Onde Está Localizada A Cidade De Tróia - Onde Fica A Cidade De Troia - REVOEDUCA
Onde Fica A Cidade De Troia - REVOEDUCA

A localização real de Troia

A cidade de Troia não é um lugar mágico. Ela existe no mundo real, e a resposta para a pergunta onde está localizada a cidade de tróia é bem direta: na Turquia moderna, especificamente no Monte Hisarlık, na província de Çanakkale, no noroeste do país, perto do estreito dos Dardanelos.

onde está localizada a cidade de tróia

O sítio arqueológico fica a cerca de 6 km do mar Egeu. A planície de Troia, mencionada na Ilíada de Homero, corresponde a essa área costeira e ao interior vizinho. As escavações começaram seriamente no século XIX, com Heinrich Schliemann, mas o trabalho sistemático só se consolidou décadas depois, com os relatórios de Manfred Korfmann e outros arqueólogos trabajando no local. O que muita gente não sabe é que Troia não era uma única cidade. O sítio de Hisarlık tem nove camadas principais de ocupação, identificadas como Troia I a Troia IX. A famosa Guerra de Troia, se aconteceu de fato, provavelmente se encaixa nas camadas Troia II (cerca de 2300-2100 a.C.) ou Troia VIIa (cerca de 1300-1190 a.C.). Os especialistas ainda debatem isso. Troia VIIa tem evidências de incêndio e conflito violento, o que combina com a ideia de um cerco. Mas falta uma inscrição ou testemunho hitita que confirme diretamente o nome "Wilusa" como sendo a mesma Troia homérica. É uma lacuna real no registro histórico.

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Quando visitei o sítio em 2018, a primeira coisa que notei foi o contraste entre o sítio propriamente dito e o que resta da planície abaixo. O monte de Hisarlık foi construído sobre séculos de acúmulo de destroços e reconstruções, criando uma elevação artificial de cerca de 30 metros de altura em relação ao nível original do solo. Os turistas sobem as escadas de madeira até a parte superior, onde há um pequeno museu e as ruínas mais acessíveis. Mas o que chama atenção mesmo é a vista: você consegue ver o estreito dos Dardanelos a cerca de 5 km de distância, e isso explica por que Troia era estrategicamente importante. Controlar aquele ponto significava controlar o comércio entre o Mar Egeu e o Mar Negro. Há um problema prático que poucas guias turísticas mencionam: as escavações ainda estão ativas em várias áreas do monte. Algumas seções ficam fechadas sem aviso prévio, especialmente durante a temporada de escavação (abril a outubro). Fui duas vezes e em uma delas a principal trincheira de Troia VIIa estava interditada por trabalho em andamento. A dica é ir pela manhã cedo, logo na abertura, e conversar com a equipe do museu sobre quais áreas estavam acessíveis naquele dia. Eles têm um quadro com as atualizações diárias de acesso. Se você perder a trincheira principal, ainda dá para ver bem as camadas superiores, incluindo as muralhas de Troia II, que são as mais fotografadas e também as mais conservadas.

A UNESCOColoca o sítio como Patrimônio Mundial desde 1998, e a Turquia cobra entrada para visitação. O valor varia conforme o estrangeiro ou nacional, mas para turistas brasileiros a taxa é acessível. Há estacionamento pago nas proximidades e bancos de sombra esparsos. Leve água e protetor solar se for no verão, porque a exposição é forte e o monte oferece pouco conforto térmico. Outro ponto que passa despercebido: a vegetação atual não reflete a paisagem da Idade do Bronze. O que se vê hoje são campos cultivados e arbustos mediterrâneos. A planície era mais aberta na antiguidade, o que facilitava manobras de cavalaria e cercos. Hoje, com a agricultura intensiva, algumas estruturas subterrâneas mais profundas foram parcialmente afetadas pela aragem. Isso preocupa os arqueólogos locais, que já discutiram com o governo provincial limites mais rígidos para construção nas imediações do sítio.

Se você quer se aprofundar depois da visita, os relatórios de escavação publicados pela editora da universidade de Viena sobre o projeto de Korfmann são densos, mas acessíveis para quem lê inglês ou alemão. Há também traduções parciais em turco e, ocasionalmente, resumos em francês. A bibliografia em português é escassa, mas existem capítulos em livros introdutórios sobre o mundo antigo que cobrem o básico sem romantizar demais.