Palavras Para Usar Na Redação Do Enem - Conectivos para sua redação do ENEM | Palavras para usar no enem ...
Conectivos para sua redação do ENEM | Palavras para usar no enem ...

A verdade sobre palavras de conexão na redação do enem

O maior erro que eu já vi em corretores iniciantes é achar que o aluno precisa empurrar oito conectivos diferentes em cada parágrafo para parecer culto. Nada disso. O que realmente diferencia uma redação nota 900 de uma que fica presa em 600-700 não é a quantidade de palavras bonitas, mas a adequação lógica entre elas. Usar "contudo" quando na verdade você está estabelecendo uma causa, ou "portanto" no lugar de um contraste, é mais prejudicial do que simplesmente não usar nenhum conectivo. Eu corrigia redações durante o ENEM por anos e posso te dizer com certeza: um correlativo bem colocado vale mais do que dez empilhados sem função. O avaliador não está contando quantas palavras do tipo "outrossim" apareceram. Ele está verificando se o argumento segue encadeamento lógico coerente entre os períodos e os parágrafos.

Palavras para usar na redação do enem: o que realmente funciona

Vamos direto ao que há para usar. As classes de conectivos mais relevantes se dividem assim: Adversativos — para opor ideias ou apresentar contrapontos: contudo, entretanto, todavia, porém, não obstante, (sim, aparece em provas mais exigentes), ao passo que, enquanto isso. O uso mais comum é no segundo parágrafo, para apresentar o problema ou sua complexidade antes de sugerir uma solução. "Embora o governo tenha implementado políticas públicas, a desigualdade persiste" é mais efetivo do que encher o texto de "porém" soltos.

Causais — para justificar afirmações: pois, porque, visto que, uma vez que, dado que, em razão de, em face de. O problema aqui é que muitos alunos confundem causalidade com consequência. "A violência aumentou, pois a educação melhorou" é logicamente absurdo. Verifique sempre se a relação de causa e efeito faz sentido antes de usar. Conclusivos — para fechar argumentos: portanto, logo, assim, desse modo, dessa forma, por conseguinte, em consequência. A dica prática é: use conclusivos apenas quando você realmente estiver tirando uma conclusão dos argumentos que apresentou. Não adianta colocar "logo" no meio de um parágrafo se a conclusão não estava sendo construída ali.

Alternativos — para mostrar opções: ora... ora, ora...outro, quer...quer. Menos frequentes, mas aparecem bem em textos que apresentam diagnósticos com múltiplas causas ou soluções alternativas. Explicativos e aditivos: ademais, outrossim, ademais, além disso, bem como, bem como também. Estes servem para agregar informações, não para causar impacto. O excesso aqui é o que mais atrapalha — usar "ademais" depois de cada argumento soa artificial e vazio.

Condicionais e temporais: caso, desde que, se, quando, enquanto, concomitantemente, subsequentemente. Úteis para desenvolver propostas de intervenção no terceiro ou quarto parágrafo, mas sem exagero. Um aluno que enche o texto de "caso" e "se" parece mais indeciso do que argumentativo.

Um problema real que eu vi acontecer

Eu lembro de uma redação específica de 2019, tema sobre migração forçada, em que o candidato usou a expressão "diante do exposto acima" no início do terceiro parágrafo. O problema é que "exposto acima" se refere a algo que já foi desenvolvido textualmente, e naquele ponto do texto nada tinha sido realmente exposto — o segundo parágrafo era praticamente uma continuação do primeiro, sem argumentação consolidada. A expressão ficou solta, sem referencial real. O resultado foi uma quebra de coesão que custou pontos na competência 3. A solução que eu recomendo é simples: antes de usar qualquer conectivo de retomada, verifique se o conceito ou argumento que ele deveria retomar realmente existe no texto anterior. Se não existe, ajuste o conteúdo primeiro, depois insira o conectivo. Nunca o contrário.

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O que a maioria dos alunos erra

O principal equívoco é tratar palavras de conexão como ornamento. Elas não são decorações, são estruturas lógicas. Quando um aluno escreve "O Brasil é um país gigante, contudo, a pobreza ainda existe" e em seguida repete "porém, muitas pessoas sofrem" no parágrafo seguinte, ele está usando dois conectivos adversativos para a mesma função repetitiva. O avaliador lê isso e percebe que o aluno não sabe diferenciar nuance argumentativa. Outro erro crônico é a substituição de termos por sinônimos forçados. Trocar "mas" por "não obstante" em todo o texto não torna a redação melhor — tornaela artificial. A norma culta permite variedades; o excesso de formalidade forçada é que chama atenção negativa.

Há também o problema dos conectivos que são usados corretamente na forma, mas incorretamente na função lógica. "Por consequência" e "por isso" são frequentemente confundidos. "Por isso" indica causa-consequência real; "por consequência" é redundante e pouco usado na prática escrita formal. Prefira "consequentemente" ou simplesmente reestruture a frase para evitar o conectivo.

Competência 3 é a chave

A competência 3 da banca ENEM avalia especificamente a organização e a articulação do texto. Isso significa que as palavras de conexão entram direta e pesadamente nessa avaliação. Não adianta ter argumentos brilhantes se eles estão soltos, sem encadeamento. O segredo aqui é a progressão temática: cada parágrafo deve se relacionar logicamente com o anterior, e os conectivos são a cola que torna essa relação visível para o corretor. Uma estrutura eficiente é aquela em que o primeiro parágrafo apresenta o problema, o segundo analisa causas ou consequências, e o terceiro (ou quarto) desenvolve a proposta de intervenção. Os conectivos devem fazer essa transição clara. Um exemplo: "Embora a Constituição garantisse acesso universal à saúde, a realidade dos SUS mostra lacunas graves" — o "embora...mostra" articula claramente a contradição entre norma e fato.

Limitações importantes

Palavras de conexão sozinhas não salvam uma redação fraca. Se o argumento não tem fundamentação, se a proposta de intervenção não tem detalhes concretos (agente, ação, meio, fim, detalhamento), nenhum conectivo vai compensar. A competência 5, por exemplo, vale tanto quanto a 3, e não depende de vocabulário sofisticado — depende de uma proposta Viável, detalhada e respeitososa aos direitos humanos. Também é preciso considerar que o ENEM não penaliza o uso moderado de conectivos mais simples. "Mas", "porque", "então", "por isso" são perfeitamente aceitáveis e muitas vezes mais eficazes do que sinônimos rebuscados mal empregados. A banca busca clareza, não erudição ostensiva.

Se o seu objetivo é simplesmente decorar uma lista de palavras bonitas e usá-las mecanicamente, o resultado provavelmente será pior do que se você se concentrasse em construir argumentos sólidos com conectivos funcionais. A progressão de ideias com coesão adequada resolve mais problemas do que um vocabulário variado sem substância.

Resumo prático para aplicar amanhã

Antes de escrever, mapeie os parágrafos que você vai desenvolver e defina a função lógica de cada um. Depois, escolha conectivos que correspondam a essas funções, não aos que você Memorizou. Use no mínimo dois tipos de conectivo por parágrafo, mas apenas se fizerem sentido lógico. E verifique, ao reler, se cada um deles está sendo usado com a função correta — adversativo para oposição, causal para causa, conclusivo para conclusão. Qualquer descompassos nisso é o que mais gera perda de pontos na competência 3, e é também o mais fácil de corrigir com revisão. O que mais importa é que o texto fluja com encadeamento claro. Conectivos bem posicionados guiam o corretor pelo seu raciocínio. Conectivos mal posicionados confundem até mesmo um argumento bom.