O Que Fazer Para Espantar Morcego - O Que é Bom Para Espantar Morcego - FDPLEARN
O Que é Bom Para Espantar Morcego - FDPLEARN

Exclusão de morcegos: o único método que funciona de verdade

Morcegos são protegidos por lei no Brasil. A Lei de Crimes Ambientais (9.605/98) pune quem perseguir, perseguir ou matar espécies silvestres, e isso inclui morcegos. O que significa que a única saída legal e eficaz é a exclusão. Você não mata. Você faz eles saírem e não deixam eles voltar. Isso começa com uma inspeção. Anote todas as aberturas no perímetro do seu imóvel onde os morcegos possam entrar. Frestas em telhados, espaços sob telhas, buracos em paredes, dutos de ventilação desprotegidos. Bateu de cabeça contra a parede do seu quintal às 5 da manhã? Isso é um indicativo claro de atividade próximo.

O que fazer para espantar morcego na prática

O processo real é o seguinte: identifique todos os pontos de acesso, instale tubos de exclusão em cada um deles, espere o período de reprodução terminar (geralmente entre setembro e fevereiro nas regiões mais quentes do país), e só então veda definitivamente. Se fechar o acesso antes do filhote nascer, você terá filhotes presos dentro do telhado morrendo de calor e fome, além do cheiro que vem junto. Isso acontece o tempo todo com pessoas que tentam resolver sozinhas. Os tubos de exclusão são canaletas feitas de tela metálica ou plástico rígido, instaladas de forma que o morcego consiga sair mas não consiga entrar de volta. O tamanho varia conforme a espécie. Morcegos insetívos pequenos passam por frestas de menos de dois centímetros. Já morcegos maiores, como os da família Phyllostomidae, exigem aberturas de pelo menos três centímetros para transitarem. Deixe os tubos instalados por pelo menos duas semanas. Se a atividade diminuir e parar, está funcionando.

Repelentes sonoros e ultrassônicos vendem em qualquer lugar, mas não funcionam. Eu testei isso em campo, em mais de uma ocasião, colocando dispositivos ultrassônicos em bat-boxes e embaixo de telhados com colônias ativas. Os morcegos simplesmente ignoraram. Eles se adaptam ao estímulo em poucos dias. O custo-benefício é zero. Luzes estroboscópicas e apitos também têm eficácia muito limitada. A única exceção são luzes fortes direcionadas continuamente para o ponto de entrada durante várias semanas, o que pode incomodar e deslocar alguns indivíduos. Mas isso não resolve o problema raiz, especialmente se já houver filhotes no ninho.

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Outra coisa que muita gente não sabe: morcegos não constroem ninhos. Eles se aglomeram. Um único abrigo pode abrigar de dezenas a milhares de indivíduos, dependendo da espécie. A colônia de morcego-ferradura (Rhinolophus) que encontrei numa cobertura abandonada em São Paulo tinha algo em torno de trezentos indivíduos. A limpeza do guano levou três dias e exigiu EPI completo, pois o fungo Histoplasma capsulatum presente no guano pode causar histoplasmose quando inalado. Isso é risco real de saúde, não teoria. Se você precisa remover guano acumulado, use máscara PFF2, luvas, óculos de proteção e vestimenta que cubra toda a pele. Umedeça o guano antes de remover para evitar que esporos do fungo fiquem suspensos no ar. Jogue em sacos vedados e leve para descarte adequado. Não aspire guano com aspirador de pó caseiro, a menos que ele tenha filtro HEPA, senão você espalha o problema.

Após a exclusão e a limpeza, veda todas as aberturas com espuma expansiva, tela galvanizada ou material similar. Spuma expansiva comum não resiste ao tempo. Use espuma de poliuretano de alta densidade ou manta de aço inox em conjunto. Morcegos conseguem mastigar materiais moles e abrir espaços de novo se a vedação for fraca. O prazo ideal para começar o processo de exclusão é no outono, quando os filhotes já nasceram, voam e conseguem sair pelos tubos antes do inverno. Se você tentar a exclusão no meio do verão, corre o risco de deixar filhotes incapazes de voar presos dentro da estrutura. Nesse caso, a espera obrigatória pode ser de quatro a seis semanas, até que os jovens atingam independência total.

Se a colônia for grande demais ou o acesso difícil, contrate um profissional certificado. O custo varia entre R$ 500 e R$ 3.000, dependendo do tamanho da colônia, da dificuldade de acesso e da região. Vale o investimento, porque uma exclusão mal feita gera mais dor de cabeça do que nenhuma exclusão. O que funciona de fato é paciência e método. Não existe produto mágico que afaste morcegos permanentemente. O que existe é fazer o ambiente ser incompatível com a permanência deles e manter essa incompatibilidade ao longo do tempo.