O básico sobre desinências que ninguém explica direito
Desinências são morfemas que se juntam ao radical da palavra para indicar informações gramaticais. Nada místico, nada filosófico. É só gramática pura e dura. Você já deve ter ouvido falar sem saber o nome disso. Existem dois tipos principais. A desinência verbal marca tempo, modo, pessoa e número nos verbos. Já a desinência nominal aparece nos substantivos e adjetivos para indicar gênero e número. Quando você vê o -s em "falamos" ou o -es em "meninas", está olhando exatamente para isso.
O que são desinências na prática
Eu comecei a entender isso de verdade quando precisava corrigir redações de alunos que confundiam desinência pessoal com desinência de tempo e modo. A diferença é importante e não é óbvia à primeira vista. Desinência pessoal indica quem pratica a ação. Desinência temporal e modal indica quando e como. Por exemplo, na forma "cantávamos", temos o radical "cant-", a desinência temporal e modal "-áva-", e a desinência pessoal "-mos". Três elementos se sobrepondo num só trecho. Isso é padrão em português e acontece o tempo todo, mesmo que você não perceba.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
O problema real surge quando você tenta analisar morfologicamente verbos irregulares ou formas contraídas. Eu tenho um caso específico que lembro bem. Um aluno me mostrou a forma "dissestes" e pediu a análise. A desinência pessoal é "-stes", mas o "-ss-" que parece parte dela na verdade é uma alteracao do radical devido à irregularidade. Se você tratar o "-sse-" inteiro como desinência, erra a análise toda. A solução foi isolar o radical "dis-" e reconhecer que o "-se-" é marca de pretérito perfeito do indicativo, enquanto "-stes" é a desinência pessoal de segunda pessoa do plural. Levei um tempo até parar de confundir esses casos no dia a dia. Aqui vai algo que raramente ensinam. Desinência e afixo não são a mesma coisa. Prefixos e sufixos modificam o significado léxico da palavra. Desinências modificam apenas a flexão gramatical. "Infeliz" tem o sufixo "-mente" que cria um novo vocabulema. "Infelizes" tem a desinência "-es" que só marca plural. Confundir esses dois mecanismos é um erro comum em avaliações sintáticas.
Também vale noting que desinências Nominais em português são bem mais restritas do que muitos pensam. O gênero nominal quase sempre é marcado por desinência, mas existem excecoes. Palavras sobrecomuns como "a testemunha" não alternam gênero pela desinência. Epitenos como "o atleta" e "a atleta" usam apenas artigo, nao desinencia nominal. Esse detalhe quebra muita análise morfológica automática. Se voce esta estudando isso pra concurso ou pra ensinar, o caminho mais eficiente é dominar primeiro as tabelas de conjugacao e depois caçar os casos irregulares. Gaste menos tempo com definições e mais tempo praticando a segmenacao dos morfemas em palavras reais. A analise fica automatica depois de cem ou duzentos exercicios bem feitos.