Poemas De Ricardo Reis - Poemas de Ricardo Reis by Fernando Pessoa, Paperback | Barnes & Noble®
Poemas de Ricardo Reis by Fernando Pessoa, Paperback | Barnes & Noble®

O que são os poemas de Ricardo Reis

Ricardo Reis é um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa, criado em 1913. Diferente dos outros heterônimos, ele tem uma personalidade literária completamente definida: poeta clássico, epicoúreo, adepto da medida greco-latina, neta ao paganismo pagão e ávidos pela serenidade estoica. Os seus poemas seguem formas clássicas, sonetos, odes, sátiras e épicos, com temas como a fugacidade da vida, o carpe diem, a natureza e a indiferença perante o destino. O heterônimo pertence ao grupo dos «ortónimos», ou seja, têm personalidade poética própria mas partilham o mesmo nome do autor real (Fernando Pessoa). Reis escrevia em português mas com uma forte influência latina, usando formas métricas tradicionais como o decassílabo e a forma soneto, sem rima ou com rimas esquematizadas.

como estudar poemas de ricardo reis de forma eficaz

O primeiro passo é compreender que Ricardo Reis não é um pseudónimo qualquer. Ele é um projeto literário consciente, com uma voz poética deliberadamente diferente da do «ortónimo» Fernando Pessoa. Isso significa que abordá-lo como se fosse simplesmente «Pessoa escrevendo sob outro nome» é um erro comum que leva a interpretações equivocadas. Recomendo começar pela edição da Assírio & Alvim ou pela Fundação Eng. António de Almeida, que trazem notas críticas úteis. A coletânea «O Menino da Praça» (2013) também é uma boa introdução, pois junta os principais poemas organizados por tema.

Uma coisa que muita gente não percebe: os poemas de Ricardo Reis não são apenas «poemas bonitos com temas filosóficos». Eles têm uma estrutura interna muito específica. Cada poema segue padrões métricos rigorosos, e a escolha da forma (ode, soneto, épica) está diretamente ligada ao conteúdo. Por exemplo, as «Odes» de Reis são estruturadas em estrofes de nove versos decassílabos com esquema de rimas ABBAABABB, algo que poucos leitores notam na leitura casual. Outro ponto importante é o contexto histórico. Reis vive no período entre guerras, influenciado pelo classicismo renascido no século XIX e pelo revivalismo greco-latino. Isso explica o tom deliberadamente «antigo» dos seus versos, como se ele estivesse a recriar uma voz poética de outrora, não a expressar emoções contemporâneas.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O problema prático que encontrei ao estudar estes poemas foi a dificuldade em distinguir o que é «voz de Reis» do que é «eco de Pessoa». Há momentos em que a linha é tênue. A minha solução foi comparar poemas semelhantes escritos por diferentes heterónimos (como Álvaro de Campos) para perceber onde termina a voz de Reis e começa a de outro persona. Isso ajudou-me a identificar padrões recorrentes: a repetição de imagens como «a flor», «o dia», «o mar», «a pedra», «a sombra» e o uso de referências mitológicas específicas (Apolo, Diana, Vénus). Uma nuance avançada que poucos mencionam: Ricardo Reis raramente usa a primeira pessoa do singular nos seus poemas. Quando aparece, é quase sempre num tom de observador externo, nunca de sujeito lírico comprometido. Isso é diferente de Alberto Caeiro, que fala como «eu» de forma direta, ou de Álvaro de Campos, cuja primeira pessoa é explosiva e subjetiva. Reis mantém distância. A impersonalidade é uma escolha estética, não uma limitação.

Outro detalhe técnico: a pontuação em Reis é deliberadamente contida. Ele evita exclamações, interjeições e recursos dramatizantes. Os seus poemas são frios, medidos, quase cirúrgicos. Se um poema de Reis parece «emocional», provavelmente é porque o leitor está a projetar sentimentos que o texto não contém. A emoção em Reis é implícita, não declarada. Para quem quer ir além da leitura superficial, recomendo consultar os manuscritos originais no Arquivo Fernando Pessoa. Lá é possível ver correções, riscas e anotações que mostram como Reis refinava cada verso. Isso dá uma ideia do trabalho artesanal por trás da aparente simplicidade.

por onde começar

Se queres uma entrada prática, começa pelos poemas mais curtos e acessíveis: «Ode Marítima» (embora esta seja mais de Campos, há ecos reisianos), «O Guardador de Rebanhos» (Caeiro, mas útil para contraste), e depois foca-te nas «Odes» de Reis propriamente ditas. A sequência lógica é: ler os poemas, analisar a forma, depois contextualizar. Não esperes encontrar confissão pessoal ou drama existencial. Reis não está a desabafar. Ele está a construir algo. E isso exige paciência do leitor.