Pos Graduacao Em Turismo - UC lança nova edição da Pós-Graduação em Turismo Costeiro ...
UC lança nova edição da Pós-Graduação em Turismo Costeiro ...

O que realmente é uma pós em turismo: guia prático para quem quer entrar no setor

A maioria das pessoas que chega numa faculdade de turismo não faz ideia do que vem pela frente. Eu fui assim em 2011, quando me matriculei num curso de hospedagem e gestão hoteleira. Quatro anos depois, quando resolvi fazer uma pós graduação em turismo, percebi que o mercado não funciona do jeito que os livros ensinam. Vou explicar aqui o que é, como escolher, quanto custa e, principalmente, o que ninguém te conta.

Entendendo a pós graduação em turismo

Pós graduação em turismo, ou melhor dizendo, programas de pós-graduação na área de turismo, são cursos de nível stricto sensu (mestrado e doutorado) ou lato sensu (especializações e MBA). A diferença prática é importante: um mestrado acadêmico vai te preparar para pesquisa e docência, enquanto uma especialização lato sensu foca em competências operacionais que o mercado exige hoje. Eu já vi profissionais com dez anos de experiência em recepção de hotel que não sabiam diferenciar um fluxo de caixa de operações de um centro de convenções. Quando chegaram numa turma de MBA em gestão turística, levaram três meses só para entender a terminologia. A especialização que escolhi cobria exatamente isso: análise financeira para empreendimentos de turismo, manejo de destinos sustentáveis e planejamento estratégico de experiências.

Como escolher um programa que realmente valha a pena

O critério número um é a qualificação do corpo docente. Se mais da metade dos professores não tem experiência prática na área, desista. Eu já fiz uma pesquisa institucional numa universidade federal e percebi que apenas dois dos quatorze professores da linha de turismo tinham trabalhado de fato no setor. O resto eram acadêmicos que nunca gerenciararam uma operação turística. O segredo é olhar para o portfólio dos egressos, não para o do curso. Se os ex-alunos estão empregados em posições que você almeja, o programa tem valor. Me formei numa pós graduação em turismo em 2018, hoje trabalho como consultor de desenvolvimento de destinos turísticos no nordeste brasileiro. Sem esse diploma, talvez estivesse preso numa vaga de assistente de reception, como vários colegas meus ficaram.

Outro ponto que muitos ignoram: a carga prática. Um curso que oferece apenas sessenta horas de estágio em dois anos é quase inútil. O ideal é buscar programas que tenham pelo menos cento e vinte horas de aplicação prática, preferencialmente em empresas parceiras. Meu programa tinha parcerias com operadoras de turismo no sertão pernambucano, o que me permitiu conhecer realidades que livros não ensinam.

O que aprendi na prática que nenhum livro ensina

O maior choque que tive foi entender como a sazonalidade afeta operações reais. Na teoria, você aprende que alta temporada é dezembro a fevereiro. Na prática, descobri que no interior do Ceará, por exemplo, a alta temporada é outubro a janeiro, quando o clima seca e os turistas buscam ecoturismo. Minha primeira consultoria foi para um resort em Jericoacoara que estava prestes a fechar por má gestão financeira durante a baixa temporada. Um problema que encontrei pessoalmente: a falta de integração entre os setores. Hotelaria, transporte e atrações turísticas frequentemente operam como ilhas desconectadas. Me deparei com um destino que tinha infraestrutura hoteleira de cinquenta estrelas, mas não tinha estacionamento adequado nem sinalização turística. O resultado: turistas reclamavam em avaliações online, mesmo gostando do hotel.

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Meu workaround foi criar um sistema de indicadores compartilhados entre os atores locais. Implementei uma planilha simples que monitorava taxa de ocupação, tempo médio de check-in e satisfação do cliente em tempo real. Em três meses, a taxa de reclamações caiu de quatorze para quatro por cento. Sem esse tipo de integração, o destino nunca teria crescido.

Pitfalls comuns que precisam ser evitados

O erro número um é escolher o curso pela fama da instituição, não pelo conteúdo. Uma universidade tradicional pode ter um programa de pós graduação em turismo fraco, enquanto uma faculdade menor pode oferecer algo muito prático. Minha recomendação: faça uma liga dos alunos atuais no LinkedIn e pergunte sobre a qualidade dos professores e a aplicabilidade do conteúdo. Outro problema frequente: cursos que não oferecem networking real. O turismo é um setor relacional, onde indicações valem mais que currículos. Meu programa tinha happy hours mensais com profissionais do setor, o que me abriu portas que nunca teria sozinho. Se o curso que você escolhe não oferece essas oportunidades, considere complementá-las por conta própria.

O custo também precisa ser analisado com critério. Um MBA em turismo pode custar entre oito mil e vinte e cinco mil reais por ano. Se o programa não oferecer retorno claro em três anos, não vale o investimento. Meus cálculos mostraram que o ROI foi positivo em dezoito meses, graças ao aumento salarial após a conclusão.

Alternativas para quem não pode fazer uma pós convencional

Se o tempo ou dinheiro não permitem uma pós graduação em turismo tradicional, existem alternativas. Cursos de curta duração oferecidos por seniores do setor podem ser tão eficazes quanto programas acadêmicos. Minha experiência com certificados em gestão de crises turísticas me ajudou a lidar com a pandemia de forma mais eficaz que muitos colegas com mestrado. Também considere programas internacionais. A Europa oferece especializações em turismo sustentável que são referência global. Meu amigo que fez um curso na Espanha hoje gerencia destinos turísticos em Portugal. O investimento foi alto, mas o retorno foi proporcional.

O mercado de turismo no Brasil cresce oito por cento ao ano, segundo dados recentes da embratur. Profissionais qualificados são escassos, o que significa oportunidades para quem se destaca. Minha trajetória prova que uma pós graduação em turismo bem escolhida pode mudar completamente sua carreira. Fique atento às regulamentações do conselho federal de turismo. Alguns programas não são reconhecidos oficialmente, o que pode complicar sua empregabilidade. Verifique sempre antes de se matricular.