Personagens De Robinson Crusoe - Histoire De Robinson Crusoe – Robinson Crusoé – LJPRRC
Histoire De Robinson Crusoe – Robinson Crusoé – LJPRRC

Quem são os personagens de Robinson Crusoe

Voltando aos livros que li em 2003 na faculdade, Robinson Crusoe é uma daquelas obras que todo mundo já ouviu falar mas pouca gente leu inteira. O personagem principal é óbvio, mas tem uns caras que a maioria das pessoas nem lembra que existem. Vou listar do jeito que eu lembro, com as ressalvas do caso.

principais personagens de robinson crusoe

Robinson Crusoe é o protagonista e narrador, um inglês que nasce em 1632 em York. Ele desce pro mar ainda jovem porque o pai mandava ele ser advogado, mas obviamente não presta pra isso. Passa por escravidão no Norte da África, escala de volta, vira capitão, naufraga na ilha — o resto é história. O que a galera esquece é que Defoe dedica boas páginas pra vida dele antes de chegar na ilha, o que dá profundidade pros leitores que estão acompanhando de verdade. Um detalhe que muita gente não nota: Robinson não chega na ilha sozinho de cara. Antes do naufrágio final, ele fugia num barco com um menino moleque chamado Xury. Era um garoto mouro que ajudou ele a escapar dos piratas. Xury fica pra trás depois que um capitão português os resgata, e Robinson basicamente vende ele como escravo. Defoe trata isso de forma muito mais ambígua do que as adaptações infantis costumam mostrar.

Tem ainda o pai dele, que aparece no início e é a voz da prudência que Robinson ignora. Não é um personagem profundo, mas a cena em que ele alerta sobre a "condição média" da vida é meio crucial pra entender o que tá se passando com o Robinson ali. Passemos pras coisas que acontecem na ilha. Friday é o cara mais famoso depois do Robinson, claro. Ele é um indígena caribe que Robinson resgata de um grupo de canibais. O nome vem do dia em que foi resgatado, sexta-feira. A dinâmica entre os dois é complicada — tem questão deColonialismo, de linguagem, de poder. Robinson ensina português (não inglês, porque Defoe escreve como se ele estivesse usando português por padrão) e catequização. É um retrato do século XVIII bem vívido, e não dá pra ler sem notar isso.

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Tem também os outros prisioneiros que aparecem depois. Um governador espanhol, um padre, vários outros europeus que acabaram presos ali de uma forma ou de outra. E os canibais, que aparecem ocasionalmente pra fazer as coisas ficarem mais tensas. Deixei uma coisa de fora de propósito: as edições. Achei em 2018 que ia recomendar a tradução da editora Pensamento, mas li uma cópia do projeto Gutenberg em inglês puro e achei melhor. A versão em português costuma ter cortes — não sei direito quais são os trechos removidos, mas tem gente que compara versão por versão e acha diferenças significativas. Se for ler de verdade, pega uma versão integral. As escolares cortam umas 30 páginas que são importantes pra entender o arco do Robinson.

Outra observação que talvez não faça sentido pra quem tá lendo só pra escola: o livro é bem mais longo do que a maioria imagina. São quase 350 páginas na edição padrão, e cerca de dois terços disso acontece depois do naufrágio. O problema é que as pessoas esperam uma aventura de sobrevivência o tempo todo, mas tem capítulos inteiros de Robinson organizando armazenamento, aprendendo a cultivar trigo, quebrando a cabeça com olearia. É chato? Pra quem não tá acostumado com o ritmo do romance do século XVIII, sim. Eu mesmo desisti e reli numa tarde em 2022 e levei umas três horas, parado. Mas vale a pena na parte em que ele começa a pensar sobre fé e solidão. Sobre Friday especificamente, tem uma leitura pós-colonial que eu encaro com cautela. Não tenho formação em estudos literários avançados, então vou só com o que notei: há interpretações que dizem que Friday é uma figura subalterna e silenciada, enquanto outras veem a relação como de parceria genuína. Defoe deixa espaço pros dois lados. A obra original não resolve isso de forma clara, o que é interessante na medida em que reflete a mentalidade da época.

Se alguém quiser se aprofundar, tem o artigo da Cambridge Companion to Defoe que fala disso, mas sinceramente não me recordo do título exato. O que posso confirmar é que há edições críticas com notas de rodapé bem detalhadas sobre os aspectos históricos e coloniais. Achei uma em 2020 que custava uns trinta reais numa livraria online — pode ser que ainda existam cópias disponíveis. Resumo sem jeito de resumo: os personagens principais são Robinson Crusoe, Xury, Friday, o pai e os companheiros que aparecem depois da ilha. O livro tem camadas que valem a pena se você tiver paciência com o ritmo dele.