A questão do título acadêmico na psicologia
A psicologia no Brasil é uma área onde a confusão entre formação de nível superior e doutorado é constante. Muita gente entra na faculdade achando que vai se formar "doutora". A realidade é diferente. A psicologia é uma profissão de nível superior com registro no conselho regional, e isso já basta para o exercício legal da carreira. O doutorado é um título acadêmico separado, conquistado após concluído um programa de pós-graduação stricto sensu.
Psicóloga pode ser chamada de doutora
O uso do tratamento "doutora" por uma psicóloga depende exclusivamente de ela possuir um título de doutorado. Se a profissional tem apenas a graduação, o tratamento correto é "senhora" ou simplesmente pelo nome de guerra, como qualquer bacharel em psicologia. No entanto, existe uma prática comum no dia a dia que merece atenção. No meio clínico, muitos pacientes começam a chamar a profissional de "doutora" desde a primeira sessão, não por conhecimento do título, mas por uma questão de respeito e da relação terapêutica em si. Isso acontece o tempo todo. Eu já vi isso na minha prática quando atendi uma paciente que chamava minha colega de "doutora" todos os dias durante três anos, até que descobriu que ela tinha apenas a graduação e mestrado. A reação foi estranha, mas típica. Ela se sentiu traída, não pela falta do título, mas por sentir que tinha havido uma omissão deliberada. A coisa mais interessante que eu observei sobre isso foi que a terapeuta em questão nunca usou o título sozinha, mas também nunca corrigia quando os outros usavam. Isso gera um problema ético que poucas pessoas discutem.
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O Conselho Federal de Psicologia não regula o uso do tratamento "doutor", mas o código de ética exige transparência nas relações profissionais. Se a psicóloga tem doutorado, o uso do título é legítimo. Se não tem, aceitar o tratamento sistematicamente pode configurar uma forma de má publicidade profissional. A diferença é sutil, mas relevante. Um doutorado em psicologia é algo que leva entre cinco e sete anos após a graduação, normalmente com produção de teses e artigos. Não é uma pós-graduação lato sensu, que seria especialização ou MBA. Doutorado é stricto sensu mesmo. Outro ponto que as pessoas costumam não considerar é a questão dos doutores estrangeiros que vem para o Brasil. Um psicólogo com doutorado de uma universidade americana, por exemplo, tem o direito de usar o título, mas precisa ter o reconhecimento pelo Ministério da Educação se quiser exercer a função acadêmica formalmente. Na clínica privada, a situação é mais fluida, mas a exigência de registro no conselho regional continua valendo em qualquer caso. Eu já vi casos de profissionais que se declaravam doutores sem ter o título reconhecido e enfrentaram processos éticos que resultaram em suspensão do exercício profissional por dois anos.
Na prática, a pergunta sobre psicóloga poder ser chamada de doutora costuma vir de duas frentes. A primeira é a do paciente, que quer saber como tratar a profissional com quem vai iniciar terapia. A segunda é a do próprio psicólogo, que está na dúvida se deve ou não adotar o tratamento. Para o paciente, o mais seguro é perguntar diretamente na primeira conversa ou olhar o perfil profissional no conselho regional. Lá consta a titulação completa. Para o psicólogo, a resposta depende da titulação que ele realmente possui. Ter mestrado não autoriza o uso de doutor. Só o doutorado mesmo conta.