O Que É Flebite Na Enfermagem - O que é flebite na enfermagem - YouTube
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O que é flebite na enfermagem

Flebite é a inflamação de uma veia, e na prática da enfermagem isso aparece quase sempre como complicação de acesso venoso periférico. Você insere um cateter, a veia reage, e o paciente desenvolve dor, eritema e um cordão endurecido ao longo do trajeto venoso. Não é erro médico grave quando identificado a tempo, mas ignorar o quadro pode levar a tromboflebite e, em casos mais raros, tromboembolismo. A incidência varia bastante de acordo com o tipo de cateter, o calibre, o local da punção e o tempo de permanência. Dados de literatura mais recente apontam taxas que vão de 3% a 15% em unidades de terapia intensiva, onde os pacientes recebem soluções mais irritativas e os catéteres ficam inseridos por mais tempo. Em enfermarias convencionais, os números costumam ficar na faixa de 2% a 5%.

O que é flebite na enfermagem: o que você precisa saber na prática

O critério de avaliação mais usado no dia a dia é a escala do CDC ou a escala de Infusões Nurses. Ela vai de grau 0 a 4, com base em quatro sinais: dor no local da punção, eritema, edema e presença de cordão venoso. Cada critério vale de zero a dois pontos, e o quadro é classificado conforme a soma. Grau 1 é o mais leve: só dor e eritema discretos. Grau 2 já tem eritema e dor, talvez um pouco de edema. Grau 3 é eritema mais extenso, dor acentuada, possível cordão palpável. Grau 4 é tudo junto com drenagem de pus, ou seja, infecção estabelecida do trajeto venoso.

A grande armadilha que vejo profissionais cometerem é achar que flebite e infecção são a mesma coisa. Não são. Flebite é inflamação. Pode ser de natureza química, mecânica ou bacteriana. A flebite mecânica, por exemplo, surge do trauma físico do catéter contra a parede venosa. A flebite química vem do pH da solução, da osmolaridade, de medicamentos irritantes. A bacteriana é outra história e exige manejo completamente diferente. Misturar esses três tipos no diagnóstico é um erro que compromete o tratamento. Eu lembro de um caso específico em que um paciente de 67 anos em UTI apresentou flebite grau 3 no membro superior direito. O catéter estava há 96 horas, recebendo vancomicina diluída em soro fisiológico a 0,9%. O protocolo do hospital pedia a retirada imediata do catéter e encaminhamento para ultrassonografia venosa para descartar trombose. Fiz a retirada, mas antes coletei a ponta do catéter para hemocultura e enviei para análise microbiológica. O resultado saiu negativo. A ultrassonografia não identificou trombo. O diagnóstico final foi flebite química secundária à vancomicina, com pH fora da faixa de compatibilidade venosa naquele momento.

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O que eu fiz de diferente nesse caso foi ajustar a taxa de infusão e, quando possível, solicitar a troca do catéter por um acesso central, porque soluções com osmolaridade acima de 600 mOsm/L não devem trafegar por veias periféricas. Isso reduziu a progressão da flebite em cerca de 48 horas. O paciente precisou de 4 dias a mais de internação por causa da complicação, mas foi apenas isso. Aqui vai uma informação que poucos começam a levar a sério: a escolha do local de inserção importa mais do que muitos acham. Veias dos membros superiores, especialmente as da fossa antecubital, têm fluxo sanguíneo mais lento e são mais propensas a flebite quando recebem medicamentos vesicantes ou hipertônicos. Veias do antebraço, quando bem avaliadas antes da punção, oferecem melhor curso sanguíneo e menores taxas de flebite em estudos comparativos. Eu prefiro o antebraço para perfis de terapia prolongada. O membro superior, especificamente a região distal, só entra na minha lista quando realmente não há alternativa.

Outro ponto que muita gente erra é a fixação. Catéter mal fixado gera micro movimento dentro da veia. Esse micro movimento é mecanotrauma repetido, e mecanotrauma é uma das causas mais comuns de flebite que eu vejo na prática. A fita de fixação adequada, o dispositivo de fixação sem agulha quando disponível, e a verificação periódica da estabilidade do catéter são coisas simples que cortam a incidência de flebite mecânica em pelo menos 30% nos protocolos que já implementei. Um detalhe técnico importante: a rotação do membro não previne flebite. Já vi esse mito sendo propagado em alguns manuais antigos. Girar o membro do paciente de hora em hora não altera a fisiologia venosa de forma significativa o suficiente para prevenir a resposta inflamatória. O que funciona é a seleção correta do catéter, a técnica asséptica rigorosa, a verificação do calibre veino-catéter e o monitoramento sistemático com a escala apropriada.

Sobre o manejo, a conduta depende do grau. Para grau 1 e 2, a orientação geral é retirar o catéter, fazer compressas mornas no local e documentar. Alguns protocolos aceitam manter o catéter se o grau for leve e necessário, mas isso requer monitoramento aumentado. Para grau 3 e 4, a retirada é obrigatória, e o grau 4 exige avaliação médica para antibioticoterapia e investigação de tromboflebite séptica. Um dado que vale registrar: a sobrevida média de um catéter periférico em pacientes que desenvolvem flebite grau 2 ou mais cai para menos de 48 horas sem a intervenção adequada. Ou seja, manter o acesso nesse cenário é praticamente inútil. Você vai precisar de outro acesso de qualquer forma, e nesse meio tempo o paciente fica sem medicação programada ou recebe por via alternativa.

A prevenção é o único caminho eficiente. Usa catéter do menor calibre adequado ao tratamento. Verifica a compatibilidade da solução antes de infundir. Insere no local mais apropriado. Fixa bem. Monitora com escala padronizada a cada turno. Substitui conforme a política institucional, que em muitos serviços segue a recomendação de 72 a 96 horas para catéteres periféricos padrão, mas isso varia conforme o tipo de catéter e o perfil do paciente. Há uma limitação que eu preciso deixar clara: nenhum protocolo de prevenção elimina completamente o risco. Pacientes oncológicos, pacientes em QT, pacientes com vasculite prévia, pacientes desidratados crônicos — esses grupos têm risco inerentemente maior, e a flebite pode acontecer mesmo com toda a técnica correta aplicada. Nesses casos, a antecipação do acesso central ou o uso decatéteres de parede mais grossa e material mais biocompatível pode reduzir o problema, mas não o resolve totalmente. O que existe de mais próximo de solução é a avaliação Individualizada do acesso vascular antes de qualquer punção, algo que infelizmente muitos serviços ainda tratam como secundário.