Poema Sobre O Tempo Mario Quintana - O TEMPO (Mário Quintana) | Poema sobre o tempo, Poema o tempo, Reflexão ...
O TEMPO (Mário Quintana) | Poema sobre o tempo, Poema o tempo, Reflexão ...

Mario Quintana e a reflexo sobre o tempo em sua obra

Quem lê Quintana pela primeira vez costuma se pegar parado no meio da sala, olhando pro relógio como se ele tivesse dito algo pessoal. O tempo não é um tema que ele aborda de frente. Ele deixa o tempo entrar na sala, senta no sofá, e só então começa a conversar. Essa é a característica mais marcante dos poemas de Mario Quintana sobre o tempo.

Conheça o poema sobre o tempo mario quintana

O poema mais citado quando se fala nessa relação é aquele que começa com a ideia de que não se sabe por onde o tempo entra, mas sabemos quando ele vai embora. Quintana não inventa metáforas grandiosas. Ele descreve o cotidiano com uma precisão cirúrgica. O tempo aparece nas coisas simples: num copo d'água esquecido, num ponto final mal colocado, num olhar que demora um segundo a mais do que deveria. Eu mesma, numa tarde qualquer, estava revisando um texto sobre literatura brasileira quando me deparei com uma passagem em que Quintana diz algo como "o tempo é o único artista que nunca retrata o modelo". Pensei: isso não é poesia, é diagnóstico. Tentei explicar pros alunos na graduação e um deles levantou a mão e perguntou se o tempo também pode ser visto como uma forma de violência. Não sabia o que responder na hora. A resposta veio anos depois, quando li de novo e percebi que a violência estava no silêncio entre as linhas.

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O que poucos percebem é que Quintana não escreve sobre o tempo passando. Ele escreve sobre o tempo sendo vivido, sentido, desperdiçado. Há uma diferença enorme. Quando alguém diz "o tempo voa", está tratando o tempo como objeto externo. Quintana trata o tempo como sujeito. Ele pergunta: quem somos nós quando o tempo não está olhando? Outra nuance que passa despercebida: em muitos desses poemas, o tempo não tem direção. Ele não vai pra frente nem pra trás. Ele simplesmente está. E nessa presença constante mora a angústia quintanesca. Não é a finitude que assusta, é a infinitude do agora que escorre pelos dedos como água morna.

Gosto de citar trechos específicos. Em "Onde andará a fauna?", por exemplo, há uma passagem sobre o tempo que nunca citei em aula porque os alunos riem. Mas rir é a melhor reação. Quintana também ria. Ele ria das nossas pressas, dos nossos cronogramas, da nossa crença de que podemos agendar a vida. Se houver limitações nessa abordagem, é que ela não funciona para quem precisa de respostas práticas. Quintana não resolve problemas. Ele os nomeia. E às vezes o nomear já é demais. Prefiro deixar assim, sem conclusión, sem resumo, sem aquela frase de efeito que todo mundo copia.