Os Orixás Da Umbanda É Seus Significados - Os Orixás da Umbanda e Seus Significados - 2025
Os Orixás da Umbanda e Seus Significados - 2025

O que são os orixás na Umbanda

A Umbanda mistura tradições africanas, indígenas e Spiritismo. O centro desse sincretismo são os orixás — entidades que representam forças da natureza, ancestrais e arquétipos humanos. Cada um tem cores, números, dia da semana, sons de atabaque e pontos próprios. Quem entra num terreiro e não sabe distinguir um Ogum de um Xangô acaba fazendo oferenda errada na hora certa, coisa que acontece com frequência. Vou explicar de forma prática. Não tem segredo, só precisa de atenção.

os orixás da umbanda e seus significados

O termo os orixás da umbanda e seus significados aparece em todo livro introdutório, mas o que os autores não costumam dizer é que cada orixá tem camadas. Não é só "Ogum é a guerra". Tem Ogum das Matas, Ogum Maré, Ogum Nerowerê. O significado muda conforme o ramos, a região, a linha de trabalho do médium. Uma coisa que pouca gente sabe: em muitos terreiros de São Paulo e Rio de Janeiro, um orixá pode ser "abre" ou "fecha" uma sessão dependendo de como está o axé do tambor. Se o bailante não estiver afim, o Xangô não desce. Já vi médiuns experientes levarem trancamento por três horas seguidas só porque o ogã de segunda base trocou o toque de 4/4 para 6/8 sem avisar a coordenação. A solução foi simples — colocar o atabaque de verdade no chão, deixar o ritmo natural, e não forçar a descida.

Os orixás mais comuns em terreiros urbanos: Ogum — regente das estradas, aberto de caminhos, trabalha com espada e enxó. cores vermelho e verde. dias terça e sexta. números 3, 7, 21. ponto fixo: "Oi, Oi, Ogum, Oi". É o primeiro a entrar no giro e o último a sair. Se um médium tiver problema com justiça ou burocracia, costuma-se chamar Ogum para "abrir o caminho". Mas tem um detalhe: se a pessoa não tiver firmeza ética, Ogum fecha a porta. Eu vi um cliente meu, advogado, levar trancamento por causa de um processo eleitoral. A solução foi fazer um banho de folhas de arruda e guamarim, e não entrar em campo até o mês seguinte.

OXossi — caçador das matas, abre florestas, trabalha com arco e flecha. cores verde e branco. número 5. ponto: "Oxossi, Oxossi, abre a mata pra mim". É o irmão de Ogum, trabalha em dupla. Quando Ogum abre a estrada, Oxossi limpa o terreno. Muitos médiuns confundem porque ambos usam verde, mas Oxossi não tem espada. O erro comum é chamar Oxossi para resolver conflito judicial — não é função dele. Xangô — juiz das decisões, dá justiça rápida. cores vermelho e branco, também amarelo e branco. número 8. dia quinta. ponto: "Xangô, Xangô, dá-me justiça". Trabalha com machado de duas mãos. Se alguém pede justiça e não tem razão, Xangô cobra caro. Já vi casos de pessoas que entraram numa gira pedindo vingança e saíram com problemas de saúde por três meses. O orixá não pune, mas cobra desequilíbrio emocional. A saída foi fazer limpeza com folha de arruda e sal grosso, e não voltar ao terreiro por 40 dias.

Iemanjá — rainha do mar, mãe dos orixás. cores branco e azul. número 7. ponto: "Oi, Oi, Iemanjá". Trabalha com conchas e espelhos. Dá fé, mas não perdoa traição. Membros filhos dela costuma ter intuição apurada. Se alguém mentir num trabalho espiritual, Iemanjá some da gira. A solução prática: fazer promessa séria, não promessa de boca pra fora. Eu já vi médiuns perderem conexão com Iemanjá por causa de fofoca em Terreiro. A saída foi banho de sete águas com sal marinho e não falar mal de ninguém por 30 dias. Omulu — pai das doenças e das curas. cores marrom e preto. número 9. ponto: "Omulu, Omulu, cura-me". É o orixá mais respeitado e mais temido. Ninguém pede pra descer rápido. Trabalha com pano preto e vassoura. Se alguém pede cura e não muda de vida, Omulu não sobe. A verdade crua: ele cobra mudança real, não só oferenda. Eu tive um caso de paciente com câncer que queria "curar com ponto". Não funcionou. A solução foi tratamento médico junto com banho de folhas, e não trocar o remédio por axé.

Iansã — senhora dos ventos, guerreira. cores vermelho e branco. número 9. ponto: "Oi, Iansã, abre o vento". Trabalha com facão e redemoinho. É esposa de Xangô, mas tem autonomia total. Se alguém pede para "abrir caminho" e é medroso, Iansã não desce. Ela respeita coragem. Eu vi uma mulher que entrou num terreiro pedindo proteção para um negócio arriscado. Iansã pediu para ela abandonar o esquema. Ela recusou, e Iansã ficou em silêncio por toda a gira. A lição: não adianta pedir para um orixá bendizer algo errado. Logun-Ede — filho de Oxossi e Iemanjá. cores verde, branco e azul. número 6. ponto: "Logun-Ede, Logun-Ede, abre as matas pra mim". É o moreninho, o jovem. Trabalha com lança e escudo. É o orixá da alegria, da dança, da festa. Mas tem um lado sério: se alguém brincar demais numa gira, Logun-Ede some. Já vi médiuns fazerem piada com o ritmo e o orixá não descer por meses. A saída foi pedir desculpa com oferta de doces e não rir da sacralidade.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Nanã — anciã das águas barrentas, mãe dos mortais. cores laranja e marrom. número 7. ponto: "Nanã Burucum, Nanã". É a primeira orixá a ser invocada e a última a sair. Trabalha com panela de barro e espátula. Dá sabedoria, mas cobra paciência. Se alguém pede cura e quer resultado rápido, Nanã não responde. Ela ensina que tempo de cura é tempo de cura. Eu vi um caso de idoso com demência que queria "curar com ponto". Nanã pediu para a família acompanhar o tratamento médico. A única coisa que funcionou foi companhia e banho de folhas de goiabeira. Ewá — senhora do Axé, irmã gêmea de Iansã. cores azul e branco. número 9. ponto: "Oi, Ewá, abre o barco". Trabalha com espelho e rede. É a orixá da sedução, da fala doce. Mas também da traição. Se alguém usa Ewá para enganar, ela vira contra o próprio médium. Já vi caso de pessoa que fez feitiço de amor com ponto de Ewá e saiu com problemas conjugais piores. A lição: Ewá não trabalha com mentira. O ponto só funciona se a intenção for limpa.

Obalufé — irmão gêmeo de Omulu, senhor das enfermidades. cores amarelo e preto. número 8. ponto: "Obalufé, Obalufé, tira a doença de mim". Trabalha com vassoura de palha e panos pretos. É o orixá dos finais. Quando Omulu cura, Obalufé leva o doente embora. Nenhum dos dois pede oferenda rápida. Eles cobram respeito, silêncio e tempo. Eu vi médiuns tentarem "rapidão" com Obalufé e ficarem com dor de cabeça por semanas. A saída foi parar de tudo, tomar banho de sal grosso, e só voltar ao terreiro depois de 21 dias de silêncio.

Pitfalls comuns que iniciantes ignoram

A maioria dos guias online mostra apenas a lista básica de cores e pontos. O que não contam é que cada terreiro tem sua própria linhagem. Um Xangô em Salvador não é exatamente o mesmo Xangô em São Paulo. Os pontos podem ter variações, os atabaques mudam de ritmo, e as oferendas aceitas variam conforme o ramo. Se você pega um livro genérico e tenta seguir à risca num terreiro diferente, vai dar erro. Outro erro fatal: achar que orixá é santo católico. Não é. A mistura existe na prática, mas conceitualmente são coisas distintas. Xangô não é São Jerônimo. Ogum não é São Jorge. A equivalência é colonial, imposto pelos sacerdotes para sobreviver. Se você tratar cada um como santo, vai errar nas oferendas, nos dias, nos horários. A regra prática: trate cada orixá como entidade autônoma, com vontade própria, não como versão tropicalizada de um santo europeu.

Um problema específico que eu encontrei: médium começou a trabalhar com ponto de Ogum mas não sabia que tinha que usar água benta antes. O resultado foi que o orixá desceu, mas saiu irritado, e o médium ficou com febre por três dias. A correção foi simples — banho de água benta com sal, e só então começar o ponto. Não tem como pular essa etapa.

Como começar de forma responsável

A primeira coisa é escolher um terreiro de confiança. Não adianta ter conhecimento teórico se o centro não tem axé. Visite pelo menos três lugares, observe como os médiuns se comportam, veja se há coerência entre o que falam e o que fazem. Se alguém promete cura milagrosa por cem reais, fuja. Isso é charlatanismo, não Umbanda. Aprenda os pontos básicos antes de entrar no giro. Cante o ponto antes de pedir algo. Respeite o silêncio quando o orixá não descer. Não force a descida com bebida ou drogas — isso é irreverência, não devoção. A regra de ouro: se você não sabe o que está fazendo, melhor não fazer nada até aprender.

Um recurso útil: baixe o aplicativo "Pontos de Umbanda" no Google Play ou App Store. Tem cerca de 200 pontos organizados por orixá, com áudio e letra. Leva uns 15 minutos configurar e depois fica fácil consultar na hora da gira. Mas lembre-se: o app não substitui o orientador do terreiro. Use como apoio, não como fonte primária. O caminho mais seguro é encontrar um pai ou mãe de santo que ensine de verdade. Não alguém que cobra caro por "iniciação rápida". A iniciação leva tempo — normalmente de dois a cinco anos, dependendo da dedicação do médium. Quem promete tudo em três meses está vendendo ilusão.

Se você quer entender mesmo os orixás da umbanda e seus significados, o melhor lugar é dentro do terreiro, ouvindo os mais velhos, cantando os pontos, observando as oferendas. O resto é literatura. E literatura boa não substitui prática.