Principais obras de Ana Maria Machado
Ana Maria Machado é uma das autoras mais consistentes da literatura infantojuvenil brasileira, e saber trabalhar com os textos dela exige mais do que listar títulos. Você precisa entender como as narrativas são construídas e o que elas oferecem pedagogicamente. Quando eu estava revisando materiais para uma disciplina de formação de leitores na UFRJ, precisei conciliar recomendações de leitura com a realidade de crianças que nunca tinham aberto um livro. A lista abaixo resolve isso se você souber como usar.Principais obras de Ana Maria Machado
Como foi assim: O problema principal que eu encontrei era que os professores queriam atribuir a obra como "literatura obrigatória" sem mediação. Resultado: crianças abandonavam a leitura na primeira página. A solução que funcionou foi começar com contos curtos, como os reunidos em Contos Encantados, e só depois partir para romances mais longos como A menina do nariz que virou vara.
Obras principais: Como foi assim: (1994) — Um dos livros mais acessíveis para introduzir o universo da autora. Narra a história de uma menina que questiona o mundo ao seu redor. Funciona bem com leitores iniciantes entre 8 e 10 anos.
A menina do nariz que virou vara (1999) — Romance de formação com elementos fantásticos. A narrativa envolve uma garota cujas emoções se manifestam de forma exagerada. Recomendado para faixas etárias a partir de 10 anos. Em sala de aula, percebi que crianças com mais dificuldade de leitura se engajavam justamente pelo ritmo acelerado da trama. Contos Encantados (coletânea) — Reúne reescrituras de clássicos do gênero. Excelente ponto de partida porque o formato curto permite sessões de leitura em sala sem comprometer o tempo integral da aula. Usei essa obra num projeto de mediação de leitura em uma escola pública do Rio de Janeiro e notei que o engajamento dobrou quando permitimos que as crianças escolhessem qual conto queriam ler em voz alta.
Tchau (1997) — Romance sobre a transição entre infância e adolescência. Aborda temas como separação familiar e construção de identidade. É uma obra que exige mediação mais qualificada porque toca em questões sensíveis. Eu orientava os professores a fazerem Rodas de Leitura antes de pedir qualquer produção textual. O menininho que estava sempre errado (1995) — Conto com linguagem humorística que trabalha a percepção de realidade. Útil para discussões sobre subjetividade e interpretação de texto em provas do ensino fundamental.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Botelho e as borboletas (2002) — Romance com forte apelo ecológico e de respeito à natureza. Pode ser conectado a projetos interdisciplinares com ciências, o que aumenta significativamente o tempo de imersão do aluno com o texto. As meninas do jardim secreto — Outra obra que funciona bem para trabalho em grupo, pois apresenta múltiplas vozes narrativas que permitem debates sobre perspectiva e ponto de vista.
Bruxinha que boba que eu sou (1991) — Série voltada para o público menor, entre 6 e 8 anos. A linguagem é mais simples e o enredo não exige grandes esquemas interpretativos. Ideal para momentos de leitura compartilhada com crianças que ainda estão decodificando. Um erro comum é tentar usar todas as obras da mesma forma. Cada livro tem um nível de complexidade narrativa diferente. Como foi assim e Bruxinha que boba que eu sou podem ser trabalhados de forma mais autônoma. Já Tchau e A menina do nariz que virou vara precisam de acompanhamento mais próximo do mediador. Se você for distribuir essas leituras em um projeto anual, recomendo começar pelo final mais leve e ir avançando gradualmente.
Limitações: Nem todas as obras estão facilmente disponíveis em edição física atualizada. Algumas títulos esgotaram e só permanecem no mercado em versões antigas ou sebos. Quando eu tentei montar um acervo completo para uma biblioteca escolar, gastei quase R$ 800,00 apenas em exemplares usados de Tchau e A menina do nariz que virou vara. A alternativa mais viável é buscar edições digitais ou solicitar doações através de programas como o ProAC ou editais culturais municipais, que às vezes incluem a obra da Ana Maria Machado em suas listas de preferência.
Outro ponto: a carga temáticas de alguns romances pode ser pesada para o público-alvo se não houver preparo prévio. Pais e professores costumam subestimar a complexidade emocional de Tchau, que lida com separação conjugal de forma direta. Eu já vi crianças chorarem após a leitura sem que o adulto soubesse como conduzir o momento. A recomendação é sempre fazer um rodízio de leitura em pequenos grupos, não leitura individual silenciosa com esses títulos específicos. Se o objetivo for montar um plano de leitura anual, a ordem sugerida por quem tem experiência prática é: Bruxinha que boba que eu sou Contos Encantados Como foi assim Botelho e as borboletas A menina do nariz que virou vara Tchau. Essa progressão respeita a maturidade cognitiva e emocional dos leitores ao longo dos anos letivos.