. A coroa representa a coroa de espinhos. Cada vela acesa simboliza esperança, paz, alegria e amor. O ritual de acender uma por semana é o que tem significado real. Muitas pessoas queimam todas de uma vez só por preguiça, o que destrói o ponto inteiro.
Bastão de doces (candy cane) – Surgiu na Alemanha no século XVII. A forma de bastão lembra o cajado do pastor. O branco representa a pureza de Cristo e o vermelho seu sangue. Originalmente era dado às crianças na igreja como lembrança do conto bíblico. Hoje é um doce industrializado vendido em sacos plásticos. Perdeu completamente o sentido. Sino – Representa a anunciação e também o costume de tocar sinos nas missas de Natal. Na tradição italiana, os sinos das igrejas tocavam na Missa do Galo. No Brasil, muitas paróquias ainda mantêm esse costume.
Bola de Natal – Acredita-se que tenha surgido na Alemanha no século XVII, quando vidreiros faziam esferas de vidro vazias que eram penduradas nas árvores. Originalmente eram frutas reais (maçãs, laranjas) porque simbolizavam o Éden. As bolas de vidro vieram depois como substituto mais durável. Um detalhe que pouca gente sabe: o costume de pendurar meias vem de uma lenda sobre São Nicolau, que jogou moedas de ouro por uma chaminé. As moedas cairiam dentro das meias que estavam penduradas para secar perto da lareira. No Brasil essa tradição é rara porque não temos o costume de lareira na maioria das casas. Em cidades sulistas com inverno mais rigoroso, ainda é possível encontrar famílias que mantêm o hábito.
O problema prático que enfrento toda estação é a quantidade de símbolos importados que chegam ao Brasil sem explicação. Estrelas de Belém, anjos, pastores – tudo isso é importado da tradição europeia e muita gente não entende o contexto. Recomendo que, se você quer montar uma decoração com propósito, escolha três ou quatro símbolos e entenda a origem de cada um antes de comprá-los. Uma árvore com dez enfeites sem significado visual é pior do que uma árvore com três enfeites que contam uma história. Se o objetivo é apenas decorar, beleza. Mas se quiser dar algum sentido ao que está pendurando, pesquise primeiro. A diferença entre enfeite e símbolo é justamente essa intencionalidade.