O Que E Concordancia Verbal - Concordância verbal: o que é, regras, exemplos e exercícios
Concordância verbal: o que é, regras, exemplos e exercícios

O que realmente funciona quando você precisa usar concordância verbal

Muita gente trava na hora de escrever porque não tem clareza sobre o que é concordância verbal e como aplicá-la sem consultar uma gramática a cada frase. O conceito é simples na teoria: o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito da oração. Na prática, as coisas viram um problema, principalmente quando o sujeito é longo, invertido, ou quando há expressões que confundem o cérebro. Já vi gente errar feio em textos profissionais por causa de um detalhe que parecia irrelevante. Lembro de um caso específico em que um redator escreveu "mais de um jogador feriu-se". Parecia certo, mas estava errado. Quando se usa "mais de um", o verbo fica no singular, pois o núcleo do sujeito é singular. O correto ali seria "mais de um jogador feriu-se". Se quisesse plural, teria que reformular para "mais de dois jogadores feriram-se". Isso é algo que não se vê nos resumos de Internet, mas aparece todo dia em revisões de texto reais.

o que e concordancia verbal e por que causa tanto erro

O problema principal é que o português tem estruturas que enganam. A ordem inversa é a maior cilada. Quando você coloca o verbo antes do sujeito, fica tentado a concordar com algo que não é o sujeito de verdade. Por exemplo: "Faltam poucos livros na estante." Muita gente escreve "Falta poucos livros", porque ouviu o verbo perto de "poucos" e pensou que era isso que comandava a concordância. Na realidade, o sujeito é "poucos livros", que está posposto, então o verbo fica no plural. Outro ponto que ninguém ensina direito: quando o sujeito é colectivo, o verbo pode ficar no singular ou ir para o plural, dependendo do que você quer enfatizar. "A multidão caminhava pela rua" e "A multidão caminhavam pela rua" — ambas existem, mas têm matizes diferentes. A primeira destaca o grupo como uma unidade; a segunda dá mais peso aos indivíduos. Não existe erro absoluto aqui, mas existe coerência ou incoerência com o que você está dizendo.

Tem também a questão do pronome relativo "que" e do "quem". "Sou eu que faço" versus "sou eu quem faz". O "quem" remete a "eu", então o verbo pode ficar na terceira pessoa. É confuso, mas funciona. O ideal é prestar atenção no referente, não na forma superficial.

Regras que valem na maioria das vezes

Sujeito simples exige concordância direta. Se o sujeito é "nós", o verbo vai para a primeira pessoa do plural. Se é "eles", terceira pessoa do plural. Parece óbvio, mas erros acontecem quando há interferência de elementos entre o sujeito e o verbo. Cores compostas são praticamente invariáveis. "Camisa azul-marinho" não varia. Isso vale para a maioria dos adjetivos compostos, exceto quando o último elemento é um substantivo, como em "amarelo-canário", que pode variar. Regra prática: se o segundo termo nomeia algo, ele se comporta como substantivo e permite flexão.

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Verbos impessoais são outro terrenominado. "Haver" no sentido de existir não tem plural. "Havia muitos problemas" está certo; "houveram muitos problemas" não existe nessa acepção. O mesmo vale para "fazer" indicando tempo: "Faz dois anos" nunca será "Fazem dois anos" nesse contexto. A partícula "se" também causa estragos. Quando funciona como índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica sempre na terceira pessoa do singular. "Precisa-se de funcionários" está correto. Já quando o "se" é parte de uma voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente. "Vendem-se casas" está certo porque o sujeito é "casas". A diferença é sutil, mas importante.

Quando a regra falha e você precisa improvisar com criterio

Não adianta decorar tudo. Às vezes, a estrutura da frase exige um julgamento. Por exemplo, com expressões como "cerca de", "mais de", "menos de", o verbo pode concordar com a numeração ou permanecer no singular, dependendo da construção. "Mais de um candidato se inscreveu" é padrão. "Mais de um candidato se inscreveram" só funciona se houver ideia de reciprocidade ou ação mútua entre os candidatos, o que é raro. O caso de "um e outro" também merece atenção. Diferente de "ambos", que pede plural, "um e outro" exige verbo no singular. "Um e outro candidato apresentou o trabalho." Se você trocasse por "ambos", aí sim seria no plural.

Quando se trata de porcentagens, a coisa complica. "50% dos alunos chegou" ou "50% dos alunos chegaram"? Ambas são aceitas, mas a segunda é mais comum e soa mais natural. O ideal é verificar o núcleo: se é "alunos", o verbo tende ao plural.

Erros que vi acontecerem no dia a dia

O erro mais frequente que encontrei foi com "eu fui" sendo substituído por "eu fuí". Não existe essa forma. O pretérito perfeito do verbo "ir" é "fui, foste, foi, fomos, fostes, foram". Nada de acento no "i". Isso aparece demais em textos escritos por pessoas que não têm contato frequente com a norma padrão. Outro erro clássico é a concordância com "gostar de". "Eu gostei muito das filmes" está errado. O correto é "dos filmes", porque "gostar de" exige a contração correta da preposição com o artigo. Erros dessa natureza indicam falta de atenção, não falta de conhecimento da concordância verbal em si.

O que fazer na prática

Para exercitar, leia bastante. Textos bem escritos expõem você às estruturas corretas de forma natural. Depois, tente reescrever frases do dia a dia, invertendo a ordem do sujeito e vendo se o verbo se mantém coerente. Também ajuda revisar seus próprios textos com atenção exclusiva à concordância, isolando esse objetivo da revisão geral. Se estiver em dúvida, use a ferramenta da substituição pelo pronome. Troque o sujeito por "eles" ou "nós" e veja se o verbo ainda faz sentido. É rápido e costuma funcionar na maioria dos casos.