Quais Dentes São Permanentes - Quais São Os Dentes Permanentes - NAZAEDU
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O que realmente acontece quando os dentes permanentes surgem

A dentição permanente de um adulto saudável contém 32 dentes, divididos igualmente entre maxilar e mandíbula. Cada hemiarcada possui quatro tipos diferentes: incisivos, caninos, pré-molares e molares. A sequência de erupção segue uma ordem que a maioria dos pais conhece de forma rudimentar, mas existem nuances importantes que passam despercebidas na consulta.rotina. Os incisivos centrais permanentes erupitam por volta dos 6 a 8 anos, seguidos pelos laterais entre 7 e 9 anos. Os caninos surgem entre 9 e 12 anos nos maxilares superiores e entre 11 e 13 anos nos inferiores. Os pré-molares substituem os molares de leite, com o primeiro premolar aparecendo entre 10 e 12 anos e o segundo entre 10 e 12 anos também. Os molares permanentes mais críticos, chamados de "molares dos seis anos", aparecem por volta dos 6 anos de idade sem substituir nenhum dente decíduo — eles simplesmente erupitam por trás dos molares de leite. Os segundos molares surgem entre 11 e 13 anos. Os terceiros molares, os sisos, erupitam entre 17 e 25 anos, se é que erupitam.

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Para identificar quais dentes são permanentes, basta observar a numeração pela classificação FDI. A dentição permanente usa os números 11 a 18 no quadrante superior direito, 21 a 28 no superior esquerdo, 31 a 38 no inferior esquerdo e 41 a 48 no inferior direito. O dente 18 é o terceiro molar superior direito, enquanto o 31 é o incisivo central inferior esquerdo. Essa numeração é padronizada internacionalmente e evita confusão entre dentes decíduos e permanentes, algo que acontece com frequência em prontuários mal preenchidos. Um detalhe que poucos mencionam é que os dentes permanentes começam a se formar ainda no útero. Os primórdios dos primeiros molares permanentes já estão presentes ao nascer. Isso significa que uma criança pode ter seus primeiros molares permanentes em formação mesmo sem ter perdido qualquer dente de leite. A erupção é um evento tardio num processo que começou anos antes.

Já atendi um paciente de 34 anos que nunca tinha feito uma radiografia panorâmica e ficou surpreso ao descobrir que tinha dois terceiros molares superiores completamente impactados, orientados horizontalmente e pressionando as raízes dos segundos molares. O segundo molar direito apresentava reabsorção radicular externa moderada. Nesse caso, a retirada dos sisos impactados era urgente para preservar os segundos molares, que são estruturalmente muito mais importantes para a mastigação do que os terceiros. A cirurgia levou aproximadamente 45 minutos por lado, com edema significativo nos dois dias seguintes. O ponto relevante aqui é que impacto de terceiros molares assintomáticos muitas vezes já causou dano irreversível ao dente adjacente antes de qualquer dor aparecer. Radiografias de controle anuais a partir dos 14 anos são suficientes para monitorar a evolução desses casos sem exposição excessiva à radiação. Outra questão importante é a hipodontia, a ausência congênita de um ou mais dentes permanentes. Afeta entre 3 e 5 por cento da população. Os dentes mais frequentemente ausentes são os terceiros molares, seguidos pelos segundos pré-molares, principalmente no maxilar. Um paciente com ausências múltiplas de pré-molares pode manter uma arcada funcional por décadas sem jamais saber que lhe faltam dentes. O diagnóstico só é confirmado através de imagem radiográfica. Sem radiografia panorâmica ou CBCT, essas ausências passam completamente despercebidas até que algum tratamento ortodôntico ou protético seja necessário.

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Os sisos merecem um destaque à parte. Eles representam o maior problema clínico relacionado à dentição permanente em adultos jovens. A taxa de retenção ou impactação dos terceiros molares varia de 20 a 65 por cento dependendo da população estudada. Quando o espaço na arcada é insuficiente, o dente pode erupcionar parcialmente, ficar completamente retido no osso ou emergir em posição mesioangular, distoangular ou verticais. Cada uma dessas posições tem implicações diferentes para o tratamento. Posições verticais bem alinhadas podem ser mantidas com monitoramento periódico. Posições mesioangulares com contato com o segundo molar geralmente requerem extração. Um caso que marca minha prática foi o de uma paciente de 22 anos com queixa de dor no setor posterior direito inferior. A radiografia revelou um terceiro molar inferior esquerdo parcialmente erupcionado com pano gengival cobrindo parte da coroa e pericoronarite aguda associada. O tratamento inicial foi irrigação subgengival com clorexidina 0,12 por cento, analgesia com ibuprofeno 600 mg e antibiótico com amoxicilina 500 mg três vezes ao dia por sete dias. A inflamação resolveu em cinco dias, mas o dente continuava parcialmente coberto. Expliquei para a paciente que o pano gengival sobre um dente parcialmente erupcionado é um foco permanente de acumulação bacteriana. A solução definitiva seria a remoção cirúrgica do dente ou, em casos selecionados, uma gingivectomia para expor completamente a coroa. A paciente optou pela extração, realizada sob anestesia local com bloco do nervo alveolar inferior e lingual. O espécime cirúrgico foi encaminhado para anatomia patológica, como prática padrão em todas as extrações de terceiros molares mandibulares, apenas para documentar a ausência de patologias acidentais.

Os dentes permanentes também apresentam variações anatômicas que podem passar despercebidas. A presença de tubérculo caronal, uma elevação na face vestibular dos incisivos superiores permanentes, é encontrada em aproximadamente 40 por cento da população. Esse tubérculo pode acumular placa bacteriana em quantidade significativamente maior do que a superfície lisa do dente. A técnica de escovação comum não remove eficazmente a placa nesse local, e o paciente precisa ser orientado a Angle a escova com ângulo de 45 graus incidindo diretamente sobre a elevação, realizando movimentos de varredura da gengiva para a coroa. Sem essa orientação específica, o tubérculo caronal se torna um fator de risco para doença periodontal localizada que pode persistir por anos sem causa aparente para o profissional não especializado em prevenção. A calcificação dos dentes permanentes também segue padrões predefinidos que permitem estimar a idade cronológica em contextos forenses e ortodônticos. O estágio de calcificação do primeiro molar permanente já está no nível de coroas completas ao nascer. O terceiro molar permanente, por outro lado, inicia sua calcificação entre 7 e 9 anos de idade, podendo continuar em desenvolvimento até os 16 anos. Essa ampla variação temporal é uma das razões pelas quais a extração de terceiros molares em adolescentes mais novos é tecnicamente mais simples do que em adultos, pois as raízes ainda não estão completamente formadas e a densidade óssea ao redor é menor.

Não existe um método infalível para prever com precisão quando cada dente permanente irá eruptrar em um indivíduo específico. Fatores genéticos, nutricionais, sistêmicos e locais interferem no tempo de erupção. Crianças com histórico familiar de erupção tardia tendem a seguir o mesmo padrão. Alterações endócrinas, como hipotireoidismo não diagnosticado, podem atrasar significativamente a erupção de múltiplos dentes permanentes. Em pacientes com transtornos do desenvolvimento, a ausência de erupção de múltiplos dentes permanentes na idade esperada deve motivar uma investigação sistêmica além da avaliação odontológica rotineira. A longo prazo, os dentes permanentes são projetados para durar toda a vida se forem adequadamente preservados. No entanto, a prevalência de perda dentária em adultos acima de 60 anos ainda é alta em muitas populações, principalmente por doença periodontal avançada e cárie radicular. A cárie radicular se torna particularmente prevalente em idosos devido à recessão gengival fisiológica relacionada à idade, que expõe a superfície radicular do dente permanente, uma área muito mais susceptível à desmineralização do que o esmalte coronal. O flúor tópico em gel ou verniz aplicado anualmente em pacientes idosos com recessão gengival significativa reduz a incidência de cárie radicular em aproximadamente 30 a 40 por cento, de acordo com meta-análises recentes. Essa é uma intervenção simples, de baixo custo e com efeito comprovado que poucos profissionais mencionam ativamente durante consultas de manutenção.