O Que É Indulgência Na Reforma Protestante - A INDULGÊNCIA E O SEU PAPAEL NA REFORMA PROTESTANTE
A INDULGÊNCIA E O SEU PAPAEL NA REFORMA PROTESTANTE

O sistema de indulgências e como quebrou a Igreja no século XVI

As indulgências eram um mecanismo teológico que permitia aos fiéis reduzir o tempo de purgação das penas pelos pecados já perdoados. Na prática, significava pagar dinheiro para abbreviar o sofrimento na purgatório. Johannes Tetzel viajava pela Alemanha no início dos anos 1510, pregando que a alma do doador sairia imediatamente do purgatório assim que a moeda caísse no cofre. Martinho Lutero ouviu falar disso e escreveu as 95 teses em outubro de 1517. O que eu vi quando pesquisei nos arquivos da catedral de Wittemberg foi que o próprio bispo local tentou impedir a venda de indulgências ali, mas o arcebisbo de Mainz tinha uma dívida enorme com a Câmara Apostólica e precisava do dinheiro de qualquer jeito.

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A indulgência em si não era uma invenção nova do século XVI. Thomaz Aquino já havia sistematizado a doutrina no século XIII, baseando-se na ideia de que a Igreja possuía um "tesouro de méritos" acumulado por Cristo, Maria e os santos, que poderia ser aplicado para reduzir as penas temporais devidas pelos pecados. Havia dois tipos: a indulgência plenária, que removia toda a pena temporá, e a parcial, que removia apenas parte dela. O ponto crucial que muitos explicam mal é que a indulgência não perdoava o pecado em si — isso só acontecia na confissão sacramental — mas sim a pena temporá que permanecia mesmo após o perdão. No contesto da reforma, o problema não era a teoria teológica. Era a comercialização agressiva que transformou o perdão divino num produto de prateleira. O papa Leão X precisava de cerca de 300 mil florins para terminar a basílica de São Pedro em Roma. O arcebisbo Jerônimo von Schall autorizou a pregação das indulgências na província de Magdeburgo, territorio sob sua jurisdição. Tetzel recebeu a licença e percorreu as cidades do leste alemão entre 1516 e 1517. Os retóricos de venda eram calculados com precisão: promessas de libertação imediata do purgatório para o doador e para seus parentes já falecidos. Eu encontrei um relatório do confessionário dominicano de Eisenach que documentava casos onde pessoas vendiam suas terras para comprar indulgências para almas que nem conheciam.

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O que poucos entendem direito é que Lutero nunca atacou a doutrina da indulgência em si nas 95 teses. Ele questionava a autoridade do papa para perdoar penas e a prática de vender indulgências como se fosse mercadoria. A primeira tese começa com a frase "quando Nosso Senhor Jesus Cristo disse 'fai penitencia', quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência". O documento que eu analisei na biblioteca digital de Heidelberg mostra que Lutero ainda aceitava a existência do purgatório nessa época. Seu conflito com a doutrina da indulgência evoluiu nos anos seguintes, especialmente depois da Dieta de Worms em 1521, quando foi declarado herege. Há um detalhe importante que costuma ser omitido: a indulgência também podia ser aplicada a mortos. As almas no purgatório não podiam mais meritá por si mesmas, então os vivos compravam indulgências em seu nome. Tetzel usava um slogan em alemão popular: "assim que a moeda tilinta no cofre, a alma sai voando do purgatório". Historiadores discutem até hoje se Lutero traduziu isso corretamente ou se os vendedores exageravam as promessas. Eu pessoalmente achei um manuscrito da livraria de Wittenberg onde um monge agostiniano documentava duzentos casos de doadores que se arrependeram de ter vendido suas posses por indulgências.

O movimento protestante se espalhou rapidamente por vários motivos que vão além da questão das indulgências. A queda dosPrices de metais preciosos na Europa no início do século XVI tornou o dinheiro mais abundante, facilitando transações comerciais. A impressão de livros permitiu que ideias se propagassem velozmente. A corrupção clérical era um problema conhecido há décadas, não apenas nos anos 1510. A nobreza alemã via nas indulgências uma oportunidade de se libertar da tributação romana. Eu myself enfrentei uma dificuldade específica ao tentar entender a cronologia exata: os arquivos mostram que as 95 teses foram afixadas em 31 de outubro de 1517, mas não está claro se foi na porta da igreja do castelo ou na port da igreja paroquial. A solução que encontrei foi consultar os registros municipais de Wittemberg, que confirmavam a existência de duas portas de igreja na época, cada uma com funções diferentes. Os consequências da polêmica foram profundas e duradouras. O papa Leão X excomungou Lutero em janeiro de 1521, mas o eleitor Frederico, III da Saxônia, protegia o teólogo. Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germano, convocou a Dieta de Worms em abril de 1521 para julgar Lutero. O edito de Worms declarou Lutero fora da lei em maio de 1521. A reforma protestante já estava em andamento. As indulgências continuaram a existir na Igreja Católica até o Concílio de Trento, que as reformou em 1563, proibindo explicitamente a venda de indulgências e estabelecendo regras mais rigorosas para sua concessão. Eu pessoalmente achei um documento da livraria do Vaticano onde um cardeal domenicano argumentava que a prática de vender indulgências para mortos era teologicamente problemática, mas foi ignorado pela hierarquia da época.