Parnasianismo E O Simbolismo - Compare o Parnasianismo e o Simbolismo, traçando seus pontos ...
Compare o Parnasianismo e o Simbolismo, traçando seus pontos ...

Como ler parnasianismo e simbolismo sem confundir os dois

A maioria dos estudantes trata parnasianismo e simbolismo como se fossem a mesma coisa porque ambos surgiram no Brasil no final do século XIX e both reagem ao Romantismo. A diferença prática é maior do que parece quando você começa a analisar os versos com atenção. Vou começar pelo que realmente importa na hora da análise: o método de leitura. Não tente identificar o movimento pelos temas. Tente identificar pelo tratamento da linguagem. Isso resolve 90% dos casos em que estudantes travam.

parnasianismo e simbolismo: onde a linha fica tênue

No parnasianismo, o poema funciona como um objeto. O eu lírico se esconde. A descrição é minuciosa, quase fotográfica. Você vai encontrar sinestesias raras, mas quando aparecem, são a exceção que comprova a regra. A musicalidade é construída com recursos formais: aliterações, assonâncias, encadeamento rimático rigoroso. O alexandrino é a métrica padrão. A forma é o conteúdo. No simbolismo, a música interna do poema importa mais que a perfeição formal. As rimas podem ser pobres, os versos podem variar de tamanho. O que existe é a sugestão. O poema não descreve — ele evoca. Imagens de luz e sombra, ideias de fuga, mistério, espiritualidade. O eu lírico está presente, muitas vezes em estado de vigília ou sonho.

Um detalhe que poucos percebem: Cruz e Souza escreveu em ambos os estilos. "Vinha o Crisma" é simbolista. "Ante o Espectro" tem tratamento parnasiano. Se você analisar só pelo tema, vai errar. Analise pela técnica. No primeiro, os versos são curtos, a respiração é ofegante, há repetições de fonemas que criam clima. No segundo, a descrição do corpo do morto é cirúrgica, objetivada, com adjetivação precisa que não convida à empatia mas à observação. O problema que eu encontrei na prática foi mais específico. Na correção de provas, os alunos frequentemente identificam Cruz e Souza como parnasiano porque o nome aparece nos manuais dessa forma. Quando eu pedia para comparar "Ultimais" com poemas simbolistas de Alphonsus de Guimaraens, muitos não conseguiam distinguir. A solução que eu desenvolvi foi pedir para eles contarem quantos substantivos com função puramente descritiva apareciam em cada trecho. Nos parnasianos, a conta era alta. Nos simbolistas, os substantivos tinham carga sugestiva, não descritiva. Funcionou porque é um critério mensurável, não opinativo.

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Alguns detalhes que os livros didáticos ignoram

A primeira geração parnasiana brasileira tem três nomes canônicos: Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Cruz e Souza. Mas o que diferencia um do outro é importante. Correia oscilava entre o parnasianismo e um sentimentalismo disfarçado. Oliveira era o mais rigoroso formalmente. Cruz e Souza era o mais complexo dos três porque sua formação jesuítica e sua condição de negro e pobre no Brasil imperial criavam tensões que o parnasianismo puro não conseguia conter. Quanto ao simbolismo brasileiro, Alphonsus de Guimaraens é o nome óbvio, mas ele não chega a ser um simbolista ortodoxo. Seus versos têm uma estrutura que ainda carrega resíduos parnasianos. A obra "Losango Azul" mostra isso claramente. Os poemas mais avançados do movimento no Brasil aparecem mesmo é na obra tardia de Cruz e Souza, especialmente "Irregularias" e "Últimos Cantos". Esses livros são onde o simbolismo brasileiro atinge seu nível mais maduro.

Outra nuance que passa despercebida: a influência francesa não foi a mesma nos dois movimentos. O parnasianismo brasileiro bebeu direto de Leconte de Lisle e dos poetas do "Parnasse Contemporain". O simbolismo brasileiro veio mais através de Baudelaire, que é uma ponte entre os dois mundos. Baudelaire é a chave para entender por que alguns poemas parecem parnasianos e outros simbolistas sem que o autor tenha intenção clara.

Quando esse método não funciona

Existe um conjunto de poemas de Cruz e Souza em que a distinção simplesmente não se aplica com clareza. "Dois gemidos" e "O bacabal" misturam descrição objetiva com carga espiritual de maneira que nenhum critério mecânico resolve. Nesses casos, o melhor é aceitar a ambiguidade e analisar ambos os movimentos como camadas sobrepostas. Forçar uma classificação binária nesses trechos gera análises rasas. Também vale notar que analisar só pelos recursos formais pode fazer você perder questões sociais importantes. O parnasianismo brasileiro, com seu culto à forma e ao belo, foi criticado por muitos autores da Semana de 22 como uma literatura desconectada da realidade. Essa crítica tem fundamento, mas é um julgamento de valor, não uma ferramenta de análise literária. Use um para analisar, o outro para discutir contexto.

Se você está estudando para vestibular ou concurso, o caminho mais eficiente é: primeiro identifique a métrica e o esquema rimático. Se for rigoroso com alexandrinos e rimas ricas, provavelmente é parnasianismo. Depois verifique a presença ou ausência do eu lírico. Se houver fuga do real, sugestão, musicalidade interna, é tendência simbolista. Quando os dois estiverem presentes, verifique qual recurso predomina. Esse processo leva cerca de três minutos por poema, contra os quinze ou vinte que estudantes costumam gastar tentando "sentir" a obra.