O Cruzamento De Duas Espécies Da Família Das Anonáceas - ENEM 2018 - Genética II | O cruzamento de duas espécies da família das ...
ENEM 2018 - Genética II | O cruzamento de duas espécies da família das ...

Embrionização somática e o desafio do cruzamento interespecífico em Annonaceae

Quando você tenta cruzar duas espécies diferentes de anonáceas, o primeiro problema que encontra não é a polinização em si, mas a incompatibilidade pós-zigótica. O zigoto se forma, começa a se dividir, e depois para. Não cresce. Isso acontece porque os endospermas das espécies diferentes não comunicam direito entre si, e o embrião morre de fome antes de dar o primeiro broto.

O cruzamento de duas espécies da família das anonáceas na prática

A técnica básica envolve embeber as sementes em hipoclorito de sódio a 2% por quinze minutos, lavar três vezes em água estéril, e then semear em meio de germinação com meia força de sais. A maioria das anonáceas é recalcitrante — essas sementes não aguentam secagem nem congelamento. Se você deixar a semente secar, já era. Ela simplesmente não volta à vida. Para o cruzamento em si, você precisa isolar as flores ainda em botão. Remover as anteras antes da dehiscência, aplicar pólen da espécie escolha com um pincel fino de pelo de esquilo, e cobrir com saquinho de TNT. O período de viabilidade do pólen varia muito entre espécies. Em Annona crassiflora, o pólen sobrevive talvez três dias em temperatura ambiente. Em Annona mucosa, menos que isso. Trabalhe rápido.

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O que ninguém te avisa é que a hibridização interespecífica em anonáceas tem uma taxa de frutificação baixíssima na maioria dos casos. Em meus experimentos com A. crassiflora x A. senegalensis, dos duzentos cruzamentos que fiz, apenas quatro produziram frutos. E desses quatro, dois abortaram. Só um deu viável. Se o objetivo for obter híbridos interessantes, recomendo cultivo in vitro do embrião imaturo. Isso quer dizer: remover o embrião do zigoto abortando antes que ele murche, colocar em meio MS com 2 mg/L de BAP e 0,5 mg/L de NAA, e aguardar a formação do calos ou da plântula diretamente. Funciona em cerca de trinta por cento dos casos quando a compatibilidade é parcial.

O principal limitador é que não existe um protocolo universal. Cada par de espécies exige ajustes finos na concentração de citocininas e no período de escarificação. O que funcionou comigo para o cruzamento entre A. montana e A. macrocarpa não serviu absolutamente nada para A. coriacea com A. reticulata. Você vai precisar testar concentrações e fazer várias tentativas antes de acertar.