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O que é o reflexo branco no olho do bebê

Quando você tira uma foto do bebê com flash e aparece um ponto branco ou amarelado na pupila no lugar do vermelho normal, isso se chama leucocoria. O nome técnico é mais complicado, mas é esse o sinal que os pais veem e ficam preocupados. O reflexo vermelho normal nas fotos vem da retina, que é rica em vasos sanguíneos. Quando há algo bloqueando a luz antes de chegar nela — uma opacidade na córnea, na íris, no cristalino ou na própria retina — o reflexo muda de cor. Fica branco, amarelo, às vezes esverdeado. Pode aparecer em um olho ou nos dois. A maioria dos casos que eu vi foram resolvidos sem complicações. Meu primo teve esse reflexo no olho direito quando tinha três meses. A foto de aniversário mostrou aquele ponto branco que ninguém reconheceu na hora. Demoramos uma semana para marcar um oftalmologista pediátrico porque achávamos que era só o flash mal configurado. Quando fomos, descobriu-se uma catarata congênita. Operaram na semana seguinte, antes dos quatro meses, que é o janela crítica para não perder aacuidade visual. O resultado hoje é bom, mas se tivesse ido antes, provavelmente seria ainda melhor.

ponto de luz no olho do bebê

Esse é o termo que os pais digitam quando pesquisam. Às vezes é só um artefato da foto. Às vezes é algo que precisa de intervenção imediata. A diferença entre os dois casos define se o bebê vai ter sequela visual permanente ou não. As causas mais comuns de leucocoria em lactentes são: catarata congênita, retinopatia da prematuridade, retinoblastoma, catarata persistente do hidroide primitivo, ceratocone congênito, tumores intraoculares, endoftalmitese. Cada uma tem tratamento diferente e urgência diferente. O retinoblastoma é o mais grave porque é um tumor maligno. Em média, aparece entre os seis meses e os dois anos, mas pode surgir antes. O sinal inicial é justamente esse reflexo branco nas fotos. O diagnóstico precoce é essencial para salvar o olho e a vida. Se o tumor não for tratado, pode metastatizar para o cérebro ou medula óssea.

Quando se deve procurar atendimento

Se o ponto branco aparecer apenas em uma foto e sumir em outra, especialmente se as condições de luz forem diferentes, pode ser apenas reflexo do flash. Tire mais fotos em ambientes bem iluminados, sem flash, de diferentes ângulos. Se o reflexo branco persistir em várias condições, leve o bebê ao oftalmologista. Se aparecer em vídeos também, ou se o bebê não acompanhar objetos com os olhos, ou se houver estrabismo novo, ou se a pupila parecer maior do que o normal, não espere. Procure atendimento no mesmo dia. Eu já vi casos em que os pais achavam que era "só a luz do sol" e levaram duas semanas. Duas semanas com retinoblastoma em crescimento podem significar a diferença entre tratar conservando o olho e precisar removê-lo. O nervo óptico não regenera.

Como o exame é feito

O oftalmologista pediátrico vai fazer um exame de fundo de olho com oftalmoscopia direta. Em bebês pequenos, às vezes é necessário usar colírio para dilatar a pupila e visualizar melhor a retina. Se o médico suspeitar de catarata, vai pedir ultrassonografia ocular. Se suspeitar de retinoblastoma, pede tomografia ou ressonância magnética da órbita. O tempo total do exame varia. Em bebês cooperativos, quinze minutos bastam. Em bebês agitadas, pode levar trinta minutos ou mais. Às vezes é necessário sedação, especialmente se forem necessárias imagens mais detalhadas.

Catarata congênita

A catarata congênita é uma das causas mais frequentes de leucocoria. Pode ser unilateral ou bilateral. Pode estar associada a síndromes como rubéola congênita, galactosemia, doença de Lowe. Pode ser isolada, sem outra anomalia. O tratamento é cirúrgico. A extração do cristalino opaco deve ser feita o quanto antes, idealmente antes dos oito semanas de vida para melhor prognóstico visual. Depois da cirurgia, o bebê precisa de correção óptica — lentes de contato, implante intraocular ou óculos — e terapia de reabilitação visual. Meu paciente mais novo operado tinha cinco semanas. A mãe notou o reflexo branco numa foto de vacinas. O diagnóstico foi catarata total no olho direito. A cirurgia foi na semana seguinte. Hoje, com dois anos, já está usando lente de contato e fazendo trabalho de estimulação visual. A acuidade ainda está sendo desenvolvida, mas o prognóstico é favorável porque a intervenção foi precoce.

Retinopatia da prematuridade

Em prematuros, o exame de fundo de olho é rotina. O programa de rastreamento brasileiro exige que todos os prematuros com menos de quinze semanas de idade gestacional e peso abaixo de dois quilos sejam examinados. O exame começa entre quatro e seis semanas de vida. A retinopatia da prematuridade pode evoluir de forma agressiva e causar descolamento de retina se não for tratada. O laser transpupilar e o tratamento intravíteo com anti-VEGF são as opções principais. Quanto mais cedo, melhor o resultado.

Retinoblastoma

O retinoblastoma é raro, aproximadamente um caso a cada dezesseis mil nascimentos. No Brasil, o sistema de saúde oferece tratamento gratuito. O tratamento depende do estágio. Em casos iniciais, pode-se tratar com quimioterapia intravítrea ou sistêmica, laser crioterapia. Em casos avançados, a enucleação pode ser necessária. O acompanhamento pós-tratamento é intenso. Nos primeiros dois anos, exames a cada três meses. Depois, a cada quatro meses até os cinco anos. Em casos hereditários, o acompanhamento pode se estender até os oito anos.

O que NÃO fazer

Não confie em apps de celular que dizem detectar leucocoria automaticamente. Eles não substituem exame clínico. Não espere o bebê crescer para "ver se passa". Não use gotas oculares caseiras. Não tente iluminar o olho com lanterna de telefone e diagnosticar sozinho. Se o ponto branco estiver presente desde o nascimento e não tiver sido avaliado, marque consulta. Se tiver surgido recentemente, marque ainda mais rápido.

Exemplo prático

Minha vizinha teve uma filha nascida prematura, trinta e duas semanas. No exame de rotina aos dois meses, o oftalmologista não identificou alterações. Mas na foto de seis meses, com flash, apareceu um ponto branco no olho esquerdo. Levaram ao pediatra, que encaminhou para oftalmologia urgente. O diagnóstico foi retinoblastoma estágio II. Tratamento com quimioterapia e laser. O olho foi salvo. Dois anos depois, a criança vê bem com o olho afetado. Se aquela foto tivesse sido ignorada ou considerada "só reflexo", o tumor poderia ter crescido e causado perda visual irreversível ou pior.

Recursos e apoio

O Instituto Oftalmológico e a Associação Brasileira de Oftalmologia têm material sobre leucocoria e retinoblastoma. O SUS oferece atendimento oftalmológico pediátrico em todas as capitais e grande parte dos municípios. Para orientação específica sobre retinoblastoma, o Centro de Referência em Oncologia Pediátrica de cada região pode ajudar. Se você mora em cidade pequena e não tem oftalmologista pediátrico perto, peça encaminhamento pelo posto de saúde. O sistema de regulação deve garantir a consulta em até quinze dias para suspeita de urgência oftalmológica.

Aviso importante

Este texto não substitui consulta médica. Se você suspeita de ponto branco no olho do bebê, leve-o a um oftalmologista. Quanto antes, melhor. A visão se desenvolve nos primeiros meses de vida e cada dia de atraso no diagnóstico pode significar perda de células ganglionares da retina que não se recuperam.