Poema Sobre São Paulo - Poema Filosófico sobre São Paulo | PDF
Poema Filosófico sobre São Paulo | PDF

Um poema sobre são paulo

poema sobre são paulo

poema sobre são paulo não é algo que se escreve de cabeça fria. Ou pelo menos não funcionou pra mim quando tentei fazer isso de forma planejada. A cidade te ataca de qualquer ângulo e o resultado na página depende mais de quanto você aguenta do que de técnica mesmo. Achei um espaço no trem da Linha 1-A, sentando do lado da janela, com o trânsito parada de tarde numa manhã de quarta. Isso é o que funciona. Sentar num café e tentar inspirar só gera coisa genérica que ninguém lê. O cheiro de gasolina misturado com o pão da padaria na Consolação já é melhor início que qualquer verso construído.

O problema real é o volume. São Paulo não entra num poema sem cortar tudo ao redor. Eu ia tentando colocar o Metrô, o Minhocão, a vista do Mirante de Guarapiranga e a fila do balcão no Banespa tudo junto e o resultado virava lista de compras. A solução foi simples: escolher uma coisa. Eu escolhi a luz. Específico demais pra funcionar, mas foi o que prendeu o texto sem espalhar. Aqui está o que ficou:

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O céu vira lona suja
em cima da Paulista
ao meio-dia.
Um homem atravessa
sem olhar pra direita nem esquerda,
com a caixa de isopor
apertada contra o peito
como se carregasse
todo o peso dos ônibus
que cantam buzina
no sinal fechado.
A luz cai em cima
de quem não pede permissão
pro passar do dia.
Eu vi isso de pé
na escadaria do MAM,
com o vento vindo
direto do rio Tietê
e não consegui não
ficar calado. O que eu aprendi na prática é que o último verso precisa ser mais fraco que o resto. Versos fechados com força total ficam empinados. Esse texto é assim. A última linha cai baixa propositalmente, porque é assim que São Paulo encerra a cena: sem anúncio, só sumindo entre o ruído que já tá ali desde antes de você chegar.

Se você for escrever outro, anotações de campo ajudam mais que revisão. Eu passo uns dez minutos anotando nomes próprios e lugares exatos. Quando volto pros versos, esses detalhes seguram a coisa no chão. Verso solto sem ponto fixo vira prosa bonita, que é o destino da maioria dos poemas sobre São Paulo que eu vejo circulando.