Pleonasmo Exemplos De Frases - Pleonasmo Exemplos De Frases - GITEDU
Pleonasmo Exemplos De Frases - GITEDU

O que é pleonasmo e por que todo mundo usa errado

Pleonasmo é a repetição de uma ideia já expressa por outras palavras na mesma frase. Na prática, você diz o mesmo duas vezes, mas com termos diferentes. A gramática tradicional separa dois tipos: o pleonasmo vicioso, que é considerado erro, e o pleonasmo verbo-objetivo, que é necessário em certos contextos estruturais do português. Muita gente confunde os dois e acaba corrigindo o que deveria estar certo, ou ignorando o que realmente precisa ser corrigido. A distinção importa porque o efeito comunicativo é completamente diferente em cada caso.

Pleonasmo exemplos de frases

Aqui vão os casos mais comuns que aparecem no dia a dia, separados pelo tipo. Nos exemplos de pleonasmo vicioso, a repetição não traz informação nova e soa redundante. Nos exemplos corretos, a estrutura exige o pronome átono porque o objeto já está deslocado ou topicalizado. Pleonasmo vicioso (evitar):

Subir para cima da escada. Ver com os próprios olhos. Entrar para dentro do salão. Ouvir com os ouvidos. Obedecer com escrupulosidade. Descer para baixo da rampa. Avançar para frente no processo. Mudar de ideia completamente. Pleonasmo verbo-objetivo (correto em português padrão):

O livro que li foi antigo. A casa em que moramos é grande. O dinheiro que ele pediu foi devolvido. A amiga que vi ontem estava atrasada. O assunto de que falamos continua aberto. A diferença entre os dois grupos é estrutural, não apenas estilística. No primeiro, o advérbio ou preposição repete uma informação já contida no próprio verbo. No segundo, o pronome relativo ou átono é o mecanismo sintático que liga o sujeito ao verbo, e retirá-lo gera uma frase Gramaticalmente comprometida.

Eu já vi revisores de texto eliminarem o pleonasmo verbo-objetivo achando que estavam fazendo uma correção. O resultado era uma frase como "o livro que foi lido por mim foi antigo", que é muito pior do que o original. A solução é aprender a identificar qual grupo a construção pertence antes de qualquer intervenção.

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Como identificar na prática

O teste mais direto é substituir o verbo pelo seu sinônimo mais próximo e verificar se a preposição ou advérbio que acompanha a frase deixa de fazer sentido. Se você disser "ver com os próprios olhos" e tentar trocar "ver" por "contemplar", a frase "contemplar com os próprios olhos" soa estranha porque o verbo já carrega a ideia de percepção visual. A redundância é clara. Quando se trata do pleonasmo verbo-objetivo, o teste é diferente. Tente remover o pronome relativo. Em "o livro que li foi antigo", se você tirar "que", sobra "o livro li foi antigo", o que é sintaticamente inviável. O pronome é obrigatório, não opcional. Essa é a marca do pleonasmo estrutural, e é por isso que ele não pode ser simplesmente descartado como redundância.

Um problema prático que encontrei recentemente envolvia um texto técnico onde o autor usava "entrar em contato com a equipe para que possam dar entrada no processo". O "dar entrada" é um pleonasmo vicioso amplamente difundido em ambiente corporativo. A correção seria simplesmente "processar o processo" ou, melhor ainda, "iniciar o processo". A repetição de "entrada" e "processo" não só tornava a frase pesada como gerava ambiguidade, porque o leitor precisava decidir se "entrada" se referia ao contato inicial ou ao registro formal no sistema. A Workaround foi substituir por "entrar em contato com a equipe para iniciar o processo", reduzindo dois verbos redundantes para um único verbo claro. Outro detalhe que pouca gente leva em conta é que o pleonasmo vicioso às vezes aparece em contextos onde a intensidade é desejada. Expressões como "gritar bem alto" ou "chorar copiosamente" são redundantes do ponto de vista estritamente lógico, mas funcionam como recursos enfáticos na linguagem coloquial. O problema surge quando esse registro informal migra para textos formais sem a devida consciência. Um parecer jurídico ou um relatório técnico não se beneficia desse tipo de intensificação redundante.

Pegadinhas comuns

Existem construções que parecem pleonasmo mas não são. "Falta com a palavra" não é redundante porque "faltar" neste contexto significa descumprir, não ausência. "Subir o morro" é correto quando se refere a subir a ladeira de um morro, enquanto "subir para cima" é a redundância clássica. A preposição ou advérbio faz toda a diferença. O uso de "completamente" depois de adjetivos que já expressam totalidade é outro erro frequente. Algo completamente novo não precisa do advérbio. Alguém totalmente incapaz não precisa do reforço. Mas aí temos outra nuance: em português falado, esse tipo de intensificador é extremamente comum e raramente causa mal-entendido. O custo de corrigir isso varia conforme o registro desejado. Em uma redação escolar, a correção é quase obrigatória. Em um e-mail interno, pode passar despercebido.

Acredito que o principal obstáculo para dominar esse tema é a exposição limitada a textos bem revisados. A maioria das pessoas aprende português pela fala e pela internet, onde o pleonasmo vicioso é onipresente e raramente contestado. Isso cria uma impressão errada de que certas construções são aceitáveis universalmente, quando na verdade a aceitação varia enormemente entre registros formais e informais. Se o objetivo for aplicar essa análise a grandes volumes de texto, ferramentas de revisão automática podem ajudar, mas elas têm uma limitação séria: muitas confundem o pleonasmo vicioso com o verbo-objetivo e marcam frases corretas como erradas. No meu caso, configurei filtros específicos no editor para ignorar as estruturas com pronomes relativos antes de passar pelo verificador manual, o que reduziu significativamente os falsos positivos.

O que funciona de verdade é revisar o texto com foco exclusivo nesse problema uma primeira vez, lendo cada frase perguntando se o advérbio ou preposição adiciona algo novo ou apenas repete o verbo. A resposta rápida para a maioria dos casos é que não adiciona. Só os exemplos do segundo grupo resistem a esse teste porque são estruturalmente necessários.