O que é uma resenha crítica e por que as normas ABNT parecem complicar tudo
Resenha crítica não é sinônimo de resumo. É um texto argumentativo que analisa, avalia e posiciona o leitor sobre uma obra — seja livro, artigo, filme ou produção acadêmica. As normas ABNT entram como molde, mas o que a maioria das pessoas não entende de cara é que elas não ditam o conteúdo, apenas a formatação. O problema é que os orientadores e bancas confundem as duas coisas o tempo todo. As regras principais para a ABNT na resenha crítica estão na NBR 6028 e na NBR 10520, mas na prática a coisa é menos simples. A NBR 6028 fala de resumos, mas as universidades pegam esse documento e estendem para resenhas. A NBR 10520 cuida das citações. E a NBR 6023 cuida dos artigos publicados em periódicos, que é praticamente o que você vai citar em uma resenha. O que não está escrito explicitamente nessas normas é que a resenha crítica tem uma estrutura que a ABNT não descreve diretamente — isso fica a cargo de cada instituição.
Como seguir as normas abnt resenha critica na prática
Vou explicar começando pelo que mais trava as pessoas: a identificação da obra resenhada. Você precisa colocar no topo do texto, centralizado ou alinhado à esquerda conforme o padrão da sua universidade, os dados completos da obra. Título, autor, edição, local de publicação, editora e ano. Se for artigo de periódico, coloque também o título do periódico, o volume, o número e as páginas. Esse trecho funciona como um cabeçalho bibliográfico, mas não é uma referência ABNT comum — é uma ficha técnica da obra resenhada. Depois vem o corpo do texto. Aqui a maior parte dos estudantes erra na estrutura. Uma resenha crítica precisa de três partes: a apresentação da obra, a análise e a avaliação. A apresentação descreve o que o livro ou artigo trata, sem julgamento. A análise desmonta a estrutura argumentativa, os métodos usados, as fontes citadas. A avaliação é onde você entra com o posicionamento crítico, sustentado por argumentos e, quando necessário, contrapontos.
Quanto ao formato, o texto deve ter fonte Times New Roman ou Arial tamanho 12, espaçamento simples entre linhas, margens 3cm superior e esquerda, 2cm inferior e direita. A primeira linha de cada parágrafo precisa de recuo de 1,25cm. Citações diretas com mais de 3 linhas vão com recuo de 4cm, fonte tamanho 10 e espaçamento simples. Isso tudo está nas normas, mas raramente alguém lembra de aplicar a parte do tamanho 10 nas citações longas. Um detalhe que muita gente ignora: a resenha crítica pode vir acompanhada de uma seção de referências. Se você citou obras além daquela que está sendo resenhada — por exemplo, usou outro livro para contrastar o argumento do autor — essas obras precisam entrar nas referências no final. Muitos alunos esquecem disso e perdem pontos por isso. As referências seguem a NBR 6023 para artigos e a NBR 6028 para livros, mas a banca cobra que todos os autores citados no texto apareçam listados no final, e vice-versa.
No meu caso, enfrentei um problema específico na formatação de resenhas de filmes. A norma ABNT não foi escrita para resenhar produções audiovisuais. Quando precisei citar um filme, a banca pediu o formato de referência de mídia eletrônica, mas o regulamento interno da faculdade tinha uma regra diferente que não aparecia em lugar nenhum online. A solução foi pegar o edital do programa de pós-graduação, procurar o anexo com as normas internas e seguir aquilo. Se você está fazendo resenha de algo que não é livro ou artigo, primeiro verifique se a instituição tem uma norma interna para o formato. Outro ponto que pouca gente leva a sério é a citação de trechos. A NBR 10520 permite citações diretas e indiretas. Em uma resenha crítica, as citações diretas devem ser usadas com moderação — no máximo dois ou três trechos curtos ao longo de todo o texto. O excesso de citações diretas transforma a resenha em um recorte, não em uma análise. O correto é parafrasear os argumentos do autor e questioná-los com suas próprias palavras, inserindo a citação direta apenas quando a formulação exata for relevante para a crítica.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Há também um detalhe técnico que passa despercebido: o título da resenha. Ele não precisa repetir o título da obra resenhada. Pode ser um título criativo, desde que mantenha a seriedade acadêmica. Algumas bancas pedem que o título da obra resenhada apareça logo abaixo, entre parênteses. Isso não está nas normas gerais da ABNT, então verifique sempre com o orientador. Um erro recorrente que eu vejo com frequência é a confusão entre resenha crítica e resenha descritiva. A descritiva apenas resume o conteúdo. A crítica avalia. Se você estiver apenas descrevendo capítulos e argumentando que o livro é bom ou mau sem sustentar com elementos concretos — estrutura, método, coerência, originalidade —, não está fazendo uma resenha crítica. Está fazendo um opinião. A banca percebe isso na hora, e não há formatação que salve.
Outro aspecto prático: o número de páginas. Resenhas críticas costumam ter entre 5 e 15 páginas, dependendo do nível acadêmico. Para graduação, o mínimo costuma ser 5. Para pós-graduação, 10 a 15. Exceder muito esse limite costuma indicar que o texto está muito descritivo e pouco analítico. Inverter isso — fazer uma resenha de 2 páginas — também é sinal de superficialidade. A densidade do argumento importa mais que a quantidade de palavras. Se você precisa de um modelo pronto para consultar, a própria ABNT disponibiliza alguns exemplos no site oficial, mas eles são genéricos. A melhor referência é o manual de normative da sua própria instituição, porque é ele que vai ser usado na avaliação. Nenhuma norma geral supera a norma específica da sua faculdade ou programa acadêmico.
Pontos de atenção que ninguém cuenta
Primeiro: a ordem alfabética das referências precisa ser rigorosa. Um erro de acentuação no sobrenome do autor faz toda a lista desalinear. Isso parece bobagem, mas é o tipo de coisa que uma banca corrige com caneta vermelha. Segundo: se a obra resenhada não tiver autor individual — como um relatório institucional ou uma coletânea sem organizador identificado —, a referência começa pelo título. Isso vale para a obra resenhada e para as referências complementares. A norma é clara, mas a execução é falha em 90% dos trabalhos que eu vejo.
Terceiro: a resenha crítica não precisa ter conclusão formal com frases de fechamento. O texto termina naturalmente quando a avaliação é encerrada. Colocar "Em resumo..." ou "Podemos concluir que..." soa artificial e é desnecessário. A norma não exige fecho retórico. A principal limitação das normas ABNT para resenha crítica é que elas são abertas demais. Não há um modelo único. Isso significa que cada orientador interpreta de um jeito. O que funciona em um programa pode não funcionar em outro. Não existe um padrão absoluto — existe o padrão da sua instituição. Antes de começar a escrever, pergunte ao seu orientador ou consulte o manual do curso. Isso economiza retrabalho e evita que você formate tudo direito e depois descubra que o modelo correto era outro.
Se você precisa de um ponto de partida prático, o site da ABNT (www.abnt.org.br) oferece a cópia digital das normas pagas, mas há versões gratuitas disponíveis em bibliotecas universitárias. Muitas universidades também têm guias próprios de elaboração de trabalhos acadêmicos que resumem o que é necessário para resenha crítica. Eles são mais úteis do que ler a norma inteira, porque já filtram o que se aplica ao seu caso.