Otorrinolaringologia O Que Faz - O Que Faz um Otorrino? - Dra. Aline Figueiredo Nicolau ...
O Que Faz um Otorrino? - Dra. Aline Figueiredo Nicolau ...

O otorrinolaringologista na prática

Aotorrinolaringologia, ou ORL, cuida de tudo que envolve oídos, nariz, garganta e as estruturas da cabeça e pescoço. Múltiplas coisas acontecem aí: alergias, sinusite, apneia do sono, perda auditiva, problemas de deglutição, tumores de cabea e pescoo, distúrbios vestibulares. uma especialidade grande demais para caber em um resumo. Muita gente acha que o otorrino s abre orelha e manda examinar a garganta. Na verdade, o trabalho diário envolve desde rinossinusalite crônica com polipose até tumor da glândula tireoide, passando por cirurgia de septo nasal e implante coclear.

otorrinolaringologia o que faz no dia a dia

O otorrinolaringologista faz diagnósticos que outras especialidades perdem porque os sintomas parecem genéricos. Dores de cabeça tensional, zumbido, falta de ar noturna, disfonia que não passa com repouso vocal. O médico vai direto para endoscopia de vias aéreas superiores ou audiofrequência completa. Um detalhe que poucos sabem: a ORL também lida com o sistema vestibular. Vertigem posicional paroxística benigna a causa número um de tontura no consultório. O manejo simples com a manobra de Epley, mas muitos pacientes passam anos sendo tratados como ansiosos antes de receberem o diagnóstico correto.

Outro ponto cego: a relação entre apneia obstrutiva do sono e hipertensão arterial. Se você tem PA alta resistente a três medicamentos e ronca, o problema pode estar na via aérea superior. O CPAP resolve a hipertensão em muitos casos, mas nem todo pneumologista ou cardiologista faz essa conexão.

Quando procurar um otorrinolaringologista

Sintomas persistentes o critério. Dor de ouvido que não melhora em 15 dias, congestão nasal recorrente, rouquidão que dura mais de três semanas, perda auditiva progressiva. A maioria dos médicos generalistas já encaminha nesses casos, mas o tempo médio de espera para consulta especializada pode chegar a seis meses em alguns sistemas de saúde pública. Investigue também se o médico faz cirurgia ou só diagnóstico conservador. Nem todo otorrino opera. A separação entreotorrinolaringologista clínico e cirurgião de cabeça e pescoo é real e influencia diretamente o tipo de atendimento que você recebe.

Exames mais utilizados

A audiometria tonal e vocal o exame básico. Mostra o limiar auditivo em cada frequência. Se há perda acima de 25 decibéis em alguma frequência, o médico vai investigar a causa: cerume, perfuração de tímpano, presbiacusia, exposição ocupacional. A rinofibroscopia permite ver nariz, seios da face e orofaringe com resolução suficiente para identificar pólipos, desvio de septo, hipertrofia de cornetos, lesões de pregas vocais. O procedimento leva dois minutos e é bem tolerado com anestesia tópica em spray.

O teste de refluxo laringofaríngeo é subestimado. Pacientes com tosse crônica e sensação de corpo estranho na garganta frequentemente têm refluxo laringo-faríngeo, não asma. O tratamento com inibidor de bomba de prótons por 8 semanas pode resolver o quadro sem antibiótico algum.

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Uma situação complicada que eu vi na prática

Tinha um paciente com dor unilateral em região temporoparietal e zumbido pulsátil há oito meses. Todos os exames neurológicos normais. Neurologista havia fechado diagnosis de enxaqueca crônica. O zumbido estava sincronizado com o pulso. O pulso a pista. Zumbido pulsátil nUNCA é benigno. Fiz angiotomografia de cabeça e pescoço. Encontrei uma fístula arteriovenosa dural na fossa posterior, comunicação direta entre seio sagital superior e veia de Galeno. Simples assim.

A embolização endovascular resolvestudou em uma sessão. Se eu tivesse seguido o algoritmo padrão de cefaleia, esse paciente poderia ter evoluído para convulsões ou déficit neurológico progressivo. A lição: zumbido pulsátil sempre vasculite até prova contrária, não sinosite, não tensão muscular.

Limitações da especialidade

ORL não resolve tudo. Síndrome do intestino irritável com refluxo associado, por exemplo, pode mimetizar disfonia por refluxo laringo-faríngeo. Se o otorrino trata a laringe e o paciente continua com sintomas, o problema provavelmente é gastrointestinal. A cirurgia de septo nasal, septoplastia, tem taxa de complicações baixa, mas a melhora funcional nunca é 100%. Pacientes costumam esperar respirar perfeitamente após a cirurgia e ficam frustrados quando ainda sentem obstrução residual. O ideal reduzir em 70% a 80%, não eliminar completamente.

Implante coclear funciona muito bem em perda severa a profunda, mas requer reabilitação auditiva pós-cirúrgica que dura meses. Crianças têm melhor resposta que adultos porque o córtex auditivo ainda está em período crítico de plasticidade. Adultos perdem benefício se aguardam mais de cinco anos de surdez total.

O que levar na primeira consulta

Lista de medicamentos atuais, exames anteriores, histórico cirúrgico, foto da evolução dos sintomas. Se houve trauma facial recente, leve imagem. Se criança com otite recorrente, anote quantas vezes ocorreu no último ano e quantos ciclos de antibiótico foram prescritos. O médico vai perguntar sobre ronco, episódios de apneia observados por terceiros, ingestão de álcool, uso de tabaco. A resposta influencia diretamente o risco de câncer de laringe e hipofaringe. Usuários crônicos de tabaco com rouquidão persistente devem ser encaminhados para laringoscopia mesmo sem lesão visível a olho nu.

Alternativas quando o otorrino nãolopa

Para disfunção tubariana e otite média com effusion, o manejo conservador com autoinsuflação com balão de Politzer é eficaz em 40% dos casos pediátricos. Colocação de tubos de ventilação resolve quando persiste por mais de três meses com perda auditiva documentada. Para rinite alérgica, imunoterapia com alérgenos específicos o único tratamento que modifica o curso natural da doença. Anti-histamínicos e corticoides nasais controlam sintomas, mas não curam. A imunoterapia exige compromisso de três a cinco anos, mas reduz a progressão para asma em aproximadamente 50% dos pacientes.

Cefaleia tensional persistente sem resposta a AINEs pode beneficiar-se de Botox intradérmico, protocolo Headache Study Group, 155 a 195 unidades distribuídas em sete músculos. Funciona em 50% dos casos de cefaleia crônica diária, mas o custo é elevado e a cobertura pelos planos de saúde varia. O otorrinolaringologista trabalha em uma interseção anatômica densa. O trato respiratório, digestivo e auditivo convergem na faringe e laringe. Qualquer lesão aí tem impacto imediato na comunicação e na nutrição, duas funções vitais. Por isso o diagnóstico precoce mais importante que o tratamento definitivo em muitos casos.