O que realmente é o sertanejo universitário na prática
É um subgênero do sertanejo que surgiu no final dos anos 2000, principalmente ligado à cultura universitária de cidades do interior de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. O nome "universitário" não vem de um curso específico, mas do público-alvo e do circuito de festas que girava em torno dos campis. A música era tocada em casas shows, choperias e festinhas de faculdade, não em rádios sertanejas tradicionais.
O que e sertanejo universitario
A definição técnica é simples: sertanejo com produção mais próxima do pop, letras sobre namoro, separação, festa e vida universitária, e uma estética visual que mistura botina, camisa xadrez e boné. Mas o que diferencia ele do sertanejo Raiz é a instrumentação e a estrutura. O Raiz usa viola caipira como elemento central. O universitário usa violão elétrico, bateria eletrônica ou programada, sintetizadores e, às vezes, autotune vocal, tudo misturado numa produção que soa mais limpa e mais radiofônica. Os pilares do gênero vieram de artistas como Jorge & Mateus, Bruno & Marrone (na fase tardia), Luan Santana, Gusttavo Lima e Zeze Di Camargo & Luciano quando começaram a adaptar o repertório para esse formato mais pop. As early 2010s foram o ápice comercial, com músicas como "Meio Termo" e "Deu Zóio" dominando paradas por meses.
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O que muita gente não entende é que o sertanejo universitário nunca foi um movimento orgânico de estudantes. Ele foi construído por gravadoras e produtores que perceberam que o público universitário do interior comprava CD, assistia a shows e levava o som para as festas de formado. O circuito de casas shows como Espaço Galpão, Arena Barueri e Casa de shows em Uberlândia foi o verdadeiro laboratório. Um problema que eu vi na prática: muitos iniciantes acham que basta colocar um violão e uma batida 4/4 que já tá feito sertanejo universitário. Não é. O segredo está na melodia e na progressão harmônica. As músicas usam muito a tonalidade de Lá maior, Mi maior e Dó maior, com progressões como I-V-vi-IV e o clássico movimento descendente nos graves. Se você tentar produzir uma música nessa linha sem seguir essas progressões, ela soa genérica demais e perde a identidade do gênero.
O outro erro comum é a letra. Letra de sertanejo universitário precisa de refrão fácil de memorizar, com frases curtas e repetitivas, geralmente falando de algo concreto: o nome de um lugar, uma bebida, uma situação específica. Músicas muito abstratas ou poéticas não funcionam nesse mercado. Eu vi dois composers tentarem aplicar essa abordagem e o resultado foi irreconhecível. Se você quer se aprofundar, o caminho é ouvir os álbuns de 2010 a 2016 de Luan Santana e Gusttavo Lima com atenção à produção. Note como a guitarra entra nos versos e sai no refrão, criando espaço para o vocal. Isso é intencional e é um padrão que se repete em praticamente toda música do gênero.
O sertanejo universitário hoje convive com o sertanejo romântico e com influências do funk e do trap. Artistas como Marília Mendonça, mesmo sendo mais associada ao "sertanejo feminão", carregam elementos da estética universitária. O gênero original, como foi batizado nos anos 2000, ainda existe, mas a linha entre ele e o sertanejo pop atual é cada vez mais tênue.