Praias Em Mato Grosso Do Sul - As 5 Melhores Praias de Água Doce em Mato Grosso do Sul » Turismo de ...
As 5 Melhores Praias de Água Doce em Mato Grosso do Sul » Turismo de ...

O que você precisa saber antes de procurar praias de verdade no estado

Mato Grosso do Sul não tem costa marítima. Isso parece óbvio, mas é o primeiro erro que todo mundo comete ao pesquisar o assunto. O que existe são praias fluviais e de represa, formadas pelo rio Paraná, pelo rio Paraguai, por lagoas e por barragens como a de Itaipu. A experiência de praia lá é completamente diferente do que se vê no litoral paulista ou paranaense. A areia é mais escura, a água varia entre tons de marrom e verde-escuro, e o fundo é predominantemente de pedra e areia fina misturada. Nada contra, só preciso que você chegue sabendo o que está procurando.

Quando eu fui pela primeira vez à praia do Porto Esperança, perto de Porto Murtinho, esperava encontrar algo parecido com praias nordestinas. Levei protetor solar de litoral, chapéu, e ainda me queimei porque o reflexo da água do rio é muito mais intenso do que parece. A proteção UV em ambientes fluviais é subestimada por quem nunca viajou para o Pantanal. Use protetor 50+ e capa de neoprene se for ficar mais de uma hora na água. Isso reduziu meu tempo de descanso e evitou aquela queimadura feia nas costas que aparece sempre depois de dois dias na praia.

Principais praias em mato grosso do sul

A praia do Porto Esperança, em Porto Murtinho, é a mais conhecida do estado. Fica à beira do rio Paraná, tem estrutura razoável nos finais de semana e consegue lotar bastante em julho. O acesso é pela BR-267, e o trajeto a partir de Corumbá leva cerca de 40 minutos. A água costuma estar em temperatura agradável, especialmente entre maio e setembro, quando o nível dos rios está mais baixo e as praias ficam mais largas. Já a praia de São José, também em Porto Murtinho, é mais frequentada por locais. Não tem muita infraestrutura, mas a segurança é boa durante o dia. Eu costumo ir para ali nos meses de outubro e novembro, quando a água tende a ficar mais calma por causa da estiagem.

As praias de Figueirão, perto de Dourados, são outra opção. São praias de represa, ligadas ao sistema hidroviário da região. O nível da água varia bastante conforme o ciclo das chuvas e a operação das comportas, então o que era uma boa praia num mês pode ser um trecho lamacento no seguinte. Isso é importante: praias de represa em Mato Grosso do Sul são sazonais por natureza, não fixas como no litoral. A praia da Lagoa do Capão, em Aquidauana, é diferente porque é uma lagoa natural com areia branca, o que a aproxima mais da ideia convencional de praia. Não é muito frequente por turistas de fora, o que significa menos aglomeração, mas também menos estrutura. Estacionar é fácil, e a entrada é gratuita. A água é rasa e tranquila, boa para crianças, mas não espere ondas nem estrutura de beach club.

Temos ainda a praia do Bananal, próximo a Nova Andradina, e pontos similares ao longo da BR-267. São acessíveis, mas algumas têm problema recorrente de limpeza após fortes chuvas. Lixo flutuante e barro trazido pela enxurrada aparecem com frequência de novembro a fevereiro. Leve sacos para recolher o básico e não dependa de serviço de limpeza pública nessas datas.

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Como chegar e o que levar

O transporte mais viável é o carro particular. Ônibus interestaduais chegam a Corumbá, Dourados e Campo Grande, mas a mobilidade local é precária. A maioria das praias fica a quilômetros de qualquer centro urbano com transporte regular. Alugar carro em Campo Grande ou Corumbá e dirigir até o destino é a opção mais prática e, honestamente, quase obrigatória. Leve água potável mesmo quando a praia parecer ter barracas. Em várias delas, o abastecimento de água encanada é intermitente, e já vi gente passar mal por desidratação em praias que pareciam atendidas. O problema piora em finais de semana de pico, quando as barracas acabam os estoques pela tarde e não há como repor.

Câmbio também é limitado. Poucas praias aceitam cartão. Cartão de débito funciona em alguns estabelecimentos maiores, mas a maioria cobra apenas PIX ou dinheiro vivo. Levantar um valor razoável antes de sair de casa evita dor de cabeça.

O segredo que ninguém conta sobre as melhores épocas

A seca, entre maio e setembro, é quando as praias de rio melhoram visivelmente. O nível da água desce, a areia aparece mais, e a correnteza enfraquece. Mas existem dois problemas que os guias turísticos nunca mencionam. O primeiro é que, com a baixa do rio, surgem bancos de areias e remansos perigosos. A corrente principal se desvia, e áreas que pareciam rasas viram buracos de metro e meio de profundidade em poucos minutos. O segundo é a proliferação de pernilongos. Seca significa água parada em poças ao redor da praia, e os mosquitos aproveitam. Repelente de qualidade, manga longa no crepúsculo e mosquiteiro se for acampar. Outro detalhe técnico: o nível do rio Paraná é regulado por comportas a montante, tanto no Brasil quanto no Paraguai e no Brasil (Itaipu). Eventuais descargas operacionais podem elevar o nível da água rapidamente, alagando áreas de praia que estavam secas. Antes de montar sua toalha e deixar pertences, pergunte ao dono da barraca ou ao guarda se há previsão de mudanças no nível. Essa pergunta simples resolveu um problema meu em Porto Murtinho quando um vazão aumentou sem aviso e levou embora uma mesa de plástico e duas cadeiras de praia em dez minutos.

Alternativas quando as praias de areia falham

Se a estação das chuvas chegou e as praias ficaram lamacentas ou submersas, considere o banho em cachoeiras do município de Bonito. Não são praias, mas atendem à mesma necessidade de lazer aquático. As águas são cristalinas e a estrutura de turismo na região é muito mais desenvolvida do que nas praias fluviais. A viagem de Dourados a Bonito leva cerca de quatro horas pela BR-267 e BR-163. Vale o deslocamento se seu objetivo é água limpa e segurança. Há também a opção das praias de Mato Grosso do Sul que ficam mais próximas de áreas rurais, como trechos ao longo do rio Miranda. São pontos sem qualquer sinalização oficial, acessíveis por estrada de terra. Não recomendo sem veículo adequado e combustível sobrando, porque não existe posto nas proximidades na maioria desses trechos.