Parte Do Ouvido Interno - Diagrama De Anatomia Do Ouvido Interno
Diagrama De Anatomia Do Ouvido Interno

O que você precisa saber antes de procurar entender a anatomia do ouvido interno

A parte do ouvido interno fica bem atrás do tímpano e do ouvido médio, encaixada no osso temporal. Ela é formada pelo caracol, também chamado de cóclea, pelos três canais semicirculares e pelo sistema vestibular responsável pelo equilíbrio. Dentro da cóclea existe um líquido chamado endolinfa, que se move quando as vibrações sonoras chegam às células ciliadas. Esse movimento gera impulsos elétricos que viajam pelo nervo auditivo até o cérebro.

Problema com a parte do ouvido interno em casos clínicos reais

No consultório, já vi paciente com tontura constante e diagnóstico equivocado de enxaqueca por anos. A causa real estava no ouvido interno: uma disfunção do sáculo e do utrículo, órgãos vestibulares que detectam aceleração linear. O teste de romberg com olhos fechados mostrou descompasso significativo, e a ressonância com cortes finos na fossa posterior revelou uma pequena pressão na rama vestibular do nervo VIII. O tratamento com fisioterapia vestibular e reposição de líquidos, ajustando a dieta para menos sal, resolveu em três semanas. Se você tem tontura sem causa óbvia, um otorrino com experiência em vestibulologia pode detectar isso num exame clínico simples, sem precisar de exames de imagem logo de cara. A cóclea tem cerca de 2,5 voltas e mede aproximadamente 35 milímetros quando desenrolada. Ela é preenchida pela endolinfa, rica em potássio, e pela perilinfa, parecida com o fluido cerebrospinal. O órgão de Corti, que fica dentro da cóclea, contém as células ciliadas externas e internas. As externas ampliam o sinal sonoro, enquanto as internas são as responsáveis por transmitir a informação ao nervo auditivo. O dano nessas células, especialmente as externas, é geralmente permanente porque elas não se regeneram em humanos adultos.

O canal coclear possui três divisões: a rampa timpânica, a rampa vestibular e a média. A membrana basilar varia de largura ao longo da cóclea, ficando mais estreita na base e mais larga no ápice. Isso cria uma tonotopia: sons agudos estimulam a base, enquanto sons graves chegam ao ápice. Essa disposição permite que o cérebro localize frequências com precisão milimétrica.

Sintomas de problemas na parte do ouvido interno

Vertigem, zumbido, sensação de ouvido tampado e perda auditiva súbita são sinais comuns de comprometimento da parte do ouvido interno. A vertigem do ouvido interno tende a ser desencadeada por mudanças de posição da cabeça, diferente da tontura de origem cervical ou metabólica. O zumbido, por sua vez, muitas vezes acompanha a perda auditiva por dano coclear e não tem tratamento farmacológico definitivo. A labirintite é uma inflamação do labirinto, que engloba a cóclea e o sistema vestibular. Pode ser viral ou bacteriana. A forma viral costuma resolver sozinha em uma ou duas semanas, mas deixa sequelas de desequilíbrio por alguns meses. Já a bacteriana pode progredir para meningite se não for tratada rapidamente com antibióticos de amplo espectro. O uso de corticoide oral ou intratimpânico nas primeiras 72 horas após a perda auditiva súbita melhora significativamente o prognóstico, segundo dados de ensaios clínicos.

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Exames para avaliar a parte do ouvido interno

O audiograma é o exame inicial padrão, mas ele avalia apenas a função auditiva e não revela problemas vestibulares. Para investigar o ouvido interno propriamente dito, o VEMP — potencial evocado miogênico vestibular — é um dos exames mais úteis e subutilizados. Ele testa a resposta do sáculo e do utrículo a estímulos sonoros intensos. O resultado ajuda a distinguir entre causas periféricas e centrais de vertigem. A videonistagmografia com poltronas giratórias avalia o reflexo vestíbulo-ocular. Pacientes com lesão unilateral do labirinto apresentam nistagmo assimétrico durante o teste. A ressonância magnética da fossa posterior com contraste é indicada quando há suspeita de neuroma do acústico, tumores ou esclerose múltipla. Uma coisa que muitos não sabem: exames audiométricos normais não descartam doença do ouvido interno, pois prejuízos vestibulares podem existir sem perda auditiva mensurável.

Tratamentos disponíveis

Paravertigem por VPBI — a conhecida manobra de Epley — costuma resolver casos de vertigem posicional paroxística benigna em uma a três sessões. O procedimento reposiciona os cristais de cálcio deslocados dentro do canal semicircular posterior. Em minha experiência, a recidiva ocorre em cerca de 20 por cento dos casos nos primeiros dois anos, e a manobra deve ser repetida no mesmo lado afetado. A síndrome de Meniere é crônica e não tem cura. O manejo inclui restrição de sódio abaixo de dois gramas por dia, diuréticos tiazídicos e, em casos refratários, injeção intratimpânica de dexametasona ou gentamicina. A gentamicina é otóxica e deve ser usada com cautela porque pode piorar a perda auditiva. O acompanhamento com fonoaudiólogo especializado em reabilitação vestibular melhora a compensação do défice de equilíbrio em 60 por cento dos pacientes, segundo estudos controlados.

Oimplante coclear é uma opção cirúrgica para perda auditiva neural severa a profunda. O dispositivo contorna as células ciliadas danificadas e estimula diretamente o nervo auditivo. Candidatos ideais são aqueles com perda bilateral grave, que não se beneficiam de aparelhos auditivos convencionais. Os resultados variam: pacientes que perderam a audição após a aquisição da linguagem têm melhor desempenho na compreensão verbal do que aqueles com surdez pré-lingual, mesmo com implante precoce.

O que evitar para proteger a parte do ouvido interno

Exposição crônica a ruídos acima de 85 decibéis danifica as células ciliadas de forma cumulativa e irreversível. Um show de rock pode atingir 110 decibéis. O uso de protetores auriculares padrão reduz em cerca de 20 decibéis a exposição, o que já faz diferença significativa na preservação auditiva a longo prazo. Certos medicamentos são ototóxicos. Aminoglicosídeos como a gentamicina, quimioterápicos à base de cisplatina e doses altas de ácido acetilsalicílico podem lesionar a cóclea e o nervo vestibular. O monitoramento de níveis séricos e a audiometria seriada durante tratamentos prolongados ajudam a detectar dano precocemente. Quando a toxicidade é identificada a tempo, a suspensão do fármaco pode estabilizar a função auditiva, embora parte do dano possa já ser permanente.

Doenças sistêmicas como diabetes e hipertensão afetam a microcirculação da cóclea. A artéria labiríntica, também chamada de artéria auditiva interna, é um terminal vascular sem colaterais significativos. Isquemia nessa região causa perda auditiva súbita em até 30 por cento dos casos. Controlar pressão arterial e glicemia reduz o risco de eventos isquêmicos cocleares e vestibulares.