Trabalhando pares e ímpares com crianças de seis anos
A maioria dos professores de primeiro ano começa essa aula formando duas colunas na lousa e escrevendo números de 1 a 20. As crianças copiam, repetem em voz alta e, na semana seguinte, esquecem. Isso acontece porque o conceito foi apresentado como memorização, não como compreensão. Eu já vi isso acontecer todo ano letivo. O problema central é que par e ímpar não são categorias que se aprendem olhando. São categorias que se sentem. Uma criança precisa tocar, dividir, agrupar. Sem material concreto, o número 8 vira apenas um símbolo que aparece depois do 7 e antes do 9, sem qualquer ligação com a ideia de "dois em dois".
O que funciona na prática para numeros pares e impares 1 ano
Comece com tampinhas, botões ou cubos multibase. Peça para a criança agrupar em pares, dois a dois. Se sobrar um, o número é ímpar. Se não sobrar nada, é par. Repita com diferentes quantidades até ela fazer o raciocínio sozinha, sem contar um por um. Depois disso, introduza o conceito visual com uma tabela simples. Na coluna da esquerda, os números que sobraram com um sobrando (1, 3, 5, 7, 9...). Na da direita, os que fecharam em pares (2, 4, 6, 8, 10...). A criança já tem a experiência corporal. Agora está conectando o concreto ao abstrato.
Eu cheguei a ter um aluno que acertava todos os exercícios escritos mas errava quando eu pedia para ele separar 13 bolinhas em pares. Ele dizia que 13 era par porque "termina em 3 e 3 é gostoso". O problema não era matemática. Era que eu tinha pulado a fase concreta e ido direto para a escrita. A correção foi simples: voltar às bolinhas, deixar ele formar os pares com as mãos e esperar até que a frustração de sobrar uma peça criasse a necessidade cognitiva do conceito. Levou três aulas. Depois dele nunca mais errou.
Alternativas e recursos disponíveis
Existem planilhas e fichas imprimíveis em sites educacionais brasileiros. Uma busca por "numeros pares e impares 1 ano PDF" rende materiais das editoras FTD, Santillana e outros. Eles variam em qualidade. Os melhores pedem para colorir ou pintar os números, o que dá um segundo canal sensorial além da contagem. Os piores são listas de identificação que não passam de ditado disfarçado. Para quem prefere atividades digitais, há aplicativos como o Khan Academy Kids e o Mathseeds que têm seções dedicadas. O problema desses apps é que a criança muitas vezes acerta por reconhecimento de padrão visual — cores, sons, posições — sem realmente entender a lógica da divisão em dois grupos. O app não percebe. O professor percebe quando pede para explicar por quê.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Uma dica prática: se você for usar material impresso, corte os exercícios em tiras menores. Uma criança de seis anos com uma folha inteira de exercícios olha para aquilo e travs. Três ou quatro linhas de cada vez mantêm o foco. Eu comecei a fazer isso há dois anos e o tempo de atividade concentrada dobrou na média da turma.
O que quase todo mundo erra ao ensinar esse conteúdo
O erro mais comum é ensinar a regra do "números que terminam em 0, 2, 4, 6, 8 são pares" antes da criança dominar a ideia de agrupamento. Essa regra é um atalho útil, mas só funciona como ferramenta secundária. Se você apresentar o atalho primeiro, a criança decora a sequência dos dígitos e para de pensar no que par e ímpar significam. Quando chegar o número 102 no terceiro ano, ela vai responder 102 é ímpar porque o 1 e o 0 não estão na lista que ela memorizou. Outro erro frequente é acreditar que uma semana de aula basta. Par e ímpar é um conceito que precisa de repetição espaçada. Duas aulas boas por semana durante três semanas produzem resultado muito superior a quatro aulas intensas de uma só vez. O cérebro da criança nessa idade ainda está construindo conexões neurais para abstração matemática. Forçar velocidade compromete a fixação.
Há também o problema das crianças que têm dificuldade com coordenação motora fina. Pedir para elas riscarem, colorirem ou recortarem números pode ser mais frustrante do que o conteúdo em si. Nessas situações, substitua por atividades orais — você diz um número e ela mostra com os dedos se é par ou ímpar, ou usa um app de voz. O objetivo é o conceito, não a caligrafia.
Quando o método não funciona
Se após três semanas de trabalho com material concreto a criança ainda não consegue distinguir par de ímpar em números até 20, é provável que haja uma dificuldade de base. Pode ser contagem de um em um que não está consolidada, problemas de memória de trabalho, ou algo relacionado a déficits de atenção. Nesse caso, voltar para a contagem e para a noção de quantidade antes de retomar par e ímpar é mais eficiente do que insistir no mesmo caminho. Também é importante notar que esse conteúdo, embora pareça simples, é a base para divisibilidade, frações e álgebra mais avançada. Crianças que não assimilam par e ímpar corretamente no primeiro ano tendem a ter mais dificuldade com divisão por 2 no segundo e terceiro ano. Não subestime a importância de fazer bem desde o início.
Se quiser recursos prontos para usar em sala, a página do governo federal Portalsaofrancisco com materiais de matemática do ensino fundamental costuma ter fichas gratuitas. O site do Matemática para Crianças também publica atividades organizadas por ano escolar. Ambos são gratuitos e atualizados regularmente.