O Que Fica Em Negrito Nas Referencia Bibliografica Abnt - REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: ABNT – Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: ABNT – Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes

A formatação de negrito nas referências ABNT: o que realmente precisa mudar

Muita gente confunde o uso do negrito com uma questão estética ou de destaque visual. Não é. A NBR 10520 da ABNT define regras específicas sobre quando e onde aplicar o negrito, e errar isso faz sua referência ficar diferente do padrão que seu orientador ou periódico exige.

O que fica em negrito nas referencia bibliografica abnt

O negrito se aplica principalmente ao título da obra. No caso de um livro, é o nome do livro que vai em negrito. Nos artigos de revista, é o título do artigo que entra em negrito, não o nome da revista. Essa diferença já causa confusão constante. Vou dar um exemplo direto. Referência de livro:

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Percebeu? Só o título do livro está em negrito. O autor, a edição, a cidade, a editora e o ano ficam em texto normal. Já para um artigo:

SILVA, M. E. et al. Impacto das redes neurais na diagnóstico precoce de doenças neurodegenerativas. Revista Brasileira de Engenharia Biomédica, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 112-128, 2019. Aqui o negrito vai no título da revista, não no título do artigo. É o contrário do que a maioria das pessoas faz por instinto. Eu já vi dezenas de trabalhos acadêmicos com o negrito no lugar errado e teve vez que precisei fazer um roteiro interno apenas pra explicar esse ponto pra equipe de revisão.

Outro caso comum, o de capítulos de livro editado. Nesse cenário, o negrito vai no título do capítulo, não no título do livro: ANDRADE, L. F. Avaliação cognitiva em idosos. In: MORETTI, R. et al. (Org.). Neurociência e envelhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2017. p. 45-67.

Não, espera. Revisando isso comigo mesmo, eu tinha me enganado numa ocasião. O negrito nesse caso vai no título do livro, não no capítulo. O correto é: ANDRADE, L. F. Avaliação cognitiva em idosos. In: MORETTI, R. et al. (Org.). Neurociência e envelhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2017. p. 45-67.

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Na verdade, nem esse formato tá tão claro assim pra todo mundo. Deixa eu reorganizar. O que a norma diz de forma mais precisa é: ANDRADE, L. F. Avaliação cognitiva em idosos. In: MORETTI, R. et al. (Org.). Neurociência e envelhecimento. Porto Alegre: Artmed, 2017. p. 45-67.

O negrito vai no título da obra como um todo. O subtítulo do capítulo, não. Esse foi um erro meu que cometi quando comecei a revisar trabalhos há anos e levei tempo pra corrigir minha própria interpretação.

Regras práticas que você precisa decorar

Para livros inteiros, o título do livro fica em negrito. Para artigos de periódico, o nome do periódico (a revista) fica em negrito. Para capítulos de livro, o título do livro que contém o capítulo fica em negrito. Para teses e dissertações, o título do trabalho acadêmico fica em negrito. Existem situações em que o negrito não se aplica de forma tão óbvia. Referências de normas técnicas, por exemplo. A ABNT NBR 10520:2023 é ela própria uma norma, então o título dela também vai em negrito quando citada como referência. Parece bobeira, mas essa é uma pegadinha que aparece com frequência em trabalhos de engenharia e direito.

Outro ponto que gera muita dúvida: quando o título da obra vem em inglês, o negrito continua sendo aplicado no título original, sem tradução. Se você tá referenciando um paper em inglês, o título do journal vai em negrito, não a tradução que você fizer. Isso é algo que revisores de periódico técnico apontam com frequência e é fácil de errar porque a tentação de traduzir o título pra português é grande. Se você tá trabalhando com muitos documentos ao mesmo tempo, um problema prático que encontrei foi a inconsistência gerada quando vários autores formatam manualmente. A regra básica se mantém, mas a execução fica poluída. Minha solução foi criar um template de referência com campos predefinidos no Word, com o negrito já aplicando automaticamente no campo certo dependendo do tipo de documento selecionado. Isso reduziu o tempo de formatação de referências de cerca de 2 minutos por entrada pra quase nada, porque o único trabalho era preencher os campos e o formato já vinha pronto.

Erros comuns e como evitar

O erro mais frequente é colocar o negrito no nome do autor. Autor nunca vai em negrito. O segundo mais comum é negritar o título do artigo de revista junto com o título da revista. Apenas um dos dois recebe negrito, dependendo do tipo de documento. Também tem gente que aplica negrito em título e subtítulo separadamente. Se o livro tem título principal e subtítulo, o negrito vai em ambos, formando uma unidade. Não se aplica negrito só numa parte. O parágrafo todo do título conta como um único elemento.

Um detalhe importante: a edição não entra em negrito. A local, a editora, o ano — nada disso. Só o título da obra ou o nome do periódico, conforme o tipo de documento. Se você estiver usando gerenciadores de referência como Zotero ou Mendeley, eles geralmente já aplicam o negrito corretamente ao exportar para o estilo ABNT, mas isso depende da versão do estilo instalado. Recomendo sempre verificar a saída manualmente, porque estilos desatualizados podem aplicar o negrito no campo errado ou não aplicar em alguns tipos de documento. Eu já perdi uma tarde inteira caçando um bug num plugin do Zotero que deixava o negrito de fora de referências de sites institucionais. A solução foi atualizar o plugin e reinstalar o estilo ABNT NBR 10520 mais recente.

Quando a regra falha

Existem casos em que a ABNT não deixa claro como proceder. Referências de leis, por exemplo. O título da lei costuma vir em negrito, mas alguns programas de formatação automática tratam isso como exceção e não aplicam. Se você trabalha com direito ou ciências sociais, já deve ter visto referências de leis com o título em itálico ou em caixa alta sem negrito. O padrão recomendado pela norma é negrito no título da lei, mas a prática institucional às vezes impõe variações. O ideal é seguir a norma, mas se seu orientador ou revista pedir uma variação, siga a solicitação específica. O mesmo acontece com referências de documentos eletrônicos. A ABNT tem regras para sites, vídeos, apresentações, mas a aplicação do negrito nem sempre é intuitiva. Em geral, o título do conteúdo eletrônico é que vai em negrito. O nome do site ou plataforma não. Novamente, confusão fácil se você não prestar atenção.